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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Transcrição nº 16 – O Mensageiro

Notas da Estagiária: Manu, sei que você sempre coloca as minhas observações logo no início, mas dessa vez peço que as deixe após o trecho do diário da Raquel. Chegou a hora de entender porque te enviei esses documentos...
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Transcrição da página 57 à 59

Antes da viagem, meu noivo pediu que a Estagiária fosse até a minha casa.

A reunião teria como objetivo atualizá-la e passar instruções de todos os casos que estavam sob minha responsabilidade.

Uma advogada seria contratada para ficar no meu lugar durante a minha ausência e assumiria esses processos.

Ao todo, eu passaria um ano em Nova York cursando uma especialização que por muito tempo desejei fazer, mas que agora já não fazia mais sentido para mim.

Pois é... Temos que ter cuidado com o que desejamos...

Mas isso não importa agora...

A Garotinha vai chegar daqui a pouco e vou deixá-la responsável por algo muito importante.

Vou entregar esse diário nas mãos dela. Creio que não é uma coincidência que tenha começado a escrevê-lo justamente depois daquela noite quando conheci o Garoto da Voz Encantadora.

Por isso, concluí ele seria o meu primeiro passo rumo minha liberdade, rumo a minha nova vida.

Com a ajuda destas páginas, as pessoas poderão conhecer a minha história e, com ela, aprender uma lição preciosa:

Sempre devemos seguir a voz do nosso coração. O caminho não será fácil e talvez poucas pessoas estarão dispostas a ajudar, mas nunca permita que calem a voz dos seus sonhos.

Para ver o arco-íris é preciso aprender a gostar da chuva. E o pior que pode nos acontecer é cometer um erro. Mas é justamente quando erramos que mais aprendemos. Logo, não há o que temer.

Meu desejo para todos que leram essas linhas é: Tornem-se grandes, sigam o seu caminho, deem voz ao seu coração.

Existe um desatino dentro de todos nós.

Além disso, também gostaria que esse diário chegasse até às mãos do Amor Verdadeiro. Depois do e-mail, nós não nos falamos mais. Essa será a única maneira dele saber o que aconteceu comigo e as razões pelas quais escrevi aquela mensagem.

Talvez, ao ler essas palavras, ele possa me perdoar por ter desistido dos nossos planos. Ou, talvez, elas possam manter chama acesa apesar dos contratempos e desencontros.

Que esse diário seja um mensageiro de boas notícias e esperança e que bons ventos o carreguem.

Não sei o que acontecerá comigo daqui em diante, mas darei um jeito de me livrar desse noivado que não faz mais sentido para mim, de explicar à minha família o que quero de verdade e de seguir rumo ao meu objetivo principal.

Mas primeiro... Nova York.

Que Deus me ajude!

[“Eu vejo a vida melhor no futuro
Eu vejo isso por cima de um muro
De hipocrisia que insiste em nos rodear
Eu vejo a vida mais clara e farta
Repleta de toda satisfação
Que se tem direito do firmamento ao chão

Eu quero crer no amor numa boa
Que isso valha pra qualquer pessoa
Que realizar a força que tem uma paixão
Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim do que não, não, não

Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo que volte, amor
Vamos viver tudo que há pra viver
Vamos nos permitir” Tempos Modernos, Lulu Santos]
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Notas da Estagiária: 

Manu,

Acho que depois dessa última transcrição ficou claro porque mandei a cópia do diário para você, né?

Eu sabia que o seu blog tinha muitos leitores, e como tem talento para contar histórias, você poderia me ajudar a espalhar o relato da Raquel e ajudar estas páginas cumprirem o seu destino.

Pedi demissão do escritório depois que li sobre a chantagem do noivo. Secretamente eu já torcia para que ela ficasse com o cantor. Depois de saber da história inteira, minha torcida ficou ainda mais forte.

Faz tempo que não recebo notícias da Raquel. Da última vez que me escreveu, ela disse que finalmente havia convencido o noivo que o relacionamento deles chegara ao fim.

Depois disso, ele e a família da Raquel a largaram em Nova York a própria sorte. Ela estava se virando vendendo algumas de suas joias e ajudando brasileiros que chegam na cidade sem muito preparo ou informação.

Porém, ela não pode voltar ao Brasil ou advogar. O noivo jurou que a denunciará para a Ordem caso ela queira trabalhar para algum outro escritório que não seja o dele.

A única boa notícia é que, por meios de alguns contatos que fez na cidade, ela conseguiu descobrir onde o cantor irá passar as férias. O plano dela é tentar reencontrá-lo.

Sei que ela está escrevendo outro diário, mas não sei se vai deixá-lo comigo como fez com esse. Caso isso aconteça, voltarei a te procurar.

Por enquanto, agradeço a atenção. Mesmo você e suas leitoras implicando comigo, sinto que meu dever foi cumprido. Agora só espero que a história da Raquel toque o coração de todos e que chegue até às mãos do cantor.

Manu, meu último pedido é que você me ajude a espalhar essa história. 

Com votos de que o Verdadeiro Amor prevaleça no final;

Estagiária.
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Notas da Manu: Uaaauuu gente, quanta responsabilidade!

Quer dizer que fui escolhida para espalhar essa história tão bonita?! Lendo o diário da Raquel, me dei conta do quanto cedemos às pressões externas. Cortamos o cabelo de um jeito ou escolhemos determinas roupas porque é o que as pessoas esperam da gente. Quantas vezes não deixamos de fazer o que queremos ou de falar o que realmente sentimos porque é simplesmente mais fácil apenas aceitar o que as outras pessoas acham “normal”?

É difícil julgar a história dela. Na mesma situação, eu não sei se teria coragem de largar tudo para ir atrás de um cara que eu vi poucas vezes na vida. Admiro muito a atitude dela e, aliás, essa é a principal lição que ela me deixou: é preciso ter coragem para ir atrás do que se quer. 

Ao terminar essas transcrições, lembrei de um trecho do livro “Will & Will” escrito pelo John Green e pelo David Levithan (dois dos meus autores prediletos). Ele diz o seguinte:

“Talvez haja alguma coisa que vocês tenham medo de fazer, ou que vocês temam amar, ou algum lugar aonde tem medo de ir. Vai doer. Vai doer porque é importante. Mas acabei de cair e ir ao chão, e estou aqui de pé para lhes dizer que é preciso amar a queda... Então deixe-se arrebatar pelo menos uma vez”.

É isso, não deixem de ir atrás do que desejam, não tenham medo do caminho e se deixem arrebatar. Com certeza vai valer a pena! =)

Estou aqui torcendo para que a Raquel tenha sucesso e que ela mande esse novo diário para a gente. Estou ansiosa para saber como ela fez para se virar em Nova York e, principalmente, se conseguiu reencontrar o Amor Verdadeiro.

Estagiária, obrigada por mandar as cópias do diário, desculpe as implicâncias e fico esperando notícias da Raquel.

Estou honrada de participar dessa “missão”. Espero que o diário realmente seja um mensageiro de luz, amor e paz.

E é isso,

Espalhem a mensagem!

Beijos,

Manu

Transcrição nº 15 – Fênix

Notas da Estagiária: Agora falta pouco. Logo, logo vocês vão descobrir a razão pela qual enviei as transcrições para a Manu. Só espero que meu plano dê certo...
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Transcrição da página 52 à 56


Luzes pálidas.

Sirenes.

Cheiro de morte.

Eu havia morrido.

Mas então, quem estava ali?

Lentamente abri os olhos.

Estava no hospital. De novo.

Percebi que minha vida transformara-se em um imenso labirinto.

Eu andava, me debatia, fugia... e sempre voltava para o mesmo lugar.

Era como correr atrás do próprio rabo.

Como mariposa que é atraída para a luz, eu não conseguia resistir ao perigo.

***

Ouvi um barulho ao meu lado.

O meu corpo todo doía. 

Meu coração batia por pura insistência.

Eu não queria viver. Não daquele jeito.

Uma voz distante me informou que eu estava ali há dois dias com uma perna e duas costelas quebradas. 

“A sua sobrevivência foi questão de sorte”.

A sorte que me perdoe, mas era o destino quem devia ficar com os créditos daquele “feito”.

Afinal, ele vinha brincando comigo desde aquela noite chuvosa quando deixei o escritório, bati o carro e conheci o Garoto da Voz Encantadora, o meu Amor Verdadeiro.

Foi como se ele quisesse me dar um aviso: “Hey queridinha, olha o que o mundo reserva para você. Abra os olhos e venha viver!”.

A partir daí, começamos uma briga de gato e rato. Ou o que minha avó chamaria de brincadeira de “morde e assopra”.

Ele me oferecia algo bom, só para depois me lançar à pior das fogueiras. Quanto mais próximo do paraíso eu ficava, mais difícil ficava seguir em frente.

Como já disse, era um ciclo sem fim.

Ou melhor, ele acabara de chegar ao fim. 

Porque eu realmente havia morrido naquele acidente.

A Raquel que aceitou se casar com o filho do casal que era melhor amigo de seus pais; que aceitou o emprego mais fácil, que gastou todas as suas energias em prol dos desejos alheios... Essa Raquel não existia mais.

Eu me lembrava que, ao conhecer o Amor Verdadeiro, eu escrevi nesse diário que “se fogo fosse, nele eu queria me queimar”.

De fato, eu havia me queimado. E agora, tal qual a Fênix, renascia.

A partir de agora, meu coração bateria por duas razões:

- pelo Garoto da Voz Encantadora;

- em ajudar as pessoas a acordar do sono profundo em que vivem e trazê-las para a vida. Mostrar que existem infinitas possiblidades para serem vividas e que não precisamos nos contentar com a primeira que aparece.

A voz ao longe continuava falando sem parar, mas eu não estava prestando atenção. Tanto que demorou alguns minutos para perceber que era meu noivo quem matraqueava sem parar.

Ele estava furioso, para variar...

Fala sério, para quê tanto drama? Só porque eu fugi da nossa festa de noivado? 

Aff...

Do seu discurso de ressentimento e raiva, pesquei só as informações mais importantes:

- para minha infelicidade, o noivado ainda estava de pé;

- e a viagem para Nova York também;

- durante a minha temporada no exterior, eu teria dinheiro e cartões controlados. Assim não teria como fugir; 

- Minha família já sabia de tudo e estava de pleno acordo;

- o objetivo agora era me manter longe do que chamavam de Desatino;

Para eles, era claro que eu não estava em meu juízo perfeito e, com certeza, a culpa era do excesso de trabalho que estava me deixando estressada.

Precisei segurar o riso diante de tamanha ironia! Naquele momento era quando eu mais me sentia sã.

Resolvi não discutir. Apenas assenti com a cabeça e deixei que eles pensassem que ainda estavam no controle da minha vida.

Meu plano já estava traçado, mas eu sabia que dali em diante a caminhada seria árdua e demorada. Seria uma subida de vários degraus.

Mas valeria a pena. Eu já podia sentir...

Eu só pedia à Deus por uma coisa: Que o Garoto da Voz Encantadora atendesse o pedido que fiz no e-mail e me esperasse.

Eu estremecia só de pensar no que escrevi: “A chama não se apaga, mas preciso afastar-me de ti. Nossos mundos são muito distintos e não há como aproximá-los agora. Nossos caminhos se separam e não sei se voltarão a se encontrar”.

Eu só pedia que ele entendesse aquela carta como um sinal de esperança e não como um caminho sem volta.

Apenas isso.

Quanto ao resto... eu daria um jeito.

[“Mesmo que você suporte este casamento
Por causa dos filhos, por muito tempo
Dez, vinte, trinta anos
Até se assustar com os seus cabelos brancos
Um dia vai sentar numa cadeira de balanço
Vai lembrar do tempo em que tinha vinte anos
Vai lembrar de mim e se perguntar
Por onde esse cara deve estar?
E eu vou estar
Te esperando
Nem que já esteja velhinha gagá
Com noventa, viúva, sozinha
Não vou me importar
Vou ligar, te chamar pra sair
Namorar no sofá
Nem que seja além dessa vida
Eu vou estar
Te esperando” Te esperando, Luan Santana]
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Notas da Manu: Gente, digitei essa transcrição ouvindo o DVD do Luan. Quando começou “Te Esperando” eu até arrepiei, porque lembra muito a história da Raquel, principalmente porque ela pede que o Amor Verdadeiro a espere. Por isso escolhi colocar um trecho dessa música para encerrar esse trecho da história. Achei que combinava muito com tudo o que rolou até agora. Coincidência, né?

A Estagiária disse que estamos perto de descobrir a razão pela qual ela nos mandou a cópia do diário. Estou ansiosa para saber logo de uma vez! Pelo jeito, estamos chegando ao final desse “mistério”. Alguém aí tem algum palpite?

É isso, gurias!

Beijo e até a próxima! 


***Leia a próxima transcrição:Página 57 à 59: O Mensageiro

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Transcrição nº 14 – Fragmentos

Notas da Estagiária: Não consigo ler essa parte sem chorar...
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Transcrição da página 47 à 51

[“Chega simples como um temporal
Parecia que ia durar
Tantas placas e tantos sinais
Já não sei por onde caminhar

E quando olhei no espelho
Eu vi meu rosto e já não reconheci
E então vi minha história
Tão clara em cada marca que tava ali

Se o tempo hoje vai depressa
Não tá em minhas mãos
Cada minuto me interessa
Me resolvendo ou não
Quero uma fermata que possa fazer
Agora o tempo me obedecer
E só então eu deixo
Os medos e as armas” – Temporal, Pitty]

 O anel estava no meu dedo.

O vestido me caíra perfeitamente bem.

O penteado impecável.

Sem exageros ou falsa modéstia, eu estava linda.

Mas o que via no espelho não era eu. 

Como um mosaico, eu enxergava diferentes partes de mim.

Partes do que eu era antes, do que era agora, do que desejava ser, e daquilo que eu realmente seria, por fim.

Porque o meu destino não mais me pertencia.

Eu estava diante de uma encruzilhada.

De um lado, o caminho que meu coração escolhera para mim, com todos os seus mistérios, sombras e encontros misteriosos. Tratava-se de uma estrada sinuosa e difícil, mas que me chamava, seduzia, parecia disposta a me dar todas as respostas se eu tivesse coragem de encará-la;

E do outro, um caminho velho e batido, que seguia de acordo com a vontade da minha família e do Amor (ou ex-amor). Um único trecho se mostrava instável: justamente no ponto em que meu ex-noivo tomava as rédeas da situação, a estrada inclinava-se em uma descida muito íngreme e, de onde eu estava naquele momento, não era possível ver adiante. O caminho poderia voltar a ser plano e tranquilo ou cheio de descidas cada vez mais complicadas e sombrias. Acredito que nem ele saiba o que vem pela frente...

Claro que a minha carreira era um peso que contava muito nessa decisão. Por mais íngreme que fosse, ainda assim era mais fácil carregar uma bagagem pesada como essa morro abaixo do que por caminhos desconhecidos. Se depois ele voltasse a ficar plano, então tudo ficaria ainda mais fácil...

Mesmo assim, a intuição soprava em meu ouvido que a primeira opção era a melhor.

O juízo gritava para que seguisse pelo segundo.

Mais uma vez, o tempo corria contra mim com uma velocidade cruel.

Por qual caminho seguir? E quais seriam as consequências da minha escolha?

***

“Meu amado,

O que vivemos juntos foi muito especial. Parafraseando aquele famoso livro, ‘alguns infinitos são maiores que outros’ e, depois de tudo o que vivi ao seu lado, posso afirmar que essa teoria é, de fato, real. Muito real...

Você me deu muito mais que um infinito dentro de dias contados. Você trouxe luz, cores, sabores, texturas... trouxe sentido à minha vida.

Colocou em cheque tudo o que eu acreditava, me mostrou que a vida pode – e deve - ser muito maior. Acho que a lição mais valiosa que me ensinou foi a que não devo permitir que escolham a minha vida por mim. Pode até ser fácil aceitar tudo o que lhe impõem, porque, afinal, essas pessoas só querem te ver bem. Mas seguir esse caminho pré-determinado acaba matando o seu coração.

Resumindo: é preciso manter a chama acesa, a despeito da tormenta que faça lá fora.

O problema é que, nesse momento, a tempestade ameaça afundar o meu barco e não posso continuar seguindo contra a maré. A fim de reparar os estragos causados na estrutura do meu navio, preciso navegar por águas mais calmas e menos tortuosas. Embora eu deseje vencer o horizonte e seguir rumo ao desconhecido, o certo nesse momento é me manter próximo à terra firme.

A chama não se apaga, mas preciso afastar-me de ti. Nossos mundos são muito distintos e não há como aproximá-los agora. Nossos caminhos se separam e não sei se voltarão a se encontrar.

Mas, independente do que for, a chama continuará viva. Se puder, me espere. Mantenha a tua própria chama acesa e peça às estrelas que guiem meu caminho até você novamente.

Com carinho,

Raquel”.

Terminei de digitar o e-mail com as lágrimas lavando meu rosto.

Quando apertei o botão enviar, foi como se estivesse dando um golpe fatal em mim mesma.

Mas era necessário.

Engoli o choro, peguei a chave do carro e saí.

***

A festa de noivado foi organizada na mansão da família do meu noivo.

Pessoas elegantes, boa comida, champanhe à vontade.

Os convidados dançavam e se divertiam.

Minha mãe parecia um pavão, se exibindo para todos.

Meu noivo estava calmo, sorrindo a toa e me enchendo de paparicos.

Já eu... 

Me sentia em um velório.

As luzes, as velas... tudo que fora usado para dar charme à decoração me lembrava um enterro do futuro que sonhei para mim.

A alegria alheia me sufocava.

Será que ninguém ali era capaz de olhar nos meus olhos e enxergar que eu não queria nada daquilo? Que aquele anel no meu dedo parecia uma mordaça me sufocando?

Eu me esforçava para sorrir e conter as lágrimas.

Meu coração ameaçava parar quando eu me lembrava do e-mail que enviara para o meu Amado.

“A chama não se apaga, mas preciso afastar-me de ti. Nossos mundos são muito distintos e não há como aproximá-los agora. Nossos caminhos se separam e não sei se voltarão a se encontrar”.

Qual seria a reação dele?

Será que me entenderia?

Aquelas questões me atormentavam. Eu precisava fugir, precisava ficar sozinha, precisava pensar.

Minha cabeça era um redemoinho de sensações. Era como se estivesse presa em um labirinto.

Fugi da festa.

Peguei meu carro e comecei a dirigir sem destino.

Eu acelerava enquanto as lágrimas quentes cortavam meu rosto feito chamas.

Meu coração ardia.

Eu estava perdida. 

Sozinha.

Sem saída.

Foi aí que aconteceu: um barulho enorme. O carro capotando.

Uma, duas, três vezes...

E eu apaguei.

Meus pedaços se espalharam. Eu estava quebrada.
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Notas da Manu: Ai meu Deus, o que aconteceu com essa menina?
Outro acidente de carro? 

Agora a coisa foi pro pau de vez! Vamos torcer pra tudo ficar bem!
E Estagiária, esse relato também mexeu muito comigo. O que foi aquela carta, gente?

A gente se vê na próxima transcrição! Torcendo muito aqui!

Ahh, só para deixar claro caso alguém não tenha lido o livro ou visto o filme: Raquel faz referência na carta ao livro A culpa é das Estrelas de autoria de John Green. =)


***Leia a próxima transcrição:Página 52 à 56: Fênix

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Transcrição nº 13 – O jogo virou

Notas da Estagiária: Vocês queriam saber quais seriam as consequências? Bem, aí estão elas...
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Transcrição da página 44 à 47

Aposto que você já ouviu aquela história de tudo o que é bom dura pouco.

Pois é... Esse velho dito popular é o que melhor traduz o meu sentimento nesse momento.

Após um final de semana de rainha (segundo as palavras do Garoto da Voz Encantadora), eu precisava voltar para casa.

Não tinha jeito.

O mais engraçado era a sensação de déjà vu. E não era imaginação ou uma mera sensação. Eu, de fato, já tinha passado por aquilo. Na noite em que nos conhecemos, na ocasião que jantamos juntos. Sair da minha zona de conforto, me aventurar, conhecer o infinito e depois mergulhar novamente na dura realidade.

Cada momento perto dele me levava mais e mais para dentro do seu mundo. Tornava mais fácil entendê-lo. Agora ele não era apenas uma voz encantadora. Era uma pessoa encantadora, capaz de chamar minha atenção com o seu jeito de menino, mas que sabia seduzir com gestos e surpreender com palavras.

A combinação perigosa entre aparência de garoto e atitude de homem.

Em paralelo a essa jornada pelo mundo dele, eu ia (re)descobrindo o meu próprio mundo. Me dando conta de como vivi todo aquele tempo com possibilidades tão pequenas, sem saber os efeitos que a o verdadeiro amor poderia causar.

Ao voltar para casa, eu sentia a forma mais completa de felicidade. Meu coração estava apaixonado, minha mente esperançosa, meu corpo relaxado. 

Ele não era mais um problema. Era a solução.

***

Uma batida na porta.

Olhei no relógio. Não tinha nem meia hora que havia chegado.

Quem poderia ser?

Não demorei para descobrir. Ao abrir, dei de cara com meu ex-noivo com um tablet nas mãos.

Com um único gesto, ele me apontou a tela. 

Em um site duvidoso de celebridades, estava uma foto minha ao lado do meu Amor Verdadeiro. Estávamos sorrindo, caminhando para o interior do hotel.

Nem precisei ler a matéria para saber do que se tratava. Eu nunca quis atenção, mas estava ciente das consequências da minha exposição.

Minha vida agora era um circo.

Sustentei o seu olhar de acusação sem medo. Apesar dos anos que passamos juntos, eu não lhe devia mais explicações. Minha carta de alforria fora assinada no momento que devolvi o anel de noivado.

“Você tem algo para me falar?”

Falar o quê? Já não estava tudo ali, escancarado para pessoas que mal sabiam quem eu era?

Tudo bem que o plano era ir devagar, contar para as pessoas aos poucos, mas certas coisas estavam fora do meu controle.

Pensando bem, tudo estava fora do meu controle...

Apenas neguei com a cabeça.

“Raquel, chega! Eu não vou permitir que você continue com esse desatino”.

Permitir?

Quando foi que ele se tornou o meu dono?

“Arrume suas coisas. Eu marquei a nossa festa de noivado para o final da próxima semana. Depois disso, vamos embarcar para Nova York. Sabe aquele curso de especialização que você tanto queria fazer? Parabéns, você conseguiu. Já pedi a permissão dos seus pais e, tanto a sua quanto a minha família estão de acordo com esses planos”.

“Só um detalhe: não somos mais noivos”.

Foi tudo o que consegui dizer. Meu queixo estava no chão com tantas novidades e, principalmente, com a forma autoritária e agressiva como ele falava. Como eu nunca tive acesso àquela parte do meu noivo antes? 

Bem que dizem que você só conhece uma pessoa verdadeiramente quando termina com ela.

“Ahh, mas vamos voltar a ser... E sabe por que, Raquel? Porque eu te conheço e sei que sua carreira é muito importante para você. Durante toda a sua vida você desejou ser uma uma advogada brilhante. Conseguiu. E essa besteira aqui – ele apontou para a tela – pode colocar tudo a perder. E não pense que me engana: eu sei que você tomou aquele remédio na audiência de propósito. Você não queria que o nosso cliente ganhasse, porque isso prejudicaria o seu cantorzinho mequetrefe. Mas adivinha? Se eu entrar com um processo na Ordem denunciando esse mal comportamento, você vai perder o direito de advogar. É isso que você quer? Jogar tudo fora por causa de uma noite de diversão? Tem certeza que vale a pena?”

Senti meu mundo parar. 

De fato, a única coisa que fez sentido para mim até ali era advogar. A sensação de tornar o mundo mais justo, de colaborar para a ordem, era isso que me movia.

Eu só tinha duas opções e ambas se resumiam a perder algo que eu amava.

Mais uma vez, eu estava em um beco sem saída.

E o pior de tudo: eu mesma me coloquei naquela situação.

***

Meu ex-noivo foi embora dizendo que me esperava no dia seguinte no escritório com uma resposta.

Antes de sair, deixou o anel em cima da mesa, como um lembrete silencioso de sua proposta.

Minha mente fervia atrás de uma saída.

O Amor se transformou em Ódio. E queria vingança.

Eu precisava de um jeito de escapar da sua ira.

“[É uma noite longa pra uma vida curta
Mas já não me importa basta poder te ajudar
E são tantas marcas que já fazem parte
Do que sou agora, mas ainda sei me virar
Tô na lanterna dos afogados
Tô te esperando vê se não vai demorar...” – Lanterna dos Afogados, Paralamas do Sucesso]
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Notas da Manu: Gente do céu! Tá rolando chantagem, é isso mesmo produção?

O Amor tá no veneno! Sabia que ele ia aprontar alguma coisa! Eu sabia!

Socorro! O que a Raquel vai escolher?

Cara, o forninho não tá mais no chão! Já foi parar no subterrâneo!

Muito, mas muito curiosa e ansiosa! E vocês?


***Leia a próxima transcrição:Página 47 à 51: Fragmentos

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Transcrição nº 12 – O meu novo mundo

Notas da Estagiária: Manu, como já disse na última transcrição, as consequências das escolhas da Raquel realmente serão terríveis.

Mas antes de encarar o inferno, ela teve um dia de rainha.
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Transcrição da página 40 à 43

 [“Como se o silêncio dissesse tudo
Um sentimento bom que me leva pra outro mundo
A vontade de te ver já é maior que tudo
Não existem distâncias no meu novo mundo

Tipo coisas da sétima arte
Aconteceu sem que eu imaginasse
Sonho de consumo, cantar na sua festa
Vem dançar comigo
Aproveita e me sequestra” – Meu Novo Mundo, Charlie Brown Jr.]

Gente.

Muita gente.

Era como se fizéssemos parte de uma missão do FBI.

“A Produção” cuidava de tudo.

Bastava piscar os olhos para tudo brotar na minha frente. Literalmente.

Táxi. Comida. Hotel. Até um casaco confortável, já que fazia frio no sul do país.

Eu me sentia como a Whitney Houston no filme o Guarda-Costa.

Também tinha muito barulho.

“A Produção” dando ordens para todos os lados, fãs gritando, música alta...

E luzes...

Flashes, holofotes, mais flashes.

Era estranho lidar com tudo isso.

Era o admirável mundo novo. Com muito glamour, brilho e luxo.

Era estranho vê-lo no centro das atenções.

Ali ele era diferente. Não o tipo de pessoa prepotente ou deslumbrada. E sim o tipo que queria agradar as pessoas, fazê-las felizes, diverti-las e afastá-las das verdades duras da vida por meio da música.

Um mensageiro de amor, carinho, boas energias.

Dos bastidores pude perceber o quanto ele era capaz de se doar, de passar sentimento através da sua voz, dos seus olhos, de um aceno, ou de um toque rápido de mão.

E então fiquei pensando: de onde ele tirava inspiração para tornar aquilo real?

E o principal: como ele não enlouquecia sabendo que tantas pessoas precisavam dele e, independente do que fizesse, ele jamais teria amor ou luz suficientes para satisfazer tantas almas e corações?

***

Dessa vez não precisei me disfarçar e sair escondida do camarim. Naquela noite, eu era uma convidada especial.

Claro que isso rendeu cochichos, olhares curiosos e caras viradas.

Mas era diferente aos cochichos que escutei quando cheguei no escritório após terminar meu noivado. Naquele cenário, eu era apenas uma peça no tabuleiro.

No meu novo mundo, o tempo todo ele olhava para mim com um sorriso apaziguador no rosto. 

Era como se dissesse: Aguenta firme, eu vou fazer tudo isso valer a pena.

E para ser bem sincera, eu já sabia que não seria fácil. Se com o Amor (ou melhor dizendo, ex-Amor) já havia mulheres que davam em cima e queriam se meter na nossa relação, imagina ali, ao lado de uma pessoa pública!

Era como estar no paredão do Big Brother, fazendo uma comparação bem tosca entre as situações. Milhares de pessoas opinavam se eu deveria ou não ficar e a mim só restava o direito de explicar as razões pelas quais eu queria continuar.

E de tantas razões, a que me parecia mais forte e importante era a de eu realmente querer ficar. Mesmo diante de tantos obstáculos e pedras no caminho, eu queria percorrer aquela estrada até o final.

Porque eu sabia que no final dela havia um grande tesouro.

Balancei a cabeça.

Não, não... o tesouro não estava no final, a maior riqueza era o caminho. O simples ato de caminhar ao lado dele já era um privilégio.

***
Enfim, sós.

Lá pelas tantas da madrugada, depois de inúmeros compromissos, conversas, entrevistas, lágrimas, gritos...

Eu estava esgotada.

Para ele parecia um dia normal. Como conseguia?

“E então, o que achou?”

“Intenso”.

Ele riu.

“Você definiu a minha vida em uma única palavra. É exatamente isso: intenso. Mas você já ouviu falar que o lugar mais calmo é no centro de um furacão? Então, tudo o que acontece lá fora é como um furacão. É muita gente, muito sentimento envolvido, afinal, são sonhos: meus, das meninas, da minha equipe... Mas depois quando acaba, é isso”.

Ele apontou para o quarto.

Entendi o que ele quis dizer. O lugar estava silencioso, quieto, solitário.

Depois de tanto se dar, quem iria preencher os espaços vazios em sua alma? Quem o faria sorrir, quem seria responsável por fazer seu coração bater mais rápido?

O resto da noite me trouxe as respostas.

O jeito que me abraçou, que me contou sobre os novos projetos, que cantou para mim enquanto o sol amanhecia...

A forma como nos encaixamos. Como nos transbordávamos.

A paixão estava no ar, na batida dos nossos corações, na nossa alegria, no nosso olhar.

Como um espelho, vi refletida em sua expressão o que se passava pela minha cabeça.

Aquele era o meu lugar. Cada vez mais eu tinha certeza daquilo.

Como o rio corre para o mar, toda a minha vida me designou a estar ali, com ele e para ele. Fui treinada para encarar furacões e agora a minha função era transformar o centro da tempestade em um lugar confortável, divertido, onde pode-se encontrar amor, paz, carinho e amizade.

Resumindo, um porto seguro.

***

Antes de pegar no sono, ele sussurrou no meu ouvido “Quer ser minha rainha?”.

Não precisei responder. Nós dois já sabíamos a resposta.
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Notas da Manu: Pode chamar o Samu, eu estou desmaiada com tanto amor.

E também estou curiosa para saber que consequências são essas.

Aposto que o Amor (ou ex-amor) vai aprontar. Tenho certeza disso. Mas poxa, não queria que ele zicasse esse lance tão lindo entre a Raquel e o cantor. Pooxa, tá rolando mó química.

Ansiosa já para começar a próxima transcrição.

Beijo, gurias!


***Leia a próxima transcrição:Página 44 à 47: O jogo virou