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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Capítulo 31 - Operação Luanita

Notas iniciais do capítulo:
Meninas,
Não é por nada não, mas caprichei no capítulo de hoje, o último da primeira fase.
Então, sem delongas, aproveitem!
______________________________________________
Entrei no carro e bati a porta.
– Para o Via Funchal, por favor. Rápido – Quase gritei para o motorista.

– Pode deixar, gata. Se segura porque agora a gente vai voar! – O motorista me respondeu dando partida no carro e saindo cantando pneu. No instante seguinte ele ligou o som no último volume. Começou a tocar uma música do estilo sertanejo universitário.

*** Link para música - http://www.youtube.com/watch?v=5NNi4JIwsCo ***

“Eu já lavei o meu carro
Regulei o som
Já tá tudo preparado
Vem que o brega é bom

Menina fique a vontade
Entre e faça a festa
Me liga mais tarde
Vou adorar, vamos nessa”


Enquanto a música rolava, o motorista acelerava o carro pelas ruas de São Paulo. Ele era um rapaz jovem que tinha os cabelos lisos um pouco abaixo da altura da orelha. Enquanto cantava, ele balançava os fios e todo o resto do seu corpo no ritmo da canção. Eu reparava naquele estilo maluco de dança quando ele parou o carro em um sinal vermelho. Através do espelho retrovisor, ele apontou o dedo em minha direção e cantou as estrofes seguintes.

 

“Gata me liga
Mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular
Até o sol raiar

Gata me liga mais tarde tem balada
Quero curtir com você na madrugada
Dançar, pular
Que hoje vai rolar

Tchê tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tcherere tchê tchê,
Tchê, tchê, tche...”


O que aquele cara pensava que estava fazendo? Ele balançava as mãos e a cabeça para acompanhar a música e dirigia como um louco, freando bruscamente nas curvas. Precisei várias vezes me segurar nas laterais do carro para não voar pela janela. Ele ignorou alguns sinais vermelhos, e fechou alguns carros que seguiam na mesma direção. Outros motoristas buzinavam irados para o condutor do táxi. Será que faltava muito para chegar até o local do show? E aquela música que não acabava nunca? Já estava ficando perigoso o motorista querer danças e dirigir ao mesmo tempo.



Como se ouvisse meus pensamentos, de repente o carro parou com uma forte freada. Fui atirada com tudo para a frente do carro e quase beijei o pára-brisas. Meio tonta, retornei para o banco traseiro ajeitando meus cabelos e meu vestido.

– Pronto gata, chegamos – O motorista me avisou, diminuindo um pouco o volume do som para que eu pudesse escutá-lo.

– Quanto custou a corrida, moço? – Tudo o que eu queria era poder sair correndo de dentro daquele carro o mais rápido possível. Ele me disse o valor, e eu tirei o dinheiro da carteira do Murilo para pagá-lo.

Quando eu já ia saindo do veículo, ele me chamou – Hey gata, fica com o meu cartão. Beijo, me liga! – Ele piscou para mim tentando usar todo o seu charme.

– Hãamm... Obrigada – Dei um sorriso amarelo e saltei para a rua. Deus, da onde saia aquelas pessoas tão malucas?


Me concentrei novamente no meu plano. Eu precisava chegar até o camarim do Luan. Com sorte eu conseguiria falar com ele antes do início do show.

Eu já havia assistido algumas apresentações naquele lugar. Por isso eu sabia que havia uma porta lateral que os músicos e seus empresários usavam para entrar no Via Funchal. Caminhei rapidamente até a rua ao lado, onde ficava a entrada exclusiva. O local estava repleto de fãs do Luan que esperavam para entrar na casa de shows, por isso abaixei a cabeça e coloquei um pouco do cabelo para frente para tentar não ser reconhecida.

Um segurança estava parado em frente à entrada.

– Por favor, eu preciso falar com o Marcão, empresário do Luan – disse, tentando parecer cordial.

– Me desculpe moça, mas preciso saber qual é o assunto – O segurança me respondeu.

– Sou convidada do Luan para o show de hoje. Fui orientada a entrar por essa porta para ir direto aos camarins – Menti na cara larga.

– Só um instante. Preciso confirmar a informação – O homem tirou de dentro do paletó um rádio. Ele chamou alguém através do aparelho e explicou a minha situação, depois ouviu o que a outra pessoa dizia e desligou.

– Preciso que você aguarde um instante – Ele me disse sério.

Fiquei ali, parada em frente a porta encarando o segurança. Eu tentava parecer relaxada, mas no fundo estava com medo de que ele tivesse descoberto a minha mentira.

Alguns minutos depois, o Marcão, empresário do Luan, passou pela porta.

– Então é você que está tentando entrar sem ser convidada? – Pelo jeito minha mentira não tinha colado.

– Olá Marcão. Como vai? Pois é, eu não fui convidada, mas acho que o Luan não se importaria se eu entrasse para assistir o show, não é mesmo? – Falei, tentando parecer simpática.

– Nem pensar, mocinha. Esse show é importante para o Luan, e sempre que você aparece na vida dele alguma coisa dá errado. Nós estamos bem agora, não precisamos de você para estragar nada – Ele devia estar com muita raiva de mim. Com certeza isso tinha a ver com o fato de eu ter terminado com o Luan sem muitas explicações.

– E tem mais: a Cacau está aí. Ela não iria se sentir bem se você aparecesse por aqui hoje – Ele completou, entrando novamente pela porta e a fechando na minha cara.


Fiquei chocada com o jeito que o Marcão me tratou. Parecia que eu era uma criminosa, uma pessoa que não merecia o menor respeito.

Dei meia volta e me sentei no meio-fio da calçada. Como eu iria fazer para falar com o Luan? Se o Marcão não permitisse a minha entrada nos camarins, seria impossível falar com ele antes ou depois do show. A minha única chance seria tentar descobrir se ele dormiria em algum hotel de São Paulo.

Abri a minha bolsa para pegar meu celular e tentar falar com a Rafa. Com certeza ela conseguiria descobrir aquela informação para mim. Tirei o aparelho da minha bolsa e junto veio um pedaço de papel cumprido. Olhei melhor o que era aquilo.

Claro! Eu havia me esquecido completamente que a Rafa tinha separado um ingresso do show para mim. No mínimo, a minha empresária previu que aquela situação poderia acontecer.

No ingresso estava marcado que o show começaria às 22h. Olhei para o relógio. Faltava vinte minutos. Conferi de novo as informações impressas no pedaço de papel. Ali estava escrito que o meu ingresso era válido para a área da pista. Ou seja, eu estaria alguns setores longe do palco, e principalmente, longe do Luan. Eu precisava agir rápido, mas ainda não tinha ideia do que fazer.


Vi um grupo de fãs passar por mim a caminho da entrada do show. Elas nem repararam em mim, sentada ali, na calçada. As meninas conversavam animadas sobre o show e uma delas comentou “Bem que a Anita poderia fazer uma participação especial no show de hoje. Foi super fofo os dois cantando juntos em Ribeirão”. Aquela era uma Luanita, certeza!


De repente tive uma ideia. Mais do que rápido, peguei o meu celular e acessei o meu twitter.

Assim que o site carregou, digitei “S.O.S. Luanitas, preciso da ajuda de vocês!”.

Pouco tempo depois, algumas fãs começaram a me perguntar o que estava acontecendo. Demorou bastante, e eu precisei usar várias “mentions”, mas consegui explicar qual era o meu plano. Eu precisava chegar até o palco do show para falar urgente com o Luan. As Luanitas precisavam me ajudar a chegar até ele.

A notícia se espalhou rapidamente. Em menos de 30 minutos, a tag #sosluanita já estava nos trend topics do Brasil. As fãs que não estavam no show mandavam mensagens para as pessoas que estavam no Via Funchal avisando sobre a operação. O meu plano estava dando certo!

O grupo de fãs que estava no início da fila, quase entrando na casa de shows, me disse pelo twitter para que eu fosse até lá, pois elas me deixariam passar na frente. Bom, pelo menos entrar no Via eu conseguiria.

– Meninas, muito obrigada pela ajuda – Agradeci, enquanto furava a fila de entrada na porta da casa de shows

– Mágina, Anita. Estamos aqui para ajudar. Torcemos por você – Elas me responderam cordiais.


Entreguei o meu ingresso para o funcionário da casa e entrei. O show já havia começado e o público ia ao delírio. O Luan cantava “Palácios e Castelos” no palco. Quase morri quando ele parou para rebolar ao ritmo da música.

Era incrível, mas a missão S.O.S. Luanita tinha chegado até dentro da casa de shows. Conforme eu ia tentando passar para chegar perto do palco, algumas fãs me reconheciam e iam me dando passagem, me ajudando o máximo que podiam.

Claro que no meio do caminho eu precisei parar para algumas fotos com fãs, mas nada que me tomasse muito tempo. Algumas delas me falavam palavras de incentivo e me desejavam sorte. “ Anita, faz o nosso gordo feliz” ou “Anita, boa sorte. Torço por você e pelo Luan”. Outras, no entanto, não gostavam nem um pouco da ideia do Luan ficar comigo. Dessas, eu levei várias cotoveladas e alguns pontapés.

O show foi rolando e aos poucos fui chegando próximo ao palco. Ouvi o Luan cantar “Química do Amor” uma das músicas que eu mais amava, e “Sinais” a nossa canção. Não pude deixar de sorri ao ouvi-lo cantar “Nega” e imaginar que aquela música tinha sido feita para mim, como dizia o Murilo.

***


O show já estava quase no fim quando alcancei a pista VIP. Depois dali, só faltaria passar pela “Pista Premium” para conseguir chegar ao palco.

Precisei de muito talento para convencer o segurança a me deixar passar para a área seguinte. Algumas Luanitas que estavam por ali me ajudaram a convencê-lo. No fim, eu deixei com o segurança um autógrafo especial para a sua filha, e ele me deixou passar. Salva pelos meus fãs!

Na pista seguinte foi a mesma história, mas o segurança era ainda mais difícil de convencer. Mas com a ajuda de outro grupo de Luanitas, consegui passar para a “pista Premium” e finalmente ficar bem próxima ao palco. O Luan já estava tocando as músicas finais do show. Eu precisava me apressar.

Cheguei na grade e olhei para ver se reconheceria algum segurança do show. Não tive sucesso. Toda a equipe que havia trabalhado no show que assisti em Porto Alegre fora trocada.

Continuei olhando para o outro lado da grade, tentando encontrar uma solução para o meu problema. De repente, ouvi alguém me chamando bem ao meu lado.

– O que você está fazendo aqui? – Era o Pedrão, motorista do Luan, que me segurava pelo braço para que eu percebesse que ele estava parado ali, perto de mim, porém do outro lado da grade.

– Pedrão – Sorri ao vê-lo ali – Eu preciso falar com o Luan – Pedi, quase implorando.

– Ele não sabe que você está aqui? – Ele me perguntou. Rapidamente contei o que tinha acontecido comigo. Que o Marcão não havia me deixado entrar, e que as fãs me ajudaram a chegar até o palco.

Nessas alturas, o pessoal da pista Premium já nem prestava mais atenção no show. Eles aguardavam para saber se eu iria conseguir subir até o palco.

– Vem mocinha! Eu te ajudo a chegar lá. Vou fazer mais essa entrega para o Luan – Ahh, como eu adorava o Pedrão.

Ele me ajudou a pular a cerca de proteção e seguimos em direção a uma escada que levava para os bastidores. As fãs gritavam “Boa sorte” e me pediam para seguir em frente.


Enquanto eu subia no palco, o Luan anunciou a última música do 
show.

*** Link para música - http://www.youtube.com/watch?v=MKY9bmNrSP0 ***

– Pessoal, o show tá bacana demais, vocês são maravilhosos, mas essa é a saideira. Para fechar, quero ver todo mundo saindo do chão comigo – Ele disse para o público.

Nesse momento as fãs que estavam mais próximas ao palco começaram a gritar desesperadamente. “Luan, espera, não termina o show, Nego”.


Mesmo confuso, sem entender o que as fãs queriam dizer, ele deu sinal para que a banda seguisse. Eu assistia tudo da escada de acesso ao palco enquanto um grupo de seguranças discutia com o Pedrão. Eles diziam que ele não podia levar convidadas para aquela área do palco e o Pedrão argumentava que ele tinha uma entrega para o Luan, e que era muito importante que ele chegasse até ele.


A introdução de “Meteoro” começou a tocar. Aquela era a última música. Era agora ou nunca.

Aproveitei de um momento de distração dos seguranças e consegui passar pelos dois e chegar até a lateral do palco. De longe eu vi a Cacau assistindo à apresentação um pouco mais distante, nos bastidores.

Parei, pensando no que eu faria naquele momento. Simplesmente invadir o palco? Esperar o show acabar? Fiquei em dúvida por um breve momento tentando achar a melhor saída.


Enquanto isso, no palco, o Luan começava a cantar o refrão da música.

Te dei o Sol,
Te dei o Mar
Pra ganhar seu coração;
Você é raio de saudade;
Meteoro da paixão;
Explosão de sentimentos que eu não pude acreditar;
Aaaahh...
Como é bom poder te amar;


Enquanto rolava o refrão, uma das back-vocals, a Marla, me viu parada ao lado do palco. Ela gesticulou para mim me perguntando se eu queria o microfone. Confirmei com a cabeça, e então ela desencaixou o pedestal da parte superior do equipamento e o estendeu na minha direção. Corri ao encontro dela, e a agradecendo peguei o microfone.


O Luan agitava o público do outro lado do palco e nem percebeu o movimento diferente no canto que eu estava.


Respirei fundo, e ainda com a ajuda da Marla comecei a cantar a primeira estrofe da música, surpreendendo todos da banda, e principalmente o Luan.


“Depois que eu te conheci;
Fui mais feliz;
Você é exatamente o que eu sempre quis;
Ele se encaixa perfeitamente em mim;
O nosso quebra-cabeça teve fim;”



O Luan ficou por alguns instantes procurando de onde vinha aquela voz diferente. Quando me viu, ainda parada no canto do palco, meio sem graça com a situação, ele parecia nem acreditar.


“Se for sonho, não me acorde;
Eu preciso flutuar;
Pois só quem sonha,
Consegue alcançar.”


Enquanto ele cantava o segundo trecho da música, ele caminhou até mim e segurou a minha mão. Procurei em sua expressão alguma reação negativa àquela minha aparição repentina, mas não encontrei nada. Sorri, aliviada.

“Te dei o Sol,
Te dei o Mar pra ganhar seu coração;
Você é raio de saudade;

Meteoro da paixão;
Explosão de sentimentos que eu não pude acreditar;
Aaahh...
Como é bom poder te amar”



Cantamos juntos o refrão da música. Ficamos super a vontade no palco, dançando e interagindo com o público. O Luan não soltava a minha mão por nada. Ele devia estar com medo de eu fugir se me soltasse.


Repetimos as estrofes da música cantando juntos. A banda teve que se virar para conseguir acompanhar o nosso tom de voz, mas nem eu nem ele estávamos ligando muito para cantar no tempo certo e afinados.


“Tão veloz quanto a luz;
pelo Universo eu viajei;
Vem me guia, me conduz;
Que pra sempre te amarei;”



O Luan cantou essa parte sozinho me olhando nos olhos. Quase me derreti toda com aquele sotaque lindo. Eu estava tão feliz que tudo estava dando certo! Mesmo sem planejar nada muito bem, eu tinha conseguido chegar até ele.


Terminamos a música e o público foi ao delírio. Eram tantos gritos que nós mal conseguíamos entender o que as pessoas diziam.

– Vocês viram pessoal, que surpresa boa! – O Luan disse para as fãs – O que aconteceu nega, para você aparecer por aqui, assim, sem avisar?

– Olha, eu deixei a inauguração do livro da Rafa, passei o maior sufoco dentro de um táxi, precisei das nossas fãs para chegar até aqui só para te falar uma coisa – Respondi.

– Então fala, ué – O Lú disse, impaciente.

– Luan Rafael Santana, eu te amo!

Eu o peguei de surpresa com aquela declaração. Primeiro ele pareceu não acreditar no que eu disse, mas depois ele abriu um sorriso daqueles que só ele sabia dar.

Fiquei tão encantada com aquele sorriso que nem percebi quando ele jogou seu microfone no chão e me segurou pela cintura, aproximando o meu corpo ao dele. No instante seguinte, ele estava me beijando.

O público foi mais uma vez a loucura. Nem liguei que estava diante de milhares de pessoas e que muitos fotógrafos registravam a cena. Retribui o beijo abraçando o Luan bem forte.

***

Depois que paramos de nos beijar, peguei o microfone e perguntei para o pessoal da plateia.

– Gente, vocês topam nos ajudar a fugir?

Todo mundo concordou. Várias pessoas gritaram frases de incentivo, nos encorajando.

De repente percebi que o pessoal organizou uma espécie de corredor, permitindo a nossa passagem até a saída.


– Então vem, Nego – Puxei o Luan pela mão e usamos as escadas laterais do palco para ir em direção à saída.

Uma noite seria pouco para matar toda a saudade que eu sentia dele.
______________________________________

Notas finais do capítulo:
Meninas, caprichei no cap, agora quero comentários caprichados também, ok?
Afinal, esse é o último da 1ª fase. Foram 31 capítulos acompanhando a história desses dois. Quero saber o que acharam da história até aqui!

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Capítulo 30 - A caminho do gol

Notas iniciais do capítulo:
Nem Neymar, nem Messi... O gol do ano será marcado pela Anita!
#vaipracimaNí
kkkk
Meninas, aproveitem!
________________________________________
Os dias após a nossa chegada ao Brasil foram corridos. O lançamento do livro da Rafa estava chegando e ela estava a ponto de ter um enfarte, tão ansiosa que estava.

A correria era tanta para organizar a lista de convidados, escolher o buffet, contratar os seguranças, confirmar a presença do DJ e mais uma porção de coisas que ainda faltavam fazer, que eu mal tive tempo de tentar falar com o Luan.

Eu queria agradecê-lo por ter não ter esquecido o meu aniversário, mas todas as vezes que eu tentei ligar no celular dele deu caixa postal. Fiquei sabendo que ele realizaria um show em São Paulo no mesmo dia do lançamento do livro da Rafa. Será que o Lú teria um tempo livre na agenda para dar um “pulinho” na festa? O nome dele estava na lista de convidados, porém o Marcão não havia confirmado a sua presença ainda.

***

A semana passou voando. Quando dei por mim já era sexta-feira, dia do lançamento do livro da minha empresária. A festa aconteceria no salão de eventos do Hotel Hilton, um dos mais chiques da cidade.

– Tá podendo hein, Rafinha? Dar uma festa no Hilton... – Brinquei com ela.

– Querida, eu sou uma gata garota, e toda gata garota é top! – Ela me respondeu se achando.

– Menos Rafinha, menos... - O Caio a desanimou.

Ouvi alguém apertando a campainha.

– Deixa que eu atendo – Disse indo em direção à porta.

– E aí Murilo, veio desejar boa sorte para a Rafa? Cumprimentei meu colega de profissão após abrir a porta para ele.

– Isso mesmo. Ela ainda tá aí? – Ele quis saber.

– Por pouco você não nos pega mais aqui. Já estávamos de saída. Mas entra, ela está terminando de se arrumar – Convidei-o para entrar e seguimos juntos para o quarto do Caio, onde a Rafa estava acertando os últimos detalhes no seu visual.

– Uau, como você está linda empresária – Ele exclamou após ver a Rafa. Ela realmente estava um arraso. Usava um vestido com um decote bem acentuado. O vestido seguia colado ao seu corpo até a altura da cintura, onde depois ficava um pouco mais solto. A cor do tecido contrastava com o com tom claro de sua pele. Seus cabelos longos e loiros estavam presos em um coque com alguns fios soltos. Como acessório, ele escolheu um par de brincos e um anel com uma pedra verde, que combinava com a cor de seus olhos.

– Ahh Bebê. Obrigada. Pensei que você fosse direto para o Hilton – Ela disse enquanto lhe dava um longo abraço. Meu irmão acompanhava a cena encostado em um canto do quarto.

– Não poderia deixar de vir até aqui te dar os parabéns e te desejar sorte – Ele comentou. Os dois soltaram o abraço, mas o Murilo permaneceu segurando uma das mãos da Rafa.

– Poxa Bebê, como você é lindo. Não precisava se preocupar – Aquele clima “água com açúcar” dos dois já estava me enjoando.

– Na verdade, eu vim mesmo para te trazer um presente – Ele tirou uma caixa de veludo fina e longa do bolso interno do paletó. Eu e o Caio arregalamos os olhos. Gente, o Murilo estava sendo ousando demais!

– Para mim? – A Rafa pegou o presente surpresa. Ao abrir, ela retirou de dentro da caixa uma caneta banhada a ouro com seu nome grafado na lateral.

– Toda escritora precisa de uma caneta para autografar os livros para os fãs – Ele disse.

– Ahhh Bebê, obrigada! Obrigada de verdade. É linda. Eu amei demais – Ela pulou de novo no pescoço dele rindo sem parar de tão feliz que estava com o presente.

– Rafaela, está na hora da gente ir. Ou vamos nos atrasar para o lançamento do seu livro – O Caio finalmente se manifestou. Pela cara “amarrada”, ele não tinha gostado nada da visita do Murilo.

– Mas vocês já vão? Eu ainda preciso colocar o meu sapato e pegar a minha bolsa – De repente dei por mim que ainda não estava pronta.

– Então depois você vai com o Bebê – O Caio falou com um tom cínico – Eu e a MINHA namorada precisamos ir agora, porque ela não pode chegar atrasada.

– Pode deixar, eu levo a Anita – o Murilo nem se abalou com o mal humor do meu irmão.

Os dois saíram, e eu pedi para que o Murilo me esperasse na sala enquanto eu terminava de me arrumar. Corri para o meu quarto, e enquanto calçava os sapatos e procurava onde eu tinha deixado a minha bolsa ouvi meu celular tocar.

“Any, nada de usar all star no lançamento do meu livro. Separei um sapato lindo para você. Também deixei na sua escrivaninha uma entrada para o show do Luan que acontece hoje. Nunca se sabe, não é? Beijo, Rafa”.

A minha empresária sempre pensava em tudo. Achei a minha bolsa, peguei o ingresso e um par de botas e fui ao encontro do Murilo na sala.

– Vamos?

– Vamos Any. A Rafa caprichou no seu vestido também, hein? – O Murilo comentou.

Realmente a minha cunhada tinha mandado muito bem no meu look. Ela tinha escolhido um modelo tomara que caia com uma estampa xadrez vinho com preto. Ela sabia que eu adorava aquela cor.

– Mas para que são essas botas? – Ele comentou apontando para a minha mão.

– Você acha que eu vou agüentar ficar quanto tempo em cima desse sapato? Comprei essas botas para o show do Luan lá em Ribeirão. Desde então fiquei apaixonada por elas – Comentei – Agora vamos senão a gente perde o começo da festa.

***

Descemos pelo elevador e seguimos até a garagem onde estava o carro do Murilo. Entramos, e ele deu partida no veículo que começou a andar.

– E aí Any, você vai no show do Luan de hoje? – O Murilo perguntou.

– Acho que não. Estamos meio sem clima. Não consegui falar com ele durante essa semana – Falei, tentando sintonizar uma estação no aparelho de som. Coincidência ou não, estava tocando uma música do Luan justo na rádio que eu escolhi.

*** Link para música - http://www.youtube.com/watch?v=JOAGCH4wmUg ***

– Hey, a música nova do Luan – O Murilo comentou – Sei não, mas acho que essa letra foi feita para você.

– Por que você acha isso? – Perguntei, surpresa

– Presta atenção na letra, Any – Aumentei o volume do som para escutar melhor. Eu e o Murilo ficamos em silêncio enquanto a música tocava.

Eu sei você sofreu demais
E sabe que eu não fui capaz, mas, mas, mas, mas,
Aquele sonho que era meu
Descobri não era seu, é.. não deu!

Não deu certo quanto a gente planejou
Mas o amor nos deu mais uma chance,
Volta e vem viver esse romance!

Nega chega junto vem me amar, vem cá
Já tava arrumando a minha vida,
Mas tô doido procê bagunçar, Nega!

Nega a saudade não quer sossegar,
Só ta aumentando
E o seu nego tá indo aí pra te buscar.
Nega ai ai, eu tô pronto pra te amar!”



Depois que a música terminou, o Murilo começou a explicar a tese maluca dele.

– Pensa bem, você sofreu demais... Por minha causa eu sei, eu sei – Ele se defendeu ao ver a minha expressão de brava para ele.

–
Mas... Continuando... E talvez ele ache que não foi capaz de te fazer superar essa mágoa. Por isso que ele acha que o sonho dele de ficar com você não era o mesmo que o seu, e consequentemente, não deu certo como vocês planejaram e você acabou indo embora.

– Hum... Até faz um pouco de sentido – Na verdade eu achei que tinha tudo a ver, mas não queria dar o braço a torcer.

– Qual é Any, um pouco de sentido? Fala sério! Além de tudo o que eu te disse, a Rafa me contou que ele te chama de Nega. Tudo se encaixa, gatona – O Murilo nunca perdia a mania de me chamar daquele jeito.

– Mas por que ele faria uma música para mim? – Perguntei confusa.

– Presta atenção na próxima parte da letra. A estrofe “Volta e vem viver esse romance” diz alguma coisa para você? – Ele cantou super desafinado o trecho da música.

– Hey, posso saber da onde saiu toda essa inspiração para me convencer que o Luan fez a música para mim? – Eu estava desconfiando daquilo.

– A Rafa me pediu para tentar te convencer a ir ao show hoje. Como ela estará muito ocupada, eu assumi esse posto – Ele riu.

Fiquei em silêncio. A história da música fazia sentido. Mas quando se tratava de Luan tudo poderia acontecer. E depois do programa da Ana Maria Braga, quando eu me declarei para ele e recebi em troca um “ A Cacau é muito especial para mim”, era melhor eu ir com calma. Talvez a situação não estivesse tão boa assim para o meu lado. Eu nem tinha mais tanta certeza que se ele ainda gostava de mim.

***

Chegamos ao local do lançamento. O salão estava impecavelmente decorado com rosas brancas e cor-de-rosa. A Rafa recebia todos os convidados super empolgada, e embora a música estivesse animada e os garçons servissem bebida à vontade, eu simplesmente não conseguia curtir a festa.

O que o Murilo me disse não saía da minha cabeça. Será mesmo que era eu a “Nega” para quem o Luan tinha feito aquela música? E se fosse, no que isso mudaria a situação  entre nós dois? Afinal, eu ainda estava presa ao contrato do filme que impedia qualquer tipo de manifestação “Luanita” por parte do público.

Perdi completamente a vontade de ficar entre os convidados. Segui para uma área reservada do salão, que serviria para a Rafa descansar um pouco durante o evento. Peguei meu Iphone na bolsa junto com os fones de ouvidos e apertei o play. Um pouco de música não me faria mal.

*** Link para música - http://www.youtube.com/watch?v=TT7ocw9_zVY ***

Para o meu azar, a música começou a tocar justo no trecho que me fazia lembrar o Luan.

“E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar”.

Fechei os olhos e continuei prestando atenção na letra.

“Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia o verbo a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim”


De um lado a saudade. Dessa parte eu entedia muito bem, principalmente quando eu me lembrava da noite em que eu havia cantado essa música para o Lú. Mas a parte da força e a coragem para chegar ao fim estavam me faltando.

“E o fim é belo incerto... Depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar..”


A música terminou, mas uma estrofe em especial me chamou a atenção “a força e a coragem pra chegar no fim”. Quando eu escolhi cantar aquela música para o Luan eu não poderia imaginar que tempos depois ela fosse se encaixar tão perfeitamente na nossa história.

Aquela última estrofe era a resposta para as minhas dúvidas. Não importava o que aconteceria. Se o Luan tinha ou não feito a música para mim, ou se a Cacau era realmente especial para ele. E também não importava se o pessoal do estúdio iria ou não ser contra as manifestações das Luanitas...

Eu acreditava no meu amor pelo Luan, e de uma maneira certa ou errada, era aquele sentimento que me motivava a seguir em frente, a continuar vivendo. Aquela era a fé que eu depositava em mim, a certeza que nós poderíamos fazer aquele amor dar certo. E eu precisava ter coragem para seguir em frente e continuar lutando pelo o que eu queria.

Sem pensar duas vezes, tirei os sapatos de salto que estava usando e calcei as botas que tinha levado de casa. O Murilo havia as tirado do carro e colocado ali junto com as coisas da Rafa.

Corri de volta para o salão e comecei a procurar pelo Murilo. O encontrei do lado da Rafa, recebendo os convidados. Onde estaria o Caio naquele momento? Bom, eu não tinha tempo para pensar naquilo agora.

– Murilo, preciso da sua carteira – Falei, cortando a fila de pessoas que esperavam para cumprimentar a Rafa.

– Para quê, Any? – Ele perguntou assustado.

– Preciso de dinheiro para pegar um táxi. Ainda não tive tempo de trocar as libras de Londres por reais – Expliquei impaciente.

– E para quê você precisa de um táxi? – A Rafa perguntou.

– Eu vou até o show do Luan – Respondi.

Mais do que rápida a Rafa colocou a mão no bolso traseiro da calça do Murilo e me entregou a carteira que estava guardada ali.

– Vai gata garota! Boa sorte! – Ela me disse.

Sai correndo pelo salão em direção a porta de saída. Continuei correndo até a recepção do hotel e pedi para a atendente que estava no balcão que chamasse um táxi para mim com urgência.

Enquanto esperava o meu celular tocou. Era uma mensagem do Neymar.

“E aí diva? O jogo já saiu do zero a zero?” – Ele perguntava.

Enquanto caminhava em direção ao táxi que já me esperava na porta do Hilton, respondi.

“Ainda não, mas to indo virar esse placar agora”.


__________________________________________________
Notas finais do capítulo:
Ah... Não vejo a hora de escrever a continuação desse cap. Alguém vai querer arriscar o placar do jogo? kkkk
Já sabem né? Me contem o que acharam!
E quem é Luanita aí grita EU! kkkkkk

  
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Capítulo 29 - Em Londres

Notas iniciais do capítulo:
Hey girls.
Estou atrasada com a postagem, né?
Me perdoem.
O capítulo de hoje está morno, mas está bacana.
Temos mais uma participação especial hoje.
Lembrando que o próximo cap já será o penultimo da primeira fase!
Aproveitem,
 
__________________________________________________
Naquele dia embarquei para Londres com o coração despedaçado. Quase segui o conselho da Rafa e cancelei a viagem. Mas na última hora percebi que aquela não seria uma boa ideia. Eu tinha acabado de brigar com a única razão que me faria ficar no Brasil. A discussão com o Luan tinha acabado com todas as minhas defesas. O jeito agora era fugir para longe de toda aquela loucura. Eu precisava de um pouco de paz para colocar as minhas ideias em ordem.

Infelizmente, nem o frio de Londres conseguiu acalmar a minha mente. Minha cabeça fervilhava com o rumo que a minha vida havia tomado. Agora eu me questionava se eu não havia me precipitado ao terminar o meu namoro com o Luan daquela maneira. É que tudo aconteceu de uma maneira tão rápida... De repente eu me vi encurralada, responsável por decidir o futuro não só da minha carreira, mas também o futuro profissional do Murilo. Naquele momento, aquela parecia ser a única decisão que eu poderia ter tomado. Mas agora, depois daquela briga com o Luan, depois de saber que ele tinha outra, depois de finalmente perceber que o mundo não girava só em torno de mim, eu sentia medo. Medo de ser apenas uma garotinha mimada, que sempre tinha tudo o que queria, que não precisava batalhar para conquistar suas próprias coisas. Parecia que fazia uma eternidade que o Murilo havia me dito tudo aquilo. Eu me lembrava como se fosse hoje. Nós trancados no banheiro do Prêmio MultiShow discutindo. Até hoje eu não sabia quem havia me mandado os e-mails que me fizeram romper com ele. Mas isso nem importava mais. Tanta coisa já tinha acontecido desde o final das gravações de Malhação. Minha vida já não fazia mais sentido até mesmo para mim.

Para piorar ainda mais a minha frustração, nem um oceano de distância conseguia me fazer parar de pensar no Luan. “Tua ausência fazendo silêncio em todo lugar”, aquela estrofe da música que eu tinha cantado para o Lú no dia que ele me pediu em namoro era uma das frases que definiam bem o que eu sentia por ele. A outra que caia bem para o momento era “Só enquanto eu respirar vou me lembrar de você...”

O jeito era tentar me distrair de outras maneiras. Me dediquei ao máximo ao curso de interpretação no qual me matriculei. Os professores me elogiavam bastante, diziam que minha evolução era incrível.

Nas horas vagas eu me dedicava ao meu violão. A Rafa havia alugado para mim um quarto em uma espécie de pensão, em um bairro tradicional de Londres. Da janela eu conseguia ver o movimento do bairro, as pessoas passando pela rua, seguindo suas vidas. Só eu estava ali, parada no mesmo lugar.

***
Em uma tarde eu voltei mais tarde para casa. Fazia um frio tremendo e eu precisava de uma luva nova, ou meus dedos congelariam. Passei em uma loja que vendia aquele tipo de acessório e depois segui para a pensão. Eu gostava de frio, mas aquilo era demais até para um pinguim.

Passei pela recepção, peguei a minha chave e subi para o meu quarto que ficava no terceiro andar.

Abri a porta e quase cai para trás, tamanho foi o susto que eu levei.

– SURPRESAAAAAAAAAAAAAAA! – Alguém gritou de dentro do quarto.

Depois de me recuperar do choque, dei dois passos para dentro do cômodo e encostei a porta. Menos de um segundo depois alguém pulou no meu pescoço me abraçando.

– Rafa, Rafa... Se controla! Rafa, você vai me sufocar! Rafaeeeeela, chegaaaaa! – Precisei grita para me impor.

–Parabéns gata garota! Muitas felicidades e muitos anos de vida! – A Rafa falava super animada.

– Parabéns? Felicidades? Que dia é hoje, Rafa?

– Aqui em Londres, exatamente, eu não sei, porque tem esse fuso-horário maluco. Mas no Brasil é dia 13 de outubro, dia que a minha gata garota predileta completa 20 anos! – Ela pulou no meu pescoço de novo.

Puts, eu andava tão desanimada com a minha vida que tinha esquecido do meu aniversário! Esse era o tipo de coisa que só acontecia comigo.

– Vem, vem, vamos aos presentes. Tem um monte de embrulhos para você abrir – A Rafa me puxou para um pequeno sofá que havia próximo a janela.

– Primeiro os dos meninos. Esse é o do seu irmão – Ela disse puxando e abrindo uma mala que estava depositada ali perto. De dentro dela, ela tirou um embrulho de tamanho médio embrulhado em papel de presente e me entregou.

Rasguei o embrulho e abri a caixa. Era um “afinador” para violão. Dentro da caixa também havia um livro chamado “Dicas para tocar bem”.

– Ele disse que como você resolveu voltar a tocar violão, esses presentes seriam muito úteis – A Rafa me explicou.

– E você e ele? Não rola mais? – Quis saber.

– Não sei, Any. Nós andamos ensaiando uma reconciliação. Aliás, era para ele estar aqui em Londres comigo, mas tinha um compromisso de trabalho. – A Rafa mexeu nos cabelos antes de continuar – Mas eu não sei... Tem alguma diferente entre nós. Sei lá, acho que não dá mais para ser como era antes.

– E o Murilo tem alguma coisa a ver com isso? – Essa era a pergunta que não queria calar.

– O Baby? Mágina... Não, não... – A Rafa riu, nervosa – Aliás, falando no Bebê, aqui está o presente dele – Ela tratou logo de mudar de assunto.

Peguei o pacote e abri. Era a coleção completa de DVDs dos filmes do Harry Potter. No cartão estava escrito “Coragem e ousadia. Somos da Grifinória”. Ultimamente eu estava mais para Murta que Geme, pensei comigo mesma.

– Agora você vai poder assistir ao último filme que você não pode ver por causa das gravações em Ribeirão – A Rafa leu meus pensamentos.

– Esse aqui veio direto da Argentina. É o presente da Dona Clara – Ela continuou.

Era um pacote grande e pesado. Eu já poderia imaginar o que era.

Dentro do embrulho estava um caderno com capa de couro e páginas com tons amarelados. A encadernação era do tipo brochura. Havia um pequeno fecho preso à capa.

– Isso é um diário? – A Rafa quis saber.

– É sim. Já é uma tradição de família. Quando eu completei quinze anos a minha mãe me deu o meu primeiro caderno de anotações. Desde então, de tempos em tempos ela me presenteia com um novo. Praticamente tenho um de cada lugar que ela já trabalhou – Expliquei.

– Que bacana! E por que eu nunca li esse diário? – Minha cunhada quis saber.

– E precisa? Você melhor do que ninguém sabe o que acontece na minha vida – Respondi rindo.

– Sei o que acontece na sua vida, mas não sei de tudo o que se passa na sua cabeça e no seu coração – Ela tentou me convencer.

– Isso nem eu sei, Rafa...- Falei com um tom um pouco triste.

– Ah, não... Nada de tristeza agora. Até porque o melhor presente vem agora. Querida, se prepara – De repente ela se animou mais que o normal.

Ela tirou da bolsa um livro com uma foto minha na capa. Segurei a publicação nas mãos e fiquei de queixo caído com o que eu vi.

O título do livro era “Como se tornar uma gata garota – Dicas de moda, beleza, cabelo e maquiagem para você arrasar”. Na foto da capa eu vestia um vestido branco com detalhes em prata. Eu me lembrava daquele dia. Foi durante a viagem para Nova York, quando eu o Luan fugimos da festa juntos.

– Rafa, esse é o seu livro? – Perguntei ainda sem acreditar.

– Siiiiim. Você gostou? – Ela quis saber.

– Meu Deus Rafa, está lindo, perfeito, digno de uma gata garota! – Eu folhei a publicação. Nas páginas, além de texto, havia várias fotos e figuras. A formatação havia ficado bem leve e espaçada, o que não dificultava a leitura.

– Esse é o primeiro exemplar. Fiz questão de entregá-lo de presente para você. Afinal, se não fosse a sua ideia nós não teríamos livro – A Rafa sorriu – Fiz até uma dedicatória  – Ela apontou para a capa.

– Rafa, você é a melhor cunhada do mundo – Dei um abraço muito apertado nela. Eu tinha ficado muito contente com a homenagem. Só depois que nos soltamos foi que me dei conta de uma coisa.

– Rafinha, agora que você não é mais a minha cunhada, afinal você não voltou oficialmente com o meu irmão, eu vou te chamar do quê? – A questionei.

– Que tal me chamar de amiga? – Ela sugeriu.

– Topado! – Respondi e nós sorrimos juntas.

– Todo mundo queria vir te dar os parabéns, mas você proibiu as visitas, não é mesmo? Mas acho que mesmo assim deu para animar um pouco o seu aniversário, não foi? – Ela disse mudando de assunto.

– Rafa, não tem mais nenhum presente? – Estava sentindo falta de uma pessoa.

– Não Any, o de todo mundo está aqui. O meu, o do Caio, o do Bebê e o da sua mãe.... Ah... você está querendo saber do Luan? – Ela se deu conta quem estava faltando. Concordei com a cabeça.

– Desculpa Any, mas não tenho falado com o Luan. Ele anda super envolvido com o trabalho dele, e com outros assuntos não tão profissionais. Nós acabamos perdendo um pouco o contato – Os assuntos não tão profissionais eu poderia imaginar que, na verdade, se tratava da Cacau. Senti toda a minha animação evaporando de dentro de mim.

– Ahhh nãão... Ninguém vai ficar triste no dia do aniversário. Vamos animar isso aqui – A Rafa caminhou até a cama e pegou um notebook que estava depositado ali. Pelo jeito ela já devia estar o usando antes de eu chegar, porque o computador portátil já estava ligado.

A Rafa digitou algumas palavras no teclado. Segundos depois uma música começou a tocar.

*** Link para a música - http://www.youtube.com/watch?v=gJLIiF15wjQ ***

– Que loucura é essa Rafinha? – Reconheci a batida depois de algum tempo. Era uma música das Spices Girls.

– Vem gata garota, se solta – A Rafa me puxou para o meio do quarto e começamos a dançar como loucas. Mexíamos as mãos, as cabeças, as pernas sem se preocupar em seguir uma coreografia. Se alguém entrasse naquele momento, pensaria que estávamos no meio de um ataque epilético.

Depois que a primeira música acabou, colocamos outras para tocar na sequência. Continuamos seguindo a nossa louca coreografia por um bom tempo até cairmos esgotadas no sofá.

Tão cansada que eu estava, só consegui mexer um pouco a minha cabeça para a lateral, onde ficava a mesa do telefone. Ao lado do aparelho ficava a secretária eletrônica que estava com uma pequena luz vermelha piscando.

– Alguém ligou enquanto estávamos dançando – Falei tentando recuperar o fôlego.

– Deve ser o Bebê querendo saber se eu já cheguei – A Rafa também mal conseguia falar.

Quase me arrastando, me levantei e fui até a mesa. Apertei o botão “play” para que a mensagem começasse a tocar.

– “Oi Ní, tudo bem com você?” – Eu conhecia aquele sotaque – “Mais uma vez você viajou e eu precisei ficar aqui no Brasil caçando o seu telefone para falar contigo. Liguei para te desejar muitas felicidades e alegrias e que você continue essa pessoa maravilhosa e doce que você é.

Queria poder te dar um abraço agora, mas espero que você esteja bem e aproveitando a sua viagem. Deve ser coisa de gente granfina viajar tanto assim para o estrangeiro – Ele deu uma risada sem graça.

– É isso, muitas felicidades, saúde, sucesso e que Deus te ilumine. – Momento de silêncio – Éééé... Queria aproveitar também para te pedir desculpas. A última vez que nós nos encontramos você ficou brava porque eu falei da Cacau na sua frente. É que eu queria te deixar com ciúmes. Pelo jeito deu certo, né? Mas eu não queria ter brigado com você. Espero que você possa me desculpar.
É isso, beijo linda” – Ele desligou sem dizer quem era. Típico de Luan.

Fiquei parada em frente ao aparelho. Tudo aquilo era só para me fazer ciúmes? Eu mal podia acreditar.

– Dessa vez não fui eu! Nem vem me culpar! Você mandou eu não passar o número de telefone para ninguém e eu não passei – A Rafa se defendeu – Mas eu sabia que o galã meteórico ia ligar. Eu apostaria isso com qualquer um... – Ela terminou a frase comemorando com as mãos.

A secretária fez um pequeno barulho sinalizando que tocaria a próxima mensagem. Ficamos em silêncio para escutar.

“ Oi Any, imagino que a Rafa já esteja por aí, certo? Então me faz um favor? Avisa para ela que o plano deu certo. O meteoro entrou em órbita. Beijo”.

– Você pode me explicar qual plano era esse? – Me virei para a Rafa fazendo uma cara de brava.

– Você disse que eu não poderia passar o telefone para ninguém, mas não falou nada sobre o Murilo. Então, antes de viajar, eu deixei meu celular com ele, caso acontecesse alguma emergência. Foi aí que o meteoro entrou em órbita – Ela riu, e eu não pude deixar de rir também.

No final das contas, o plano não tinha sido tão má ideia assim.

***

Faltava apenas 10 dias para eu voltar para o Brasil, por isso a Rafa resolveu ficar em Londres para me fazer companhia e me ajudar a organizar as malas.

Ter a companhia da minha empresária me deixou bem mais animada. Outra coisa que ajudou a melhorar bastante o meu astral foi a mensagem que eu recebi do Luan. Apesar de ter ficado brava com ele por causa daquela história de ciúme, eu não podia negar que estava muito contente por ele não ter esquecido o meu aniversário.

***


O dia do retorno para o Brasil finalmente chegou, e eu a Rafa seguimos logo pela manhã para o aeroporto. Fazia frio nas ruas de Londres.

Já havíamos comprado as passagens e feito o check-in, por isso procuramos um local calmo do aeroporto para esperarmos o horário da nossa decolagem. Escolhemos uma cafeteria que havia por ali e pedimos dois chocolates quentes.

– Diva, você por aqui?! – Alguém falou comigo enquanto eu esperava pela minha bebida.

– Neymar?! O que você está fazendo aqui?- Me espantei.

– Vou fazer um jogo amistoso pela seleção amanhã. Mas você acredita que eu me perdi do resto do pessoal que veio comigo?

– Caramba, ainda bem que por aqui ninguém te conhece muito bem. Senão esse lugar já estava lotado de Neymarzetes – Brinquei.

– Falando nisso, e o Luan, como está? Vocês estão juntos? – Ele realmente precisava fazer aquela pergunta?

– Não, nós não estamos juntos – Respondi triste.

– Mas por que, diva? Vocês combinam tanto. Fala sério, tenho certeza que o cara é louco por você – Ele me incentivou.

– Eu não teria tanta certeza assim. Na verdade, eu acho que ele é louco é por outra – Desabafei.

– Anita, fala sério, eu duvido disso. Eu acho que você precisa chegar junto e marcar a sua posição. Tenho certeza que isso vai resolver esse seu problema. Agora eu preciso ir. Tô vendo o resto dos jogadores ali, se eu correr eu ainda consigo alcançá-los.

– Hey, marca um gol para mim, hein? – Pedi

– Pode deixar. Mas não desiste não Diva, vai pra cima – Ele disse, já afastando para se juntar ao grupo de jogadores.

Eu e a Rafa embarcamos para o Brasil e horas depois desembarcamos em São Paulo. O Caio foi nos buscar no aeroporto de Sampa. Cumprimentei o meu irmão com um forte abraço. Já fazia um tempo que não nos víamos.

– Anita, é incrível, mas é só você voltar para o Brasil que você já começa a nos dar trabalho – O Caio disse depois que nos cumprimentamos.

– O que foi dessa vez? – A Rafa já perguntou, preocupada.

– Olha esse vídeo – Ele nos entregou seu tablet. Na tela estava um vídeo do Neymar em uma coletiva de imprensa na concentração da Seleção Brasileira. Paramos para assistir as imagens.

– Neymar, você foi flagrado hoje conversando com a atriz Anita Tunice no aeroporto de Londres. Será que teremos mais um grupo de fãs, as Neymaritas? – Um repórter perguntou para ele.

– Não, não, eu sou Luanita de carteirinha. Eu estava apenas dando alguns conselhos para a Anita – O Neymar respondeu.

– E quais conselhos eram esses? - O repórter insistiu.

– Futebolisticamente falando, a diva está com problemas na parte de finalização. Eu acho que ela deve driblar essa zagueira, invadir a área e partir pro gol. Vai pra cima, Anita!

O vídeo terminava com essa resposta do Neymar. Sorri com o jeito de muleque dele.

Naquele momento tomei uma decisão. Seguiria o conselho do craque.
_____________________________________________________________________

Notas finais do capítulo:
E aí, curtiram?
Meninas, por causa dessa correria de final de ano estou com problemas para postar. Por isso criei um twitter para a fic. Assim mantenho vocês informadas sobre os capítulos. Quem quiser seguir: http://twitter.com/#!/Manudantas_diz ou @Manudantas_diz
E ahh.. me contem oque estão achando, ok?
Bjos

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Capítulo 28 - Parte de mim

Notas iniciais do capítulo:
Atenção garotas,
Vai rolar a primeira D.R. do casal Anita e Luan.
Preparem-se....
P.S: Caprichei no capítulo para comemorar a primeira Recomendação que recebi no site. Dei pulinhos de alegria! kkk
Aproveitem!
___________________________________________

Olhei para o lado. A expressão do Murilo era de puro pânico. Coitado, com certeza ele estava lembrando da última vez que nós três, eu, ele e Luan, tínhamos nos encontrado. Eu tinha subido ao palco para cantar uma música com o Lú e ele tinha terminado no hospital em coma alcoólico. E era por causa desse encontro que hoje nós nos encontrávamos naquela situação.

– E então Luan, você gostaria de ouvir uma declaração tão bonita quanto aquela que a Anita fez antes da música? – A Ana Maria perguntou para o Lú. Mal sabia ela que a pessoa para quem eu tinha dedicado a canção estava na sua frente.

Não pude evitar olhar para o Luan nesse momento. Parece que ele teve a mesma ideia que eu, porque nossos olhares se cruzaram. Sorrimos juntos. Aquela era uma espécie de piada interna que só nos dois entendíamos.

–Pois é Ana, muito bacana mesmo essa dedicatória. Se fosse comigo, eu me sentiria a pessoa mais feliz do mundo em saber que tem uma garota dessas – ele gesticulou em minha direção – que sente algo tão bonito por mim.

Senti meu rosto ficar vermelho. O Murilo mal respirava ao meu lado de tão tenso que estava.

– Meninos, eu chamei o Luan aqui hoje por causa da música do filme. É você que canta, não é? – A apresentadora apontou para o Lú indicando que estava falando com ele.

– Pois é Ana, “Adrenalina”, é tema da personagem da Anita, a Babi – O Luan respondeu. Ele me parecia um pouco sem graça com aquela situação.

– Nós temos um vídeo aqui, gravado durante um de seus shows Luan, exatamente dessa música. Produção, coloca na tela para a gente ver. – A apresentadora pediu.

O vídeo começou a rolar no telão que ficava na parte de trás do estúdio. Nas imagens aparecíamos eu e o Luan cantando juntos no dia do show de Ribeirão Preto.

Enquanto o vídeo passava, o pessoal do programa pediu para que a Ana Maria e o Luan se juntassem a mim e ao Murilo na mesa do café. Para minha completa sorte, o Lú ficou justo na cadeira ao meu lado. Alguém precisava avisar para a produção que a carne era fraca. Daquele jeito eu não agüentava...

O Luan sorriu sem jeito para mim. Na hora de me cumprimentar ele ficou perdido. Não sabia se me abraçava, se me beijava no rosto. No fim ele apenas me disse um “oi” de longe.

– Gente, como vocês cantam bem juntos. E também formam um belo casal, você não acha, Loro? – O pessoal do filme naquele momento devia estar a ponto de matar a Ana Maria. Com certeza a tag #Luanitas já deveria estar entre as primeiras do Twitter.

- Aninha, você bem que podia pedir para eles cantarem para a gente, né?- O Loro sugeriu

– Ótima ideia, Lorinho. Será que vocês podem cantar a música do filme para a gente?

Eu e o Luan nos encaramos por alguns segundos. Será que ainda tínhamos a mesma química da época do show de Ribeirão?

– Ah Ana, que pena, mas eu não sei tocar essa música no violão – Menti na cara de pau. O Luan me olhou assustado e quase acabou me entregando. Ele já ia abrindo a boca para me lembrar que havia me ensinado os acordes de “Adrenalina” durante a nossa viagem a Campo Grande, mas eu o interrompi.

– Mas eu sei tocar outra música do Luan. Pode ser essa aqui? – Olhei para ele e comecei a tocar os acordes de uma canção que eu conhecia muito bem. O Luan demorou alguns segundos para descobrir qual era a música, mas assim que reconheceu as notas ele abriu um sorriso.

*** Link para música - https://www.youtube.com/watch?v=MxwZ66L9RQI ***

Comecei a cantar enquanto tocava.

“Vi seu sorriso em meu sonho
Segui seu rastro na areia do deserto
Eu escutei sua voz ao vento
Senti seu cheiro cada vez de mim mais perto”



O Luan tinha dedicado aquela música para mim durante o show em Nova York. Depois de me lembrar da nossa viagem para Porto Alegre, um dos momentos mais felizes da minha vida, eu não poderia deixar de tocar aquela canção. Nova York foi o lugar onde nós ficamos pela primeira vez.


“Virei um louco, meio obcecado
Pra te encontrar em algum lugar do mundo
E mesmo sem nunca ter te tocado
Me pertencia, bem lá no fundo”


Ele cantou a segunda estrofe. Pela sua expressão, ele também estava lembrando a nossa viagem para NY.

“Sinais, me mostraram o caminho até você
Vagalumes guiam-me sem perceber
E no fim da estrada uma luz parece ser você

Sinais me ajudaram a perceber,
o meu caminho é você
E ninguém no mundo vai fazer eu me sentir
de novo assim

Sinais vindos de um lugar tão longe,
às vezes se escondem
No farol, em uma ilha,
Numa noite tão vazia eu beijei você
Até o amanhecer”


Cantamos as últimas estrofes juntos. Eu fazia um enorme esforço para não esquecer que estava em um programa de TV, que existia o contrato com o pessoal do filme, e que tinha terminado com o Luan... Tudo o que eu queria era pular no pescoço dele e cobrir-lo de beijos.

Enquanto eu tocava e nós cantávamos nada poderia nos afetar. Tudo ali estava perfeito, não importava que nós não estivéssemos juntos de verdade. Naquele momento eu sabia que ele não tinha me esquecido, mesmo eu terminando o nosso namoro de uma maneira tão estranha.

Mas a música acabou, e a entrevista precisava continuar.

– Só músicas românticas no programa de hoje. Estou sentindo que o amor está no ar, não é Murilo? – A Ana direcionou as atenções para o Mú. Ainda bem, porque meu coração estava disparado demais para eu conseguir dizer qualquer coisa.

Enquanto a apresentadora falava com o Murilo, aproveitei para tomar um gole de suco. Minha boca estava completamente seca.

Depois que bebi, coloquei o copo novamente sobre a mesa e me virei para colocar o violão encostado na parede atrás de mim. Provavelmente ninguém me pediria para cantar mais nenhuma música. Quando voltei para a minha posição normal, percebi que o Luan estava bebendo o resto de suco que havia ficado no meu copo.

– Hey, esse copo é meu – Curvei o meu corpo na direção do Luan e sussurrei para não interferir na conversa do Murilo e da Ana Maria.

– Sério? Eu nem percebi – Ele disse também curvando o seu corpo na minha direção.

– Você já se deu conta que você sempre quer beber as coisas do meu copo? Primeiro foi a minha água lá em Nova York. Depois foi de novo água lá no Prêmio Multi Show, e agora o suco.

– Memória boa, hein? Eu não me lembrava disso... – Ele balançou os ombros.

– Sério que você não lembra? – Tentei, sem sucesso, parecer despreocupada.

– Me lembro de outras coisas, mas disso não...

– O que, por exemplo? – Perguntei curiosa.

– Lembro que você prometeu me devolver a camisa que você estava usando no vídeo que a Rafa colocou na internet, mas ainda não devolveu – Nossa, nem eu me lembrava que tinha que devolver aquela camisa.

– Você viu o vídeo? – De repente me lembrei do porquê a Rafa tinha postado aquilo na internet.

– Vi. E estou com uma dúvida. Quem será a pessoa para quem você dedicou aquela música? – Ele arqueou uma das sobrancelhas para dar mais ênfase na questão. Ai Deus, a tentação era demais...

Olhei para frente tentando prestar atenção no que a Ana Maria perguntava para o Murilo. Pelo que entendi da conversa, ela o elogiava em relação ao seu estilo de se vestir. Com certeza a Rafa devia estar muito feliz com aquele comentário. Foi ela quem comprou todo o guarda-roupa do meu colega de trabalho.

– Vai me deixar curioso? – o Luan insistiu.

– Tem algum palpite? – Arrisquei. Continuávamos sussurrando um para o outro.

– Se eu acertar, o que eu ganho com isso? – Ele estava disposto a jogar.

– O que você quer em troca? – Entrei no jogo dele.

– Não sei. Você propôs o desafio, você escolhe o prêmio – Ele não iria dar o braço a torcer.

– Eu te dou esse direito. Se você acertar, você escolhe o prêmio – Eu não iria facilitar as coisas.

O Luan mexeu nos cabelos, nervoso. Ele estava ponderando se deveria ou não arriscar aquela resposta.

– Luan, eu já fiz a pergunta para o Murilo, mas e você? Como está o seu coração? Nós percebemos aqui hoje que você e a Anita são super românticos, não é Loro? – Sempre tinha alguém para ser “empata love”...

– Eu estou solteiro Ana, não estou com ninguém no momento – Ele respondeu.

– Mas eu ouvi uns boatos por aí, que você e a ex-BBB Cacau andam se conhecendo melhor, que ela, inclusive, te visitou no seu camarim durante um show em São Paulo – A apresentadora insistiu.

– Então, a Cacau é uma grande amiga e tem sido muito minha companheira nesses últimos tempos. Estamos nos conhecendo, e eu gosto muito de ter a companhia dela ao meu lado. Ela é uma pessoa muito especial – Ele falou um pouco receoso.

Ouvir aquilo foi como uma balde de água fria em uma chama que estava renascendo em mim. Ele realmente precisava falar da outra na minha frente?

Durante o resto da entrevista eu fiquei ali, presente apenas com o corpo, porque a minha mente foi muito longe. Por um instante eu cheguei a pensar que eu e o Luan poderíamos ter uma chance novamente, mas pelo jeito como ele falou da Cacau, eu já o havia perdido há muito tempo. Como eu tinha sido tola de pensar que ele ainda sentia algo por mim?

***

O programa mal tinha terminado e eu já tinha saído “voando” do estúdio sem me despedir do Luan. Corri para os bastidores e avisei a Rafa que queria ir embora o mais rápido possível.

– Tudo bem Any, o motorista que nos trouxe está esperando lá fora. Pode ir indo para o carro. Eu só preciso dar algumas instruções para o Bebê. Você se lembra que hoje ele vai fazer aquele teste para a nova novela das 9h, né? – A Rafa estava eufórica com aquele teste desde a semana passada – Vai indo que eu já te encontro – Ela me dispensou.

Saí do estúdio e caminhei até onde o motorista nos esperava. Eu começava a desconfiar que a Rafa estava se “dedicando” demais ao Murilo...

Entrei no carro e comecei a procurar meu mp3 na mochila. Eu precisava encontrar uma maneira de relaxar. Aquela entrevista foi tensa demais. Coloquei os fones e escolhi uma música para tocar. Fechei os olhos tentando me desligar do resto do mundo.
Menos de um minuto depois ouvi alguém abrindo a porta do carro. Deveria ser a Rafa. Que bom, assim nós iríamos logo para o aeroporto.

– Preciso falar com você – Alguém falou depois de puxar um dos fones do meu ouvido.

– Luan?

– A Rafa me disse que você vai viajar de novo.

– Sim, estou indo hoje para Londres...

– Mas eu achei que você ficaria por aqui, agora que as gravações terminaram – Ele mal esperou eu terminar de falar.

– Pois é, mas achou errado – Respondi, curta e grossa.

– Ní, a gente precisa conversar. Até hoje eu não entendi o que aconteceu entre nós. Você me mandou aquela carta, não me atendeu mais depois disso, aí na semana passada aparece aquele vídeo na internet – Ele disse rápido, como quem não agüenta mais aquela situação.

– E isso realmente importa? Achei que você só se interessasse pela Cacau, a sua melhor amiga – Eu não tinha engolido aquela discurso de “apenas amigos”.

– E o que você queria que eu dissesse? Que eu tinha uma namorada, mas ela me deixou e que eu ainda estou aqui, esperando, mesmo sem saber o motivo dela ter terminado comigo? – Ele falou, nervoso.

– Você poderia pelo menos não ter falado nada sobre ela na minha frente – Tentei me defender.

– O que você quer afinal, Anita? Hoje, durante o programa você dedicou uma música para mim, e eu achei que a gente ia se acertar, estávamos nos dando tão bem... Mas no final você foi embora e nem me falou tchau. O que acontece com você? Desse jeito eu não agüento, isso é demais para mim! – Ele continuou falando em um tom de voz um pouco alterado.

– E a Cacau? Ela também é demais para você? – Falei amarga.

– Não coloca a Cacau no meio disso. O meu assunto é com você – Ele respondeu sério.

– Resposta errada. Ela já está no meio disso! E eu acho que eu e você não temos mais assunto nenhum em comum – Disse seca.

Permanecemos em silêncio por alguns segundos. Ele não disse mais nada, e eu não tive coragem para continuar aquela discussão. A minha última resposta devia ter o convencido, porque ele saiu do carro batendo a porta.

No instante em que ele me deixou sozinha senti os meus olhos se enchendo de lágrimas. Eu não queria acreditar que tudo iria terminar daquela maneira. Com uma discussão idiota por causa de uma ex-BBB qualquer.

A Rafa entrou no carro e começou a tentar me acalmar. Ela deitou minha cabeça no seu colo e acariciou os meus cabelos. Eu chorava desesperadamente. Parecia que alguém havia arrancado um pedaço de mim e que aquele vazio nunca mais seria preenchido.

Minha cunhada deu ordens para que o motorista seguisse para o aeroporto. Já estava quase na hora do meu embarque.

Pela janela percebi que uma forte chuva começava a cair lá fora. Dentro do carro, as minhas lágrimas encharcavam o meu rosto.

Recoloquei os fones no meu ouvido tentando encontrar alguma maneira de parar de chorar. Estava tocando uma seleção de pop/rock do tempo que eu só escutava aquele gênero de música.

*** Link para música - http://www.youtube.com/watch?v=uY7HdQQU6V8 ***

Prestei atenção na letra, era uma música do NX Zero, que dizia “Porque toda vez que você sai, parte de mim também se vai...”

Nunca uma música fez tanto sentido para mim.
_____________________________________________
Notas finais do capítulo:
Gatas garotas,
Não se esqueçam que o lema desse casal é - Depois da tempestade sempre vem um lindo dia de sol. Então, não preciso dizer mais nada, não é? Esperem que o temporal vai passar! kkkk
Outra coisa,
Tive uma ideia para uma segunda temporada da nossa história.
Conto com detalhes para vocês no prox cap. Mas eu topo escrever, se todo mundo topar continuar lendo. O que acham?
É isso meninas,
Me digam o que acharam do capítulo!
Beijo,
Bom FDS para vocês!


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