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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Capítulo 26 - Luan + Anita = Luanita

Notas iniciais: Preparadas para o último cap dessa temporada? Então prepara, porque está altamente "suspirante"!

Aproveitem!
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Ponto de vista da Anita
 
Era como se eu estivesse no meio de um turbilhão, perdida em um mar de abraços e coberta por ondas de “Parabéns!” e “Felicidades!. Mil coisas se passavam pela minha cabeça como folhas voando no vento:
 
“Eu tenho o MELHOR-MARIDO-DO-MUNDO. Tudo o que eu mais queria naquele momento era decorar cada palavra, cada gesto dele e gravar para sempre na minha memória para nunca mais esquecer”
 
“Graças ao bom Deus inventaram maquiagem à prova d’água, senão eu estaria parecendo um panda de tanto chorar”
 
“Ahhh, eu adoro essa música! E adoro ainda mais esse olhar insinuante que o Luan está lançando pra mim...”
 
“Socorroooo! A Divinha se empolgou e está pulando e babando em todos os convidados. Cadê a coleira dessa cadela?”
 
“Caramba! Eu convidei mesmo tanta gente ou uma parte desse pessoal entrou de penetra? Será que a comida vai dar? Será que a Rafa lembrou de pedir aqueles docinhos que eu curto?”
 
“Ahhh não! Mas quem teve a péssima ideia de dar arroz para os convidados jogarem nos noivos? Essa droga gruda em TODAS as partes do corpo e NÃO sai nunca mais! Já diria o Lú, tá que pariu!”
 
Deixamos a capela ainda ao som da banda e em meio a uma verdadeira “chuva” de arroz. A Divinha veio saltitando atrás de nós e assim puxamos a fila, descendo as escadas até a tenda onde a festa rolaria de fato.
 
A “festança” seguiu animada. A banda não parou de tocar, os garçons serviram comida e bebidas e os convidados “saracotearam” para cima e para baixo, dançando ao ritmo da música, alguns deles deixando-se levar pela cerveja e pelo vinho. Eu e o Luan percorremos todas as mesas para falar com os nossos amigos. Todos pareciam ter curtido muito a ideia do “casamento surpresa”:
 
- Luan do céu, o que estamos esperando para gravar um dueto seu com a Anita?  - Dudu Borges, o produtor do meu marido, comentou enquanto curtia um “churras” caprichado do pessoal do buffet.
 
- Cara se sou eu no seu lugar, não “dô” conta de entrar nessa igreja, não! Esse lance de casamento já é complicado, surpresa ainda?! Vixi, tenso demais! - Sorocaba brincou.
 
- Anita Bonita, você está linda com esse vestido! E claro que essa ideia de surpresa só poderia ser sua, né? Sempre surpreendendo a todos nós! – O Fiuk disse ao me abraçar, fazendo o Luan ficar de cara feia. Nunca vi ser tão ciumento quanto o meu marido...
 
- Eu chorei com o que vocês dois falaram no altar – Thaeme confessou ao nos dar os parabéns.
 
- Curti o clima da festa! Quero fazer uma cerimônia diferente assim: Cheio de estilo, bem com a cara de vocês... Sem falar que vocês arrasaram! Cara, foi demais tudo! – A Bruna veio até mim dando pulinhos de empolgação.
 
- Cara, foi tudo muito massa! E a cara do Laurence quando viu Any no altar? O menino ficou ba-ban-do! – Ivete disse com o seu característico sotaque baiano e seu jeito autêntico.
 
Os comentários continuaram até que eu o Luan nos cansamos e resolvemos fugir para um canto mais reservado. Já fazia uma semana que não via o meu marido e eu precisava colocar o papo em dia com o Lú e saber o que ele havia achado daquela “doidera” que eu inventara.
 
- E então, curtiu a surpresa? – Perguntei ansiosa pela resposta.
 
- Se eu gostei? “Cê” tá “loca”, mulher? Como eu poderia não gostar disso tudo? Você realizou meu sonho de casar na igreja, sob a bênção de Nossa Senhora Aparecida, na presença dos meus pais, na companhia dos meus amigos mais queridos, com tudo o que eu mais gosto... Anita, eu já sabia de uma coisa, mas hoje você me fez ter ainda mais certeza de uma coisa: Você é a mulher da minha vida – Ele me beijou suavemente nos lábios quando completou a frase, fazendo meu coração “derreter” dentro do peito. Era para aquele ser o dia mais feliz da vida do meu marido, mas eu acabei entrando na “onda” e compartilhando aquele sentimento com ele. Cada momento, cada instante, cada gesto... Tudo estava muito mais perfeito do que eu imaginara.
 
- Só tá faltando uma coisa... - Ele me disse, encerrando o nosso beijo e me segurando entre os seus braços – Cadê a Nica? Tô com uma saudade danada da minha “filhota”!
 
- Ela está com a Célia! “Pera”,vou chamar... – Não precisei ir muito longe para achar a enfermeira com a Nicole no carrinho. Chamei alto e ela veio até mim, sempre prestativa e muito carinhosa.
 
- Ôôôô, olha a minha “piquetucha” aí... – Ele exclamou ao ver a filha se aproximar – Cadê a Nica do papai? Cadê? Sentiu saudades, filhota? Papai morreu de “sardades do cê”! Vem cá, “Niquinha”, vem! – O Luan falou com aquela típica voz “fininha” que todo mundo usa quando está falando com crianças antes de pegar a filha no colo para brincar com ela. Eu apenas respirei fundo e tentei ignorar os “Nicas”. Por mais que eu corrigisse todo mundo, o apelido já tinha pegado. Até os fãs chamavam a minha filha assim. Aquela já era uma batalha perdida...
 
- Ali, ali! Aproveita o momento para fazer uma foto de família! – A Malú, não sei como, conseguiu nos achar e chamou um dos fotógrafos para registrar o momento. Fizemos pose, a Nick no colo do pai e eu ao lado dos dois. Naquelas alturas o dia já havia morrido e a noite assumia o seu lugar com algumas estrelas brilhando no céu. O clima continuava quente, e as lanternas nas árvores davam um brilho especial à festa.
 
- Ai Anita, ainda bem que eu te achei! Está na hora de jogar o buquê! – A Rafa apareceu em meio ao momento “Foto de Família”, estragando de vez a “pausa estratégica” que eu e o Lú finalmente havíamos conseguido... Olha, dar uma festa de casamento exigia muita disposição, viu?
 
- Tem que ser agora, Rafinha? – Fiz cara de pidona, tentando ganhar mais uns cinco minutinhos – Justo quando eu comecei a curtir o meu “maridão”?
 
- Any, você sabe do nosso cronograma! E toda gata garota precisa fazer sacrifícios às vezes! – Minha empresária me repreendeu – Além disso, você terá muito tempo para curtir o Luan nas super férias que esperam por vocês em Aruba! Sol, praia e muito amor tropical! – Ela completou toda animada.
 
- Opaaa! Mal espero por essa viagem! Aruba vai ficar pequena pra “nóis”! – Meu marido comentou sorrindo de uma maneira travessa.
 
- Mas antes... – A Rafa interveio – Vamos, Anita! Você tem deveres de noiva a cumprir!
 
- Tá bom, tá bom... – Acabei concordando, amaldiçoando a mim mesma por ter insistido para que a Rafa colocasse aquele “ritual” de casamento na minha cerimônia. No dia do planejamento da festa me pareceu uma ótima ideia manter essa tradição, tanto que fiz questão de ter um buquê, mesmo que eu não fosse entrar na igreja segurando um. Mas agora... Bem, eu não estava nem um pouco no clima em atirá-lo para o alto para ver quem seria a próxima a se casar... O jeito foi deixar o meu marido com a minha filha e parti para o sacrifício, disposta a acabar logo com aquilo.
 
Ao contrário de mim, a mulherada ficou muito animada quando a Rafa interrompeu a banda por um momento e assumiu o microfone a fim de avisar sobre o momento do buquê. Imediatamente uma rodinha de mulheres de todas as idades (e todas as cores e formatos de chapéus possíveis) formou-se perto da escada, de onde eu faria o meu “grande arremesso”. O meu buquê era composto de flores silvestres de diversas cores com alguns ramos de alfazema. Ele era tão bonito que eu estava com muita dó de me desfazer dele.
 
- Vamos lá, meninas! Todas prontas? A Anita já pode jogar? – A Rafa gritou para chamar a atenção da mulherada que estavam eufóricas com o momento. Algumas gritavam “Para a direita”, ou “Para a esquerda”, mas eu nem dei bola. Sou dessas que faz o tipo difícil.
 
Muitas delas concordaram, então lá fui eu me posicionar para o “grande momento”. Subi uns três degraus, virei de costas e iniciei a contagem – Uuuuum, Dooooois, Dois e Meio – Fiz uma graça para aumentar a expectativa – e... Trêeeees – Assim que terminei de contar, levantei os braços e, meio de qualquer jeito, joguei o buquê para trás, me virando imediatamente para saber quem havia pegado.
Um pequeno número de mulheres, posicionadas à direita do “grupo das desesperadas”, caiu em cima do buquê. Uma sessão de tapas e empurrões teve início, e não demorou muito para apenas duas delas se sobressaírem e continuarem na disputa pelo “prêmio da vez”. Uma delas eu reconheci: Era a Malú. A segunda era uma ruiva que usava um chapéu preto pontudo, que me lembrava o de uma bruxa. Como o acessório ainda não tinha caído da cabeça dela no meio de toda aquela confusão era algo que eu não sabia explicar.
 
Perto de mim, a Marlinha e a Kari gritavam entusiasmadas para incentivar a Maria Luiza. Olhei para elas fazendo cara de quem queria entender o que estava acontecendo e as duas trataram de me explicar - A ruiva ali está encalhada há anos - Marloca contou o “babado - Ela é assessora da dupla F&S e cismou que quer casar com o Sorocaba. Feia do jeito que é, a única maneira de conseguir isso é pegando o buquê mesmo... – A Kari avaliou, me fazendo pensar que eu precisava morrer amiga das “backings” do meu marido.
 
Enquanto isso, a disputa continuava acirrada. As duas estavam rolando pelo chão, uma hora a Malú por cima da ruiva, outra hora a ruiva por cima da Malú. O chapéu da “feiosa” finalmente caiu junto com o colar que a fotografa estava usando. A briga estava parecendo uma luta de MMA e até os homens se aproximaram para ver o “circo pegando fogo”. Claro que o André não perdeu a oportunidade para gritar “Vai CU-RI-CA! Quebra essa BRAN-QUE-LA no meio”.
 
Aparentemente o incentivo do futuro marido surtiu efeito na Maria Luiza, porque esta, em um gesto heroico, deu um chute na barriga da adversária a desarmando, e aproveitou do seu momento de fraqueza para pegar o buquê de uma vez por todas. Logo na sequência ela se levantou com dificuldade, o vestido todo sujo, despenteada, maquiagem borrada, o buquê completamente dilacerado nas mãos, mas com um sorriso triunfante no rosto, como se tivesse acabado de conquistar o primeiro lugar em uma competição muito acirrada.
 
- AHHHH, sua CU-RI-CA! Eu sabia que você ia CON-SE-GUIR! – O André correu para abraçá-lo, saltitando de alegria – Você sabe que sou supersticioso, e isso com certeza é um ótimo sinal que todos os planos para o nosso casamento vão dar certo!
 
- E eu posso saber que planos são esses? – Perguntei me aproximando deles. Ao nosso redor a multidão continuava animada, todos relembrando os melhores momentos da briga pelo buquê. Teve até gente que deu tapinhas nas costas da Malú para lhe dar os parabéns. Aquela certamente fora o “arremesso” de buquê mais disputado da história!
 
- Nós decidimos que não queremos uma cerimônia TRA-DI-CI-O-NAL e brega como essa – O André mexeu as mãos desdenhando da minha festa de casamento – Por isso vamos dividir o nosso matrimônio em três PAR-TES: A primeira será uma festa à fantasia com o tema “Deuses do Olimpo”. A ideia é fazer uma cerimônia digna de deuses, com muita bebida e comida, tudo do bom e do melhor. Claro, todos os covidados deverão estar vestidos de acordo...
 
- Peraí, vocês vão fazer uma festa de casamento à fantasia? E todos nós teremos que nos vestir com aquelas roupas gregas? – A Rafa entrou no assunto.
 
- Isso mesmo! Traje completo! Quero até as sandálias que os gregos usavam. Aquelas que lembram as sandálias da humildade, sabe? – A Malú tentou explicar o que, para mim e para a Rafa, parecia inexplicável. Mesmo assim resolvi não dar opinião. Depois de organizar um casamento surpresa, quem era eu para dar palpite na festa dos outros?
 
- Depois vamos realizar uma cerimônia na praia, como se fosse um luau. E para finalizar, vamos nos casar em Las Vegas, em uma cena digna de CI-NE-MA – O André concluiu, muito animado.
 
- Cuidado, hein! A Rafa casou em Las Vegas e olha aí no que deu... – Provoquei.
 
- Anita! – Claro que ela chamou a minha atenção, toda nervosinha.
 
- Desculpa Rafinha, é que eu não resisto... Você sabe que eu prefiro muito mais o Super Pato do que o seu atual marido – Me justifiquei – O único defeito do Alê foi ter saído do Corinthians para ir jogar no São Paulo. Fora isso...
 
- Quac, quac! – A Malú entoou o nosso grito de guerra, levantando o que sobrara do buquê para o ar.
 
- Aff... – A loira revirou os olhos – Falando em Super Pato, ele me salvou várias vezes essa noite. O Caio cismou que quer me reconquistar a todo custo e resolveu fazer “marcação pesada” em cima de mim. Minha sorte foi o Alê que sempre aparecia para me ajudar.
 
- Huumm.... Ai,ai, ai, ai.... O Super Pato é demais! – Eu e a Malú falamos juntas com jeito de garotas apaixonadas, só para zuar a Rafa.
 
- Chega vocês duas! – Minha empresária falou em tom sério – Não tem nada a ver isso aí! E ó, vamos parar de papo furado e “bora” tocar a festa – Ela correu mudar de assunto, ajeitando o chapéu na cabeça – É o seguinte, Any: Acho que vou aproveitar que a maioria do pessoal já está de pé e vou anunciar a hora da valsa. Quero adiantar essa parte porque daqui a pouco vai chover e aí teremos que transferir a festa para a parte interna da casa, onde não teremos espaço para a dança do casal com os padrinhos.
 
Eu nem precisava olhar para o céu para saber que a Rafa estava certa. O clima abafado com a brisa que estava soprando era uma combinação fatal: Vinha chuva por aí!
 
- Depois da valsa eu estarei livre de todas essas chatices de buquê, dançã e etc, etc, etc...? – Perguntei em tom irônico.
 
- Chatices essas que você mesma fez questão de ter na sua festa, lembra? – A Rafa rebateu, também em tom irônico – Mas a resposta é sim. Essa é a sua última “obrigação” como noiva hoje.
 
- E aí vou poder tirar essa sandália assassina e colocar o meu All Star? – Questionei levantando uma sobrancelha.
 
A Rafa respirou fundo antes de me responder – Vai Anita! Por mais que eu não concorde com isso, você vai...
 
- Sendo assim... Vou buscar o Luan – Anunciei antes de sair saltitando atrás do meu marido.
 
Quando voltamos, quase todos os padrinhos já estavam reunidos perto da banda e os convidados formavam um circulo em torno de uma pista de dança improvisada. Naquela parte da tenda um piso especial, que parecia um tablado, fora instalado justamente para aquele momento.
 
- E aí, o que a gente vai fazer agora, Ní? – Meu marido me perguntou disfarçadamente.
 
- Agora é a hora da valsa. A banda vai tocar uma música e nós vamos começar dançando. Depois todos os padrinhos se juntarão a nós. A gente até ensaiou uma coreografia! Mas ó, fica tranquilo! Confia em mim que eu te conduzo! – Expliquei, dando uma piscadela para ele.
 
- Nossa, mas essa minha “muié” é demais mesmo, hein? “Deixa que eu te conduzo” – Ele me imitou, tirando onda com a minha cara – Mas vem cá, “Paxão”, me fala uma coisa... Esse “trem” de valsa com os padrinhos não é coisa de festa de 15 anos? Eu lembro que rolou uma parada dessas no aniversário da Bruna – O Lú me perguntou ainda em tom de confidência.
 
- É, mas eu resolvi fazer uma adaptação para o nosso casamento...
 
- Ai Ní, só você... – Meu marido riu da minha cara de pau.
 
- Vem Any, vem Luan! Andem logo! – A Rafinha nos apressou para que chegássemos logo ao início da fila – Os dois ficam aqui! Agora eu só preciso achar o meu par, e já podemos começar – Ela avisou enquanto procurava pelo Pato no meio dos convidados. Só para variar, Neymar e Bruna estavam causando na fila, e Malú e André estavam discutindo sobre algo que eu nem queria saber o que era.
 
- Se você quiser, eu danço com você – Meu irmão “brotou” ao nosso lado e tentou (sem nenhum sucesso, diga-se de passagem), jogar o seu charme para cima da sua ex-noiva.
 
Ficamos eu, Luan e Rafa parados, um olhando para a cara do outro, sem saber como reagir ao “galanteio” do Caio. Meu irmão parecia estar “levemente alterado”, o que não o favorecia em nada.
 
- Me perdoe cara, mas a dama já tem companhia - O “Super Pato” apareceu na hora e no lugar certo, pegando a mão da Rafa e a beijando suavemente. A loira ficou vermelha na mesma hora, mas ofereceu o braço para o Alexandre, que aceitou prontamente.
 
- Perdeu, playbloy! – Olhei com cara feia para o meu irmão que se tocou e saiu de perto de nós.
 
- Isso que eu chamo de entrada triunfal... – O Luan comentou fazendo graça quando viu que o Caio já estava um pouco longe de nós.
 
- Olha Alexandre, eu fico muito agradecida por você me ajudar com o Caio, mas... Não sei se você ficou sabendo que eu...
 
- Não precisa falar nada, Rafaela – O Alê a interrompeu – A Anita me explicou as suas razões e me disse que você iria tentar novamente com o seu marido. Eu só queria que você soubesse que eu estarei te esperando... Caso você mude de ideia – Ele disse sério, sem tirar os olhos dela. A Rafa também não conseguia parar de olhar para o jogador, os olhos marejados, a boca meia aberta como se quisesse falar algo mas não conseguisse encontrar as palavras.
 
- Acho que essa é a nossa deixa para começar – Me virei, fazendo sinal para a banda. Estava na hora de deixar aquele casal a sós.
 
Os músicos começaram a tocar uma versão instrumental de “Te Vivo”, o Luan me ofereceu a mão e juntos começamos a valsar. A coreografia era simples, incluía apenas alguns giros para a direita e para a esquerda em determinados pontos da música, e não foi difícil para o meu marido me acompanhar. Deslizamos pela pista, os convidados nos assistindo, eu sorrindo de orelha a orelha e o Lú me segurando entre os seus braços como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo.
 
Aos poucos os padrinhos foram se juntando a nós: Rafa e Pato dançando muito próximos um do outro e de forma muito entrosada, André e Malú com seu jeito exibicionista, Neymar e Bruna completamente apaixonados. Percebi que a minha cunhada havia dado um jeito e trocado de parceiro. Enquanto o Sorocaba dançava com a Thaeme, ela bailava com o Lucas Lucco, formando um casal muito bonito que tirou a paz do Luan por alguns instantes.
 
Fechei os olhos e apenas me deixei levar pela música. E foi como se um filme passasse pela minha cabeça. Relembrei todos os nossos momentos juntos, todas as brigas e reconciliações, os desafios que enfrentamos, o longo caminho que percorremos para chegar até ali: De Nova York até Ribeirão, os problemas com o Murilo, depois o lance com o Fiuk, a maldição do pedido de casamento, a minha gravidez, a descoberta que a Nicole tinha Sindrome de Down, os dias longe dele, a saudade, a nossa vida maluca e cheia de imprevistos... Nós havíamos sobrevivido a tanta coisa!
 
Lembrei também que uma vez, lá em Nova York, o Luan me disse que me daria uma família. Ao abrir os olhos, tive a certeza que ele era um homem palavra por ter cumprido exatamente o que me prometera. Aliás, ele era muito mais que isso. Ele era o homem da minha vida!
 
- Obrigada por nunca ter desistido de mim – Falei antes de girar para a direita, me soltando rapidamente dos seus braços, fazendo o meu vestido esvoaçar em volta do meu corpo.
 
- E como eu poderia desistir do que me faz feliz? – O Luan disse em resposta, voltando a colocar o braço na minha cintura, a outra mão segurando a minha para me conduzir novamente pela pista – Bota uma coisa na sua cabeça, Anita Tunice Santana – Ele fez questão de ressaltar o meu último sobrenome – Eu disse que ia cuidar de você, e é isso que eu vou fazer. Para mim não importa o quanto você possa ser teimosa, mimada, difícil e rebelde... No fim das contas você vai ser sempre a minha Granfina...
 
- E você vai ser pra sempre o meu Caipira – Pisquei para ele me preparando para o encerramento da música. Segurei em seus braços e inclinei o corpo para trás, sentindo os seus músculos enrijecerem ao se esforçarem para me manter segura.
 
Todo os convidados aplaudiram a valsa, sem saber que o melhor estaria por vir. Logo após “Te Vivo”, a banda começou a tocar uma música do Jorge e Mateus que eu escolhera “a dedo” para encerrar a minha festa por combinar perfeitamente com a ocasião.
 
*** Link para a música - https://www.youtube.com/watch?v=hodnntAN-Z4 *** (“Aumente o som, pra ficar bom a nossa festa não tem hora pra acabar” - AMO essa música!)
 
Enquanto a introdução da canção tocava, os garçons invadiram a pista de dança distribuindo plumas, pulseiras de neon e “arquinhos” divertidos e com anteninhas que brilhavam. Todos os presentes foram convidados a entrar na dança e o tom formal da valsa foi substituído por uma balada animada e empolgante. Peguei uma tiara de “gatinha” para mim e uma coroa para o Luan e caímos na dança, curtindo o momento.
 
“O teu sorriso, abre as portas do paraíso, Vem comigo pra gente dançar
A melhor hora, sempre é agora, E o melhor lugar é sempre onde você está”

 
Cantei para o meu marido, que me encarava com os olhos brilhando de felicidade.
 
“E o arrepio toda vez que a gente se encontrar
Nunca vai passar,
Mesmo quando o Sol chegar”

 
Ele cantou de volta para mim, colocando a mão no meu rosto e me beijando suavemente nos lábios. Foi nesse momento que começou a chover. A tempestade de verão chegou de repente e com força, lavando as folhas das árvores e a terra da fazenda.
 
Parei por um momento e fiquei encarando a chuva com uma ideia na cabeça. O Lú pareceu ler meus pensamentos porque segurou a minha mão e, com um olhar provocante, me perguntou – Vamos?
 
- Mas o André disse que eu estava proibida de estragar esse vestido – Falei, só para fazer um charme.
 
- Mas qual é a graça do nosso casamento se a gente não contrariar o André e não enlouquecer a Rafa? – Ele me provocou.
 
- É mesmo... Qual seria a graça se a gente fosse um casal normal de noivos, não é mesmo? – Concordei com a voz cheia de segundas intenções.
 
- Nós nunca vamos ser normais, Ní – O Luan concluiu com o olhar fixo na chuva - E aí, bora?
 
- Peraí, vou colocar o meu All Star – Dei um selinho nele e corri até onde eu sabia que meu sapato estava guardado. Menos de um minuto depois eu estava de volta – No três?
 
Ele assentiu com a cabeça – Um... Dois...Três!
 
O Luan pegou a minha mão e disparou pela pista de dança, alcançando a beirada da tenda e saindo para a chuva de verão. Ele me abraçou forte, rindo da nossa loucura e depois me girou em seus braços. A água caía sobre nós como uma benção divina e naquele momento eu fechei os olhos e pedi a Deus que aquela felicidade nunca tivesse fim. E antes de beijar o meu marido nos lábios, eu quase pude ouvir os anjos responderem “Amém”. Eu apenas me joguei nos braços dele e disse baixinho para que só Ele pudesse ouvir.
 
“Que assim seja, que assim seja”.
 
***
Agradecimentos:
 
Caraca, chegamos ao fim de mais uma temporada de “A Granfina e o Caipira”! Às vezes eu nem acredito nisso, que chegamos tão longe...
 
E não é por nada não, mas essa temporada foi caprichada! Tanto que chegamos aos 25 capítulos, quando a ideia era ter no máximo 
18! Eu não sei vocês, mas já aprendi tanto com essa Trupe! Ao longo desses dois anos de existência de AGeOC é como se eu tivesse crescido e amadurecido com a Anita.
 
Tudo o que eu posso dizer é MUITO OBRIGADO a todas que chegaram até aqui comigo. Obrigada pelos comentários, sugestões, pelas cobranças por novos capítulos, pelos surtos e por não me deixarem desistir. Se cheguei até aqui é graças a vocês que são o “combustível” para que tudo isso possa sair da minha mente e “virar realidade” aqui no blog.
 
Agradecendo especialmente à Rebeca, Carol e Dani Noronha que sempre me ajudaram dando opiniões sobre os "caps" e acalmando as minhas “neuras”.
 
Também gostaria de dedicar essa temporada a toda Trupe que foi um dos melhores presentes que o Luan me deu, e ao meu sobrinho-barra-afilhado, o pequeno milagre que nasceu no mesmo dia do Lú. E não poderia deixar de agradecer também ao Luan. Nessa temporada eu resolvi ousar bastante e fazer com que a Nicole tivesse Síndrome de Down. No início tive um pouco de medo que vocês não aprovassem essa decisão, mas resolvi seguir em frente com a minha ideia e seguir o exemplo do Lú, que não tem medo de ousar e colocar o seu estilo em tudo o que ele faz. Foi seguindo esse caminho que eu criei a quarta temporada que, particularmente, me deixou muito feliz com os frutos que consegui colher.
 
Para todo mundo que perguntou, eu penso sim em fazer mais uma temporada para AGeOC. Acredito que a quinta será a última, porque afinal de contas, toda história tem seu início, meio e fim. Ainda é cedo para prometer qualquer coisa. Tudo o que posso dizer por enquanto é que, se tudo der certo, teremos mais uma temporada para nos despedirmos da nossa tão amada Trupe.
 
Mas antes, tenho pensando em muita coisa bacana para fazer aqui no blog!
 
Antes de começar uma fic nova, quero publicar dois VDL’s: O da Mari (que eu já prometi há muito tempo e ainda não escrevi) e o meu. Calma, calma! Eu ainda não consegui abraçar o Luan nem nada do tipo, mas gostaria de dividir com quem ainda não sabe a história de como me tornei fã do cantor.
 
E aí sim, depois dos VDL’s prontos, entraremos de cabeça em uma nova história! Ainda estou acertando alguns detalhes, mas posso adiantar que o nome será “Voar outra vez” e contará a história da Gabi, uma bailarina e cantora que cruzará o caminho do Luan de forma bem...digamos, impactante. Essa fic será mais no estilo de “INC” e “ANC”, então podem esperar um pouco de mistério e muito romance por aí! Fiquem ligadas aqui no blog, no grupo no Face e no meu Twitter para acompanhar as novidades. E fiquem à vontade para dar pitacos e comentar, afinal, a casa é de vocês! =)

Enfim,
 
É isso, meninas!
 
Mais uma vez obrigada pelo carinho e pelas palavras de apoio. Eu nunca imaginei chegar tão longe. É como um sonho que começou "pequeninho" e hoje vem crescendo, ganhando forma e cores.

Esses dias eu li um livro do John Green chamado “Cidades de Papel” que fala que todos nós temos um milagre. O meu foi o Luan ter entrado na minha vida e ter me presenteado com tantas leitoras-barras-amigas e ter me feito descobrir o meu verdadeiro dom. Eu espero, de coração, que esse milagre dure para sempre.
 
Beijo grande,
 
Manu
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Notas finais: Quem já está com saudade de Luanita ergue a mão e grita EEEEU!

Espero todas vocês na nova fic, hein?!

(*)
E não esqueçam:
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quinta-feira, 27 de março de 2014

Capítulo 25 - O segundo ato - Parte II

Notas iniciais: Gente, é o seguinte:

Era para esse ser o último cap dessa temporada, mas, para variar um pouco, estava ficando gigante. Então resolvi fazer o seguinte: Nesse cap está a parte da cerimônia e no próximo vou colocar a parte da festa. Claro que o próximo não será tão grande como esse, mas também estará caprichado, combinado?

Dado o recado, bora para o capítulo! Tentei caprichar ao máximo! Esperem que gostem!
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Ponto de vista do Luan
 
“Sua mensagem está sendo encaminhada para a caixa postal e está sujeito a cobrança após o sinal...”
 
- Diacho, não consigo falar com a Anita! Será que aconteceu alguma coisa? – Reclamei em voz alta. Eu estava no carro com o meu empresário, o Well, Rober e o Gutão a caminho da nossa fazenda.
 
- Calma Luan, a gente já está quase chegando!  - O “Fabão”, que estava dirigindo, falou rindo da minha preocupação – Eita pai coruja! Nicole está ferrada! Não vai poder arrumar namorado tão cedo...
 
Todos no carro ficaram rindo de mim, mas eu nem importei. Já estava acostumado com aquele tipo de brincadeira. Desde que a minha filha nasceu eu me tornara um pai muito “babão”. Eu queria estar com a minha Nica o tempo todo. Sempre que eu tinha que sair de casa para fazer shows dava um aperto no peito... Eu e a Ní ficávamos nos falando o dia inteiro por Whats App, ela me mandando vídeos e fotos dela e da Nicole e eu repetindo de cinco em cinco minutos que amava muito as duas. O que não era mentira! Desde o momento que eu peguei a Nicole no colo pela primeira vez eu senti algo inexplicável. Ela era um “pedacinho” meu que tinha acabado de sair da pessoa que eu mais amava nesse mundo, a personificação de um amor tão grande e intenso...A minha filha!
 
Já tinha duas semanas que eu estava fora de casa por conta dos shows e outros compromissos profissionais e a saudade das duas já estava me matando. Eu não via a hora de chegar na fazenda para poder abraçar as minhas duas “Nís”. E o fato de ter um churrasco me esperando aumentava ainda mais a minha ansiedade. Nada como umas “cachaça” com umas boas “moda” ao lado da família para relaxar um pouco...
 
Tentei falar com a Anita mais uma vez sem sucesso. Eu já estava prestes a ligar para o celular da Rafa quando reconheci a porteira da “Nosso Mundo”. O carro começou a subir a “estradinha” que levava até a casa e eu logo reparei que tinha uns “trem” diferente pendurados nas árvores.
 
- “Rapáis”, mas o que é tudo isso? Anita disse que era só um “churrasquinho”, mas isso aqui tá um “trupé” danado... – Comentei em voz alta olhando para fora através do vidro do carro. Ao meu redor todo mundo estava tentando segurar um riso, disfarçando muito mal que sabiam de algo que eu não sabia. 

Chegamos na frente da casa e estacionamos. Estranhei mais ainda quando vi aquele “mundarel” de carros parados por ali e aquela “muntuera” de gente andando de um lado para o outro vestidos como “pinguins” usando trajes sociais pretos. Mas o que diabos estava acontecendo? A Anita tinha resolvido fazer uma mega festa e não me avisara?
 
- Alguém sabe o que está acontecendo aqui? – Perguntei desconfiado enquanto descia do carro. Todos eles continuaram com aquelas “risadinhas” sem graça, mas ninguém me falou nada. Peguei a minha mochila e comecei a caminhar em direção à casa, estranhando cada vez mais aquela história.
 
- Luuuuuan, você já chegou? Estava aqui, só te esperando! – A Rafa apareceu correndo em minha direção, equilibrando-se em um salto alto e segurando um chapéu na cabeça.
 
- Mas que isso, Rafa? “Cê” tá indo para algum casamento e nem me avisou? Tá chique demais, “muié” – Comentei querendo tirar um sarro da loira.
 
- Casamento? É... Mais ou menos! – Ela deu um sorriso amarelo para tentar disfarçar. 

- Rafaela, o que você e a Anita estão aprontando? – Fui direto ao assunto. Toda aquela movimentação já estava dando um “nó” na minha cabeça.
 
- É o seguinte – A loira respirou fundo antes de começar a falar – Lembra quando você comprou a fazenda e trouxe a Anita aqui pela primeira vez? – Assenti com a cabeça e ela continuou – Lembra que vocês foram até a capela e você disse que sonhava em se casar na igreja? Então, tudo isso aqui – Ela mexeu as mãos sinalizando tudo que estava ao nosso redor – é a concretização do seu sonho! SURPRESA, Luan! Seja bem-vindo ao segundo ato do casamento mais meteórico de todos os tempos! Ou seja, o seu casamento e o da Anita! – A Rafinha anunciou parecendo aquelas apresentadoras de TV chamando a próxima atração.
 
A novidade me pegou completamente desprevenido. Eu esperava por qualquer coisa, menos por aquilo... Tentei falar, mas não consegui. Até respirar estava meio difícil. Apenas fiquei parado, olhando para os carros e a movimentação de garçons e seguranças ao meu redor tentando assimilar a notícia. Caramba! A Anita fez tudo aquilo por mim? Só para satisfazer um desejo meu? E a bandida nem me falou nada! 
- Rafa, você está falando sério? – Perguntei assim que consegui recuperar a fala.
 
- E por que eu estaria mentindo? Ou melhor, por qual outra razão eu estaria vestida desse jeito? Olha... por mais que eu tenha curtido esse lance do chapéu e adorado o meu vestido, eu não usaria esse look se tudo isso não passasse de um “churrasquinho” em família, né Luan? É só você parar um pouco e raciocinar... – Ela me explicou do seu jeito tão “peculiar”.
 
- Minha Nossa Senhora, isso quer dizer que eu vou casar de novo? – A minha ficha estava começando a cair.

- É Luan... Vai querer que eu desenhe? – A loira revirou os olhos, impaciente.
 
- “Cê” quer fazer o favor de parar de me zuar? Rafinha, como é que eu vou fazer? Nem tenho roupa, nem nada... Se você está assim, quero nem imaginar como a Anita está! Deve estar uma perfeição – O desespero começou a tomar conta de mim. Eu me lembrava de ter ficado muito nervoso no meu primeiro casamento, mas nem se comparava ao que estava sentindo naquele momento. O coração “véio” tava dando pulo dentro do peito e as pernas estavam “bambeando”.
 
- Francamente Luan, parece até que não me conhece! – A Rafinha ralhou comigo – Sério mesmo que você está preocupado com roupa? Mas é claro que eu já cuidei de tudo isso para você! Ou você estava pensando que ia subir ao altar assim, de coturno, jeans e camiseta? Na, na, ni, na, não! Casamento onde eu sou a madrinha os noivos precisam estar impecáveis!
 
- Cara, eu ainda não “tô” conseguindo acreditar que eu vou casar assim, agora, do nada... Que loucura!
 
- Ideia da sua amada e querida esposa, Anita Tunice Santana! E agora chega de papo, Luan! A gente tem horário! Até porque a noiva pode chegar atrasada, mas o noivo não! Vem, vamos já trocar essa roupa – Ela me pegou pelo braço e começou a me puxar para dentro da casa mal me dando tempo para pensar.
 
- Ó, vai tomando banho enquanto eu levo as roupas do Well, do Gutão e do Fábio! E acelera aí! Que eu bem sei que você demora quase meia hora só para arrumar esse cabelo! – Ela me apressou assim que entramos em um dos quartos da casa. Foi só o tempo de pegar algumas peças que já estavam separadas em cabides e a mãe da Vick saiu, me deixando sozinho.
 
Fui até a porta para trancá-la e então olhei ao meu redor. De imediato percebi que o quarto fora preparado especialmente para mim. O meu perfume e todos os produtos que eu usava no cabelo foram deixados ali junto com um terno preto muito elegante, uma camisa branca, uma gravata prateada, e um sapato de couro que era uma “chiqueza” só.
 
Tirei a roupa e voei para o chuveiro. A ansiedade era tanta que quase vesti meu terno sem nem tomar banho... Deixei a água bater no meu rosto para ver se me acalmava um pouco, mas não adiantou. Eu não conseguia parar de pensar naquela louca loucura que a Anita tinha aprontado. Fiquei imaginando como ela estaria vestida de noiva, se estaria de longo ou se estaria com um “trenzinho curtinho” igual ao da outra vez. Hum... bem que poderia ser aquele...
 
Saí do banho, me sequei de qualquer jeito e já entrei dentro da calça do meu terno. Vesti a camisa, a coloquei por dentro, depois ajeitei o cinto. Nessa hora a Rafa bateu na porta, bem a tempo de me ajudar com o nó da gravata.
 
- Bem na hora, Rafinha! Já estava quase me “enrolando” todo com esse nó – Falei quando abri a porta.
 
- Imaginei mesmo! Por isso voltei pra cá! Agora vai, fica “quietinho” enquanto eu arrumo isso... – Ela pediu pegando a gravata e ajeitando ao redor do meu pescoço.
- A gravata é prata para combinar com o vestido da Ní? – Tentei arrancar alguma informação dela.
 
- Boa tentativa mocinho, mas eu não vou te contar. É surpresa, esqueceu? Mas ó, só digo que a Anita está a gata garota mais perfeita desse universo. Está parecendo uma princesa... – A Rafinha tentou ajudar, só me deixando ainda mais curioso.
 
- Princesa, não. Rainha! – Corrigi com um sorriso nos lábios – Ô Rafa, assim “cê” me mata! Quero ver logo!
 
- Então acelera esse processo aí, que já está todo mundo te esperando! Colocamos um ar-condicionado na capela, mas se você demorar muito os convidados vão começar a reclamar. Sem falar que a maquiagem da Anita vai derreter com esse calor... – Ela apontou para o meu relógio de punho como se quisesse dizer que o meu tempo estava acabando.
 
- Já entendi “Rafola", já entendi... – Respondi já começando a ajeitar o meu cabelo. Não sei como, mas consegui deixar o meu topete em “ordem” em tempo recorde. Menos de vinte minutos depois eu estava vestido, penteado e perfumado, “prontinho” para ser o homem da Ní.
 
- Nossa, “tá” um gato hein, Lú! – A Rafa elogiou checando o meu visual – Para completar, só falta um detalhe... – Ela disse encaminhando-se até a cômoda que ficava no quarto e abrindo a primeira gaveta. Lá de dentro ela tirou uma rosa de plástico com o cabo cortado e um pedacinho de papel.
 
Antes mesmo dela me entregar eu já havia sacado do que se tratava. Aquela era a flor que dera para a Anita no dia do nosso primeiro casamento. Quando abri o papel, reconheci a letra da minha esposa:
“Eu vou te amar até a flor morrer”
 
- Ela pediu para você colocar a flor na sua lapela. Por isso cortamos o cabo – A Rafa me explicou.
 
Obedeci ao pedido da minha Granfina e ajeitei a flor no bolso do meu paletó. Não ficou exatamente bonito, mas como tinha um valor sentimental muito grande, deixei do jeito que estava. Eu já estava emocionado só de imaginar a surpresa que ela fizera para mim e de ler aquele bilhete. Eu não queria nem imaginar como seria quando eu chegasse na capela e a visse vestida de noiva. O baque ia ser grande...
 
- E então, você está pronto? Podemos subir? – A Rafa me perguntou.
 
- Se as minhas pernas pararem de tremer... – Brinquei mexendo no cabelo, muito nervoso.
 
- Vem, eu te ajudo! – Ela me ofereceu o braço de forma amigável – E para de mexer nesse topete. Se você bagunçar esse cabelo, eu te mato! Não quero noivo descabelado ao lado da minha gata garota! – A “Rafola” me ameaçou com um olhar fulminante.
Deixamos a casa e passamos por uma enorme tenda branca montada cheia de mesas e cadeiras. Não tive muito tempo para olhar, mas tudo estava muito bonito e arrumado, porém sem perder o tom de simplicidade e o estilo, bem a “cara” da Anita. Eu nem precisava perguntar para saber que aquilo fora planejado por ela.
 
Chegamos até a escada de pedra que levava à capela. O caminho também estava decorado com lanternas e fitas que balançavam ao sabor do vento. Vasos com flores silvestres enfeitavam os degraus dando um charme especial. Era final de tarde e o sol começava a se esconder atrás das montanhas. Fazia muito calor, o que significava que poderíamos ter chuva mais tarde. Ainda bem que a tenda onde a festa seria realizada parecia bem firme e protegida, caso contrário teríamos uma “banzé” completo se os convidados resolvessem fugir da chuva.
 
Tentei continuar focando nos detalhes, mas a cada degrau que eu subia, mais rápido o meu coração parecia bater. Ao meu lado a Rafa me pedia para “respirar fundo”, mas eu já não estava ouvindo mais nada. Comecei a suar frio, a expectativa tomando conta de mim. Precisei respirar fundo várias vezes para me manter caminhando em direção à igreja.
 
Quando chegamos na porta da capela, o André estava à nossa espera batendo o pé e conferindo o relógio, impaciente.
 
- Vocês estão trinta minutos A-TRA-SA-DOS e eu não tolero atrasos! – Ele me deu uma bronca assim que me viu – Tem ideia do trabalho que deu manter todo mundo em ordem dentro dessa capela? A sorte é que a banda já estava posicionada e que o pessoal conseguiu improvisar qualquer coisa para distrair o povo. Mas agora preciso entrar de novo para colocar ordem no “barraco”. Esperem aqui pelo o meu sinal, ok? – Ela deu as ordens em um tom bem nervoso e entrou, fechando as portas rápido para que eu não conseguisse dar nem uma “espiadinha”.
 
Mesmo do lado de fora eu consegui ouvir os berros de “ordem” do diretor. Imediatamente a música parou e o silêncio reinou no interior da capela. De onde eu estava não se ouvia nem um ruído vindo lá de dentro. Poucos minutos depois, o André tornou a abrir a porta, ajeitando o casaco.
 
- Entrem quando a música começar, ok? – Ele pediu, virando-se e voltando para dentro da capela, mas dessa vez deixando a passagem livre.
 
Com a porta aberta, consegui ver alguns detalhes da parte de dentro. Vi as flores, os convidados sentados nos bancos, o tapete vermelho, a minha banda posicionada do lado direito do altar, a Ní em pé a frente deles. Ela estava linda, com um vestido branco bem decotado e os cabelos soltos caindo pelas costas. Quando a Rafinha me disse que ela estava parecendo uma princesa a loira não havia exagerado. A minha esposa estava divina, a mulher mais perfeita desse “neverso”. Além disso, ela estava com um microfone na mão. Será que era ela quem iria cantar?
 
- Lú, lembre-se de caminhar devagar até o altar e tentar fazer cara que não está tão apavorado – A Rafa me aconselhou, mais uma vez me oferecendo o braço para que pudéssemos entrar juntos.
 
- Rapaiz do céu, eu não “dô” conta disso não! Minha Nossa Senhora, “tô” nervoso demais – Confessei. Eu sentia as minhas mãos geladas. Era muito mais fácil esperar uma noiva no altar do que ir até ela.
 
- Calma, Luan! Você está nervoso agora. Quando começar de verdade, você vai ver só... Passa tão rápido que você nem percebe! digo por experiência própria! Só curte o momento, tá? Não é todo dia que alguém faz uma surpresa dessa para você... – A “Rafola” deu “palmadinhas” amigáveis nas minhas costas tentando me acalmar, o que foi em vão. Nem dois litros de suco de maracujá ou de água com açúcar dariam conta de "aquietar" o meu coração.
 
*** Link para música - https://www.youtube.com/watch?v=8nOEO7Hm7rg (Pessoal, a Anita vai começar a cantar a partir da segunda parte da música, ok? Pulem o anúncio!)
 
Nesse momento a música começou a tocar. Uma batida suave de violão acompanhada de um violino preencheu a capela com uma música lenta. O violino dava à canção um tom diferente. Parecia que nos envolvia com o seu som e deixava o nosso coração mais leve.
 
- Essa é a nossa “deixa” – A Rafinha chamou, me puxando para dentro da capela.
 
Começamos a caminhar, eu morrendo de vontade de sair correndo para chegar logo ao altar, e a Rafa me segurando com força, me obrigando a ir devagar. Muito devagar, na verdade.
 
Tentei me acalmar e olhar para os convidados que me encaravam ansiosos. Reconheci muitos rostos conhecidos: Meus parceiros Fernandinho, Lucas, Veveta, e... puts, mas até aquele mala do Fiuk estava presente? Mas seria possível que esse Playboy nunca ia me deixar em paz?
 
A Rafa me cutucou, me obrigando a olhar para frente novamente. Eu já estava pronto para retribuir o cutucão quando ouvi a minha esposa começar a cantar.
 
“Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá quando você me olhar
O universo conspira a nosso favor
A conseqüência do destino é o amor, pra sempre vou te amar”

 
Sua voz doce e suave me invadiu, batendo lá no fundo do meu peito. Senti os meus olhos marejarem e não consegui conter a emoção. Quem dizia que homem não chorava nunca tinha passado por um momento como aquele. Ver o amor da sua vida cantando uma música tão romântica como aquela era para deixar qualquer “caboclo” baqueado.
 
Segui caminhando até o altar sem tirar os olhos da Ní. Para mim era como se não existisse mais nada ao meu redor. Nem convidados, nem o padre, nem a Rafa, nem nada... A voz dela me encantava, e eu me sentia atraído por ela, como o canto da sereia que atraía os homens para os seus mistérios.

Cheguei ao altar e parei na sua frente, os meus olhos colados nos dela. Ela pegou a minha mão e cantou os últimos versos da canção somente para mim, as lágrimas de emoção escorrendo pela sua face, o sorriso estampado em nossos rostos. Naquele momento foi como se os nossos corações batessem no mesmo ritmo e as nossas almas se tornassem uma só.
 
“Mas talvez, você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor, não será passageiro
Te amarei de janeiro a janeiro
Até o mundo acabar”

 
A música acabou e os convidados aplaudiram de pé, fazendo muito alvoroço. Foi preciso o André pedir que a "cambada" se comportasse (palavras do próprio diretor) para que a ordem voltasse.

- Ní do céu, isso foi lindo “dimais” – Consegui falar depois de recuperar o fôlego.
 
- É tudo para você! – Ela me respondeu antes de me dar um abraço bem forte.
 
- CU-RI-CA, comporte-se! Nada de estragar o seu vestido “MA-RA”! – O André a repreendeu fazendo cara feia para ela.
 
- E aqui não é lugar para agarração! Vocês estão na casa de Deus, esqueceram? – A Malú aproveitou para “cutucar”.
 
- Meus filhos, se acalmem - O padre, um velhinho baixinho com a cara vermelha e cabelo com corte de “panelinha”, interviu – Vamos todos nos reunir aqui em volta do altar para dar início a essa bela cerimônia que é o casamento de Anita e Luan – Ele falava de uma forma lenta e pausada, como se a sua pilha estivesse acabando.

Os padrinhos começaram a se ajeitar. Vi a Rafa se posicionar ao lado do Pato com cara de quem não sabia o que fazer. Os dois estavam tão tensos que pareciam dois “robozinhos”, completamente ao contrário do Neymar e da Bruna, que eram só risos. Minha irmã e o “Soro” formavam o casal mais engraçado do altar: Ele super alto e a “Pi” baixinha que só ela... Malú e André estavam inquietos, ela fazendo gestos exaltados para o pessoal da filmagem e das fotos e ele em uma “batalha” para manter a Divinha comportada, sem babar ou destruir nada.
 
Olhei ao meu redor. No primeiro banco, do lado esquerdo, estava a minha filha com a “Celinha”, a enfermeira, a Dora e a Vick. Do lado direito, vi a “sogrona”, o Caio, minha mãe e meu pai, que piscou para mim, encorajador. Minha mãe, só para variar, chorava baixinho me encarando com seus grandes olhos de jabuticaba.
 
A Anita segurou a minha mão e nos posicionamos em frente ao padre que deu ordem para que os convidados sentassem. Depois de muitos ruídos de bancos arrastando e alguns “cochichos”, a capela finalmente ficou em silêncio e a cerimônia teve início.
 
- Estamos aqui hoje para celebrar a união de Anita Tunice Domingos Santana e Luan Rafael Domingos Santana, que já são casados perante à lei dos homens e que hoje vão consagrar o seu amor perante à lei de Deus – O religioso começou a falar, com os olhos cheios de compaixão postos em nós – Mas aí eu lhes pergunto, irmãos: O que é o amor? Para alguns pode ser o prazer carnal, para outros aquele sentimento de bem querer que nasce entre duas pessoas. Para mim, o amor é aquilo que faz a vida acontecer, a razão para seguirmos adiante, o único sentimento que transforma verdadeiramente o ser humano, que é capaz de nos regenerar e que o que nos conforta em momentos de tormenta. Hoje eu gostaria que todos vocês aqui presentes aproveitassem a ocasião para refletir sobre essa questão. Temos aqui um belo exemplo do que é o amor: O sentimento que uniu Anita e Luan é tão pleno e profundo que deu frutos e que reuniu todos nós, parentes e amigos, para que juntos, com Deus e Nossa Senhora, possamos abençoar esse matrimônio e testemunhar a felicidade de ambos...
 
O padre continuou o seu sermão, e eu me esforcei muito para prestar atenção em cada palavra. O problema é que a minha força de vontade me traía e quando eu me dava conta, já estava com os olhos na Ní, admirando a minha esposa. Pelo jeito ela também não estava conseguindo focar no padre, porque não parava de sorrir para mim, acariciando a minha mão suavemente.
 
- E agora, eu gostaria de pedir que os noivos fiquem um de frente para o outro para que possamos fazer o juramento matrimonial e a troca das alianças – O padre falou aumentando o tom de voz, com certeza percebendo que nós não estávamos muito interessados em todo aquele papo de “o que é o amor?”. A Rafa tirou as alianças de algum lugar atrás do altar e nos entregou. Reparei que os aneis feitos de ouros e tinham a largura fina, certamente para que eu pudesse usá-lo junto com o nosso primeiro anel de compromisso. Obedecemos o pedido do “velhote”, e ele então começou a recitar as palavras, fazendo pausas para que a Anita pudesse repeti-las.
 
- Eu, Anita Tunice Domingos Santana, aceito Luan Rafael como meu marido e prometo amá-lo e respeitá-lo na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe – Ela disse, piscando para mim após colocar a aliança no meu dedo. Na sequência eu fiz o mesmo juramento, mudando apenas a parte do “até que a morte nos separe” para “eternamente”.
 
- Anita, você tinha algumas palavras para dizer ao seu marido. Gostaria de dividi-las conosco agora? – O padre perguntou com o seu jeito de “pouca bateria”.
 
Fiquei sem reação. Eu não tivera a oportunidade de preparar nada, não era justo que ela tivesse feito votos especiais e eu não - Ah Não, Ní! “Tá certo” isso, não! Pode ir parando... – Pedi.
 
- Fica quieto, Luan! Eu fiz os votos, e eu vou falar e pronto e acabou. Você não precisa me falar nada! Hoje é o meu dia de demonstrar o que sinto por você! Da próxima vez que a gente casar, aí você faz o que quiser, combinado? – Ela sussurrou para mim, fazendo graça.

Sem me dar tempo para retrucar, ela segurou a minha mão com um pouco mais de força, fechou os olhos e disparou a falar o que tinha ensaiado – Luan,no nosso primeiro casamento eu prometi que seria para sempre a sua Granfina, aquela que estaria ao seu lado em todos os momentos, que serviria de inspiração para as suas mais belas canções e que seria as asas que te  fariam voar cada vez mais alto. Hoje, nessa capela e com a bênção de Nossa Senhora que nos olha ali de cima – ela apontou para a imagem da santa que estava no altar da capela – eu reafirmo o meu juramento e prometo que não importa o que aconteça, eu serei sempre a sua metade; sua amiga, companheira, namorada, amante, a mãe da sua filha e de todos os outros herdeiros que virão – Ela olhou para mim de uma maneira insinuante e um sorriso travesso nos lábios – aquela que vai te amar eternamente e que tem orgulho de levar o seu sobrenome. Eu te vivo, Luan Rafael. Obrigada por ser o meu marido e por me proporcionar os melhores anos da minha vida. Graças a você eu sei o que é ter uma família, o que é ser mãe, o que é amar e ser amada. Hoje quando o padre nos pediu para que refletíssemos sobre o que é amor, o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi o que eu sinto por você e o que eu vou sentir amanhã e sempre. Infinitamente! – Ela concluiu com lágrimas nos olhos, bastante emocionada.
 
- Ô “Paxãããõoo”... – Também não consegui segurar o choro. Abracei a minha esposa, a acolhendo com força em meus braços. Atrás de mim eu conseguia ouvir algumas pessoas chorando e suspirando, certamente emocionadas como eu. O discurso da minha esposa fora tão bonito e sincero que me tocara no mais profundo da minha alma. Eu via os seus olhos brilhando de paixão e poderia apostar que o seu coração estava tão disparado quanto o meu.
 
- Ahããããn – O padre pigarreou para chamar a nossa atenção, me fazendo largar a Any - Podemos prosseguir com a cerimônia? – Ele perguntou com a voz grave.
 
- Ô “seu” padre, se o senhor não se importar, eu gostaria de falar umas “palavrinhas” aqui também – Pedi, secando as lágrimas e ajeitando o meu terno.
 
- Vai em frente, meu filho. Tenho certeza que todos estão ansiosos para saber o que você tem a dizer a sua esposa depois das tão belas palavras que ela te disse...
 
- Então, vamos lá – Respirei fundo antes de começar – “Rapais”, eu “tô” nervoso demais, mas “vamô” lá... – Tomei fôlego novamente, acariciei o rosto da Ní e então abri o meu coração – Quando conheci a Anita tudo o que eu sabia era que ela era uma grande atriz, famosa, que tinha muitos fãs e que não gostava muito do assédio da imprensa. Eu a via todos os dias na TV e pensava: Que menina linda! Quando eu recebi o convite para gravar o reality show a única coisa que passou pela minha cabeça foi: Eu vou conhecer a Anita! E assim foi. Passamos três dias juntos no Rio e foi aí que eu tive a oportunidade de conviver com a Ní e perceber que ela era muito mais que apenas uma garota bonita. Ela era, ou melhor, é inteligente, esperta, bem-humorada, e tinha um brilho no olhar que era capaz de encantar e convencer a qualquer um. Mas eu fui muito além disso... Naqueles dias que passamos juntos eu fui capaz de perceber que havia uma Anita que se escondia aqui dentro – Coloquei os dedos suavemente sobre o seu peito para sinalizar o que queria dizer – que quase ninguém via, mas que ela mostrou só para mim. Foi nesse momento que nasceu essa conexão que existe entre nós, esse sentimento forte que nos mantém juntos apesar de todas as tempestades que já surgiram em nosso caminho. Eu te amei no primeiro instante que te vi, te amei ao longo de todos esses anos que passamos juntos, te amei quando casamos pela primeira vez, te amei quando você deu a luz à nossa Nicole, e vou te amar independente do que aconteça, passe o tempo que passar, haja o que houver – Fiz uma pausa, pegando as suas mãos e as mantendo junto as minhas - Eu já jurei uma vez, e juro quantas forem necessárias: Eu prometo estar ao seu lado sempre para te ajudar, compreender, apoiar, amar e cuidar. Mais do que isso, eu te prometo ser aquele que vai te proteger do frio, que vai te colocar para dormir e velar o seu sono, ser seu eterno sonho de amor, a canção que toca sempre na hora certa para acalmar a sua alma, a saudade “gostosa” que vai bater  todas as vezes que você viajar, e o abraço caloroso que vai te receber sempre que você voltar. Eu te dedicarei todos os dias mais felizes da minha vida e, um dia, quando já estivermos “velhinhos gagás”, eu vou segurar a sua mão e nós vamos passear juntos pelo jardim contemplando o por do sol. Você, Anita, é o que há de mais belo em mim. A minha esperança, as minhas forças e a razão pela qual o meu coração bate. Se hoje alguém precisa agradecer, esse alguém sou eu. Obrigada por ser a minha Granfina, por me ensinar a ser um homem de verdade, e por me dar a família que eu sempre sonhei em ter. Obrigada por ser a minha Anita e me permitir ser o seu Luan – Consegui concluir, a voz um pouco enrolada por causa da emoção. Beijei as mãos da Anita e depois, carinhosamente, fui até ela e depositei um beijo na sua testa. Ela me olhava com uma expressão apaixonada no rosto, se esforçando para tentar conter o choro que ameaçava tomar conta dela.
 
Por um momento ficamos parados, apenas olhando um para o outro, como se não existisse mais ninguém na capela. Era como se tivéssemos voltado para o dia que “recasamos” sozinhos na capela. Palavras não eram necessárias para expressar o que sentíamos. Só a forma como ela me olhava e a maneira que mantinha as suas mãos firmes com as minhas bastavam para eu saber que ela me amava e vice-versa.
 
- Foram belas palavras, meu filho – O padre quebrou o “encanto”, a voz emocionada – Queria aproveitar esse momento tão lindo para dar-lhes a bênção final. Queiram por favor ficar de joelhos aqui na minha frente – Ele apontou uma espécie de suporte com “almofadinhas” para colocarmos os joelhos – Já os demais presentes, por favor, peço que se levantem e estendam o braço direito para os noivos. Vamos todos juntos abençoar esse casal.
 
Assim que todos obedeceram o pedido do “velhinho”, ele deu continuidade ao seu sermão, falando de forma ainda mais calma e concentrada.
 
- No início dessa cerimônia eu pedi a todos vocês que refletissem sobre o que é o amor. Eu compartilhei com vocês a minha opinião, mas a verdade é que o amor pode se manifestar de diferentes formas para nós. Não existe uma fórmula para amar. O que existe é o sentimento em si, com todo o seu poder. Mas se me pedissem para dar um exemplo de amor verdadeiro entre homem e mulher, eu citaria esse aqui que está ajoelhado aos meus pés, pedindo ao nosso Pai que os abençoe, proteja e guie por essa longa jornada que é o casamento. Sabemos que nem todos os dias serão fáceis, e como o próprio Luan disse, muitas tempestades virão. Mas depois da tempestade, sempre vem um belo dia de sol. Por isso quero pedir que todos fechem os olhos e peçam para que o nosso Senhor dê a esses dois paciência e compreensão para vencer os obstáculos, que Ele abençoe cada dia mais esse amor e que ele continue dando frutos, contagiando a todos ao seu redor. E é dessa forma, e com o poder a mim concedido, que eu vos declaro marido e mulher. O que Deus uniu nenhum homem separa. Amém! – Todos na capela repetiram o “Amém”. O padre encerrou colocando uma das mãos sobre as nossas testas e fazendo uma oração com a voz baixa – Podem levantar-se agora - Ele avisou quando terminou a sua bênção.
 
Nos levantamos, ficando um de frente para o outro de novo, e eu mal cabia em mim de tanta alegria. Eu já tinha perdido as contas de quantas vezes eu sonhara em me casar daquele jeito. Ainda não dava para acreditar que a Anita realizara o meu sonho de criança. Eu não conseguia parar de sorrir. Com certeza aquele era o melhor dia da minha vida.
 
- E agora, o noivo já pode beijar a noiva – O religioso sentenciou com um sorriso no rosto.
 
- Opaaa! – Exclamei sem nem perder tempo. Cheguei até a Ní, a segurei de leve pela cintura e a beijei suavemente. Ela estava tremendo um pouco, na certa por causa do nervosismo da cerimônia, então eu a abracei forte e sussurrei em seu ouvido – Você é a mulher da minha vida!
 
Do altar, André e Malú puxou o coro de “Brilha Luanita” e essa foi a deixa para a “bagunça” começar. Muitos convidados vieram até nós para nos dar o parabéns e a banda puxou uma "moda" animada para celebrar o momento.

- "Isso que é amor, o resto é conversa, Isso que é amor, a gente se olha, se encosta e se pega" - Cantei para a Ní disfarçadamente, dando uma pista de como seria a nossa segunda noite de núpcias.
 
- Negócio é o seguinte, minha gente – Ouvi a voz inconfundível da “Veveta” chamando a atenção de todos – Tá tudo muito bom, tudo muito lindo, mas o que eu quero mesmo é ferver nessa festa! Laurence, meu filho, e Anita, minha gostosa, deixem esses convidados de lado e "vamô" para a comemoração! “Mainha” aqui tá “doida” para cair na farra – A cantora disse, causando alvoroço entre os presentes.
 
- Opa, é pra já! É hoje que o “pau” vai car a “foia”, Veveta! Bora quebrar tudo nesse “trem”, então... – Falei, puxando a fila para fora da capela. A festa estava só começando...
___________________________________________
Notas finais: Tô ansiosa demais querendo saber a opinião de vocês! Foi um tremendo desafio escrever do ponto de vista do Luan. Espero ter me saído bem nessa missão! =)

Agora é só esperar pela festa! É gente, todo mundo pronto para dizer tchau a nossa Granfina, o Caipira e toda a Trupe? O cap 26 será o último, de verdade Rs!

Tô doida para contar as novidades que estou planejando para vocês!

A gente se vê no próximo cap, pessoal! Fiquem com Deus!

(E pelo amor de Deus, me falem o que acharam!)


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