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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Recomendações - Incondicional

Recomedação feita pela leitora"Mimimi":

"Gente eu tenho que indicar essa história.

Não tem um comentario meu nela, mas ela merece.
Não sou fã do luan, modestia parte nem quero, mas a história é linda.
Manu vc mandou mto bem...
No começo eu não queria ler e pensei que ia ser chato, mas ela se mostrou linda.
Podem esquecer a garotinha perfeitinha e apaixonada. apresento a vcs Cristal, garota racional e que é real.
Gente eu me apaixonei pelo modo caipira dele falar,mto fofo...
E cris, garota vc arrasou, deu a volta na vida com tudo.
Ela é um exemplo de superação e realidade que existi no nosso pais.
Talvez se não fosse pelo cantivante jeito dos personagens eu jamais teria lido a história, confesso que não sou fã de histórinha de fã, mas tem algo mais. algo completamente original e unico nessa história.
Por isso, indico a vc Incondicional.
Ate onde vc arriscaria por um amor?

obs: cristal larga logo esses acordos, isso são mta furada kkkkkkkk

então ficou o recado: quem quiser saber como seria se apaixonar por alguem totalmente oposto e famoso, dê um clique aí"



*** Quer fazer uma recomendação para "Incondicional" também?

É só me mandar um e-mail (manudantas.trii@gmail.com) com o assunto "Recomendação - INC", ou deixe a mensagem ali nos comentários ( só não esqueça de me avisar que trata-se de uma recomendação!)


Sua mensagem será muito bem-vinda!  =]

 


 

Capítulo 29 - Todas as cores

Notas iniciais do capítulo:
Meninas,
Último cap de Incondicional! Estou até emocionada!
Tem um recado gigante lá no final para vocês.
Por enquanto,
Aproveitem!

_____________________________________

Ponto de vista da Cristal

31 de dezembro de 2012

– E essa aqui, nega? Vai também? – Ouvi o Luan gritar do outro lado do quarto segurando uma das minhas camisas na mão enquanto eu lutava para organizar os meus sapatos em uma mala. Ele estava sem camisa, com os cabelos bagunçados e completamente concentrado na missão de me ajudar a organizar todas as minhas coisas. Ou seja, ele estava lindo.

Eu estava de mudança para o Paraná. Fazia menos de um mês que eu havia decidido trocar a minha vida na capital paulista por uma rotina mais tranquila em Londrina, onde eu poderia ficar mais perto do Luan em seus momentos de folga. Depois que me recuperei das minhas crises de pânico e do tiro que levei do Diogo eu não voltei a trabalhar no escritório. Achei melhor não misturar as coisas, e o Anderson apoiou a minha decisão. Quem não curtiu muito foi a Dagmar que teve que encontrar uma substituta para ocupar a minha vaga às pressas. Mas ela acabou encontrando alguém a altura e agora estava tudo certo.

Fiquei um tempo procurando emprego em Londrina e acabei encontrando um sem muitas dificuldades. Na verdade, foi sem dificuldade nenhuma! A dupla Fernando e Sorocaba, que era amiga do Lú e que também cuidava da carreira dele, estava precisando de uma assessora de imprensa. Como eu já tinha experiência na área e ótimas recomendações da Dag e do Anderson, acabei ficando com a vaga sem nem precisar fazer teste.

A mudança para o Paraná era a única coisa que faltava para eu abandonar o meu passado de vez e passar a curtir aquela nova vida que o Luan estava me proporcionando. Saindo daquele apartamento eu deixaria de vez todas as lembranças, as cicatrizes e as mágoas e estaria livre para viver novamente. Era como se eu fosse uma tela em branco que eu começaria a pintar com as minhas próprias cores dali em diante.

Parei de lutar com os meus sapatos e ri sozinha. Ali, naquele mesmo quarto, há alguns meses atrás eu justamente havia pensando que a minha vida começou a ganhar cor, mesmo que fossem alguns traços pálidos, depois que conheci o Luan. Ironia do destino, ou não, era junto dele que eu passaria a colorir a minha vida dali em diante. E tudo indicava que aquele quadro seria repleto de tons fortes e vibrantes.

– Ô Cristal, e esse shortinho aqui, vai também? – O Luan gritou do outro lado do quarto me tirando dos meus devaneios. Ele estava realmente muito empenhado em me ajudar a organizar a mudança que eu levaria para Londrina – Aliás, nega do céu, porque eu nunca te vi com esse shortinho? Deve ficar lindo em você... – Ele riu, fazendo cara de safado.

– Deixa de ser terrível, Luan. Bota esse aí na mala também e se concentra na sua missão – Falei, me fingindo de brava. Eu sabia que se desse mole nós não terminaríamos nunca aquela organização e eu precisava entregar as chaves do apartamento no dia seguinte.

– Ô brabeza, viu... – Ele disse se fingindo de chateado enquanto continuava a tirar as minhas roupas do armário – Ó, essa aqui vai, né? Eu gosto dela! Foi a saia que você usou no dia que a gente dançou junto – Ele comentou enquanto apontava para uma peça de roupa que estava em suas mãos.

– Tá bom de memória, hein? É essa saia mesmo! – Respondi animada.

– Hum... Tô lembrando de você dançando aquele dia. Ô amore, liga o som aí, bora fazer o nosso bailão aqui – O Luan ficou todo animado com a proposta e já foi até o rádio, que naquelas alturas já estava jogado no chão perdido no meio da bagunça de malas e roupas, para colocar uma música. Ele procurou a canção que queria no meu MP4 e conectou o aparelho no som antes de aumentar o som no ultimo volume.

*** Link para a música– https://www.youtube.com/watch?v=oFNjBoF0alc *** (Pulem o trecho que ele fica falando no começo da música).

– Vem nega – Ele me puxou para perto dele e juntos entramos no ritmo do forró. Abrimos um espaço entre a cama e a porta, colocamos toda a bagunça de lado e simplesmente nos deixamos levar pela levada da música, do mesmo jeito que fizemos naquela noite que dançamos juntos na churrascaria. Nós girávamos e improvisávamos os nossos próprios passos arrumando espaço no quarto bagunçado.

– “Passe o tempo que for eu vou ser seu amigo...” – O Luan cantou para mim enquanto dançávamos.

– “Será que é sonho ou realidade?” – Emendei, feliz, deixando o Luan me conduzir pelo quarto.

– “Não sei não, mas agora eu vou levitar, levitar” – Ele cantou logo depois de mim.

– “Vou voando te encontrar. Levitar, Levitar, nos meus sonhos vou te amar” – Cantei, desafinada, já quase no final da música.

Demos um último giro e paramos juntos quando a música acabou e o quarto voltou a ficar em silêncio. Eu respirava pesadamente enquanto o Luan me puxava para perto dele. Os dois riam da cena que tínhamos acabado de vivenciar no quarto.

– Ah nega, como eu gosto de estar com você – Ele disse me abraçando.

– Você e seu incrível talento de me deixar sem ar – Falei tentando fazer graça enquanto fazia esforço para respirar. Eu estava completamente fora de forma desde o período que fiquei de repouso na casa dos meus pais, e por isso estava quase colocando os “bofes” para fora só por ter dançado uma única música.

– Ô amor, “cê” ainda tá muito fraquinha. Desse jeito você “num” guenta me acompanhar, não... – O Luan fez graça da minha situação – Vem cá, senta aqui na cama um pouquinho pra tomar um ar.

– Luan, não me enrola, a gente tem que terminar de arrumar essas coisas – Tentei me manter firme.

– Deixa de ser “braba” muié! É só um pouquinho... – Não tive chance de reagir. Ele me pegou no colo e sentou comigo na cama. Respirei fundo. Eu sabia que nós poderíamos fazer qualquer coisa juntos daquele jeito, menos terminar de arrumar as minhas malas.

– Eu já te falei que essa sua mania de ser o “fortão” me irrita? Vou pedir para o Guto diminuir esses seus treinamentos. Já tá bom de músculos, já... – Falei irritada tentando escapar daquela posição. O Luan, claro, não me soltou. Infelizmente, ou felizmente, ele estava forte demais para eu medir forças com ele, por isso tive que desistir e me dar por vencida.

– Vai falar agora que você não gosta, é Cristal? – Ele provocou me segurando ainda mais forte e me fazendo perder o ar. Não por causa do aperto, e sim porque eu adorava quando ele me abraçava com aqueles braços fortes.

– Tá bom, tá bom... Eu assumo! Você sabe que eu adoro quando você me segura desse jeito – Confessei.

Ele riu convencido e me deu um beijo rápido na boca. Bom, agora eu tinha certeza, ele estava afim de me provocar.

– Mas e aí, já decidiu certinho o que vai fazer com o apartamento? – Ele retomou a conversa como se nada estivesse acontecendo. Respirei fundo e precisei usar todo o meu talento para não pular no pescoço dele e continuar o beijando.

– Já. Como eu já aluguei o imóvel mobiliado, os móveis ficam por aqui mesmo. As minhas roupas e tudo que for importante vão comigo pra Londrina. O resto, como as coisas da cozinha, a roupa de cama, as cortinas, eu já levei para a casa da Dona Martha – Consegui responder. Eu iria levar todas as minhas coisas para o Paraná no carro novo que eu tinha comprado. Aquilo fazia parte do processo de “deixar o passado para trás”.

– Preparada para a sua nova vida lá no “Paranazão”? – Ele perguntou.

– Mais do que preparada – Sorri, confiante – Acho que essa é uma ótima oportunidade de recomeçar... Sabe, depois de tudo o que aconteceu, depois de quase morrer, eu passei a dar mais valor para tudo o que eu conquistei, para as pessoas que estão ao meu lado, para tudo o que eu tenho... É como se a vida passasse a fazer mais sentido para mim – Desabafei. Eu não evitava mais falar sobre o Diogo e sobre tudo o que ele me fez. Compartilhar a história me ajudavam a lidar com ela mais facilmente.

– Sei sim, minha linda – Ele me beijou suavemente como se quisesse de alguma forma me reconfortar por ter que conviver com tudo o que o Diogo me fez.

– E você já está preparada para ser anunciada oficialmente como a senhora Santana? – Ele me provocou rindo depois de se afastar encerrando o nosso beijo com um rápido selinho. Nós havíamos conversado com todo o pessoal da equipe e o Luan achou que já era hora de revelar para o público que nós estávamos juntos. As fãs já desconfiavam do nosso relacionamento e o Luan sempre disse que as suas “negas” seriam as primeiras a saber quando ele escolhesse alguém para ficar ao seu lado. A hora do anúncio oficial estava chegando, e eu estava morrendo de medo só de imaginar como seria.

– Acho que eu nunca vou estar preparada para esse momento... Mas eu sei que as suas fãs querem o melhor para você, então, se você for persuasivo o suficiente e conseguir convencê-las de que eu sou uma pessoa legal, talvez elas me engulam... – Falei, irônica.

– Tenho certeza que elas vão gostar de você. É como você disse, quando elas perceberem o bem que você me faz elas vão passar a apoiar o nosso namoro – Ele disse enquanto acariciava os meus cabelos.

– Mas não vai ser fácil... Até agora elas simpatizaram comigo por causa de todo esse rolo, mas quando elas nos verem juntos de verdade aí a coisa vai ficar séria – Falei me ajeitando ainda mais no seu colo.

– Ah, mas nada foi fácil pra gente, né Cris. Contar a verdade “pras” minhas “nega” vai ser moleza – Ele riu e eu tive que concordar. Nada tinha sido fácil pra gente e com certeza tudo continuaria sendo assim. Mas, no final das contas, eram as dificuldades que colocavam tempero na nossa relação.

– Bom, se você prometer que vai guardar sempre o melhor para mim, eu juro que vou segurar o meu ciúmes quando você chamar uma das suas fãs para dançar no palco com você – Falei o encarando nos olhos.

– Eu sempre vou deixar o melhor para você, sua bobinha – Ele disse antes de me dar um daqueles beijos capazes de fazer a minha cabeça rodar. Eu sempre perdia os sentidos quando ele me pegava daquele jeito e me fazia sentir a mulher mais amada do mundo. Quando dei por mim, nós estávamos deitados na cama, o meu corpo por cima do dele, as suas mãos no meu cabelo e as minhas acariciando as suas costas.

Era difícil voltar à realidade quando eu tinha o Luan todo para mim daquele jeito, sem precisar dividi-lo com fãs, com empresário, assessores, ensaio com a banda ou entrevistas para o rádio ou a TV. Mas, aquela história de tudo que é bom dura pouco se encaixava perfeitamente para a gente. Quando o Luan passou a sua mão pelo meu rosto me acariciando eu vi as horas no relógio no seu punho. Suspirei de frustação, mas não tinha jeito! Quando se namora com o Luan Santana, você também precisa assumir um compromisso com a sua agenda de compromissos. E naquele instante, a agenda dele dizia que o Luan tinha um voo marcado para Londrina. Ele iria passar a virada do ano na sua casa com os pais. Eu iria encontrá-lo no dia seguinte, depois de passar o Ano Novo com a Martha, “seu” João, Carlinha e todo pessoal do escritório.

– Lú, o seu voo... Você vai se atrasar! O Welligton não vai gostar nada disso – Falei, fazendo um tremendo esforço para me soltar dos seus braços e me sentar na cama.

– Voo? Que voo, Cristal? Vem cá nega, não me larga aqui sozinho, não... – Ele fez cara de “cachorro sem dono” me puxando para voltar a deitar na cama com ele. Mas eu continuei firme. Eu conhecia o Luan. Sabia que ele era ótimo em me enrolar só para ficar mais um pouquinho comigo. Eu precisaria checar aquela informação do voo direito.

– Luan, é sério! Lembra que você combinou com o Welligton e com o Castro que eu te levaria até o aeroporto às 15h para você embarcar no Bicuço? Já são 14h52! Nós estamos muito atrasados! – Falei, completamente desesperada depois que me lembrei que realmente tinha marcado aquele compromisso com o Welligton naquela manhã.

– Ah... Esse voo? – O Luan falou, completamente relaxado na cama – Eu cancelei e mandei o Castro e o Testa pra casa. Não vou voltar pra Londrina hoje – Ele me avisou enquanto mexia no cabelo.

Oi? Ele não ia voltar pra Londrina? Isso queria dizer que ele iria passar a virada do ano comigo?

Respirei fundo. Olhei para o Luan e fiquei sem saber o que falar. Eu simplesmente não conseguia assimilar o que ele tinha acabado de me dizer.

– Cancelou o voo? Não vai pra Londrina? Você... Você vai passar a noite comigo? – Consegui formular as perguntas ainda meio zonza.

– Isso mesmo! – Ele sorriu, e por um momento eu fiquei completamente deslumbrada com aquele sorriso – Vou pra Londrina de carro amanhã com você.

– E o Anderson e o Welligton deixaram você viajar comigo? – Eu ainda não acreditava em um milagre tão grande como aquele.

– Deixaram, ué! Eu já avisei a minha mãe e o meu pai também. Eles não gostaram muito da ideia, mas a Bruna me ajudou a convencê-los – Ele me explicou agora se sentando na cama ao meu lado. Acho que ele percebeu que aquela notícia tinha cortado completamente o clima.

– Nossa, eu nem sei o que falar... Luan, você deveria ter me avisado disso antes! Eu nem preparei nada... Não tem nada na cozinha pra gente comer... Aliás, eu nem tenho mais pratos, garfos e copos. Já mandei tudo para a casa da Martha – Eu comecei a ficar ainda mais desesperada conforme ia me dando conta da situação.

– Relaxa, a Marthinha já cuidou de tudo. Ela vai mandar umas coisas para a gente mais tarde... Pedi pra ela incluir suco de maracujá na lista. Assim você começa o ano beeem calminha – Ele brincou.

– Você e a Marthinha sempre conspirando contra mim – Respirei aliviada e agradeci mentalmente a Deus por ter colocado a Dona Martha no meu caminho. Amiga melhor que aquela eu nunca mais encontraria. Com certeza eu iria sentir a sua falta quando estivesse no Paraná.

– Conspirando não! Apenas bolando uma surpresa para você! Afinal, o meu amorzinho merece! – O Luan se aproximou de mim e fez cócegas na minha barriga só para me fazer sorrir. Acabei caindo naquele truque barato que ele sabia que sempre funcionava.

– Tá certo, então. Foi só uma surpresa... Mas tenho uma coisa muito séria para te dizer – Falei, depois que recuperei o fôlego da crise de risada causada pelas cócegas – Você sabe né, que a pessoa que você escolhe para passar o Réveillon ao seu lado é aquela que vai passar o resto do ano com você? – Eu disse, tentando caprichar na minha melhor expressão de Cristal séria.

– Não sabia disso não, mas para mim não tem problema! Passo o ano inteiro “fácin” do seu lado, nega – Ele falou, me puxando para perto dele e me beijando nos lábios – Esse ano, o outro ano, e o outro, e quantos você quiser – Ele foi falando enquanto me puxava para ainda mais perto e ia passeando com as suas mãos pelas minhas costas fazendo eu me arrepiar inteira. Era difícil não perder o juízo com o Luan tão perto de mim daquele jeito, mas eu me segurei para poder fazer mais uma pergunta para ele.

– Bom, já que estamos falando de ano novo, quais são suas metas para 2013, hein Senhor Luan Santana? Depois de lançar um CD que vendeu pra caramba, de lançar um clipe que bombou no mundo inteiro... O que mais o “Gurizinho” pode querer? – Perguntei mantendo as mãos dele na minha cintura enquanto eu brincava com os seus cabelos.

– Nossa, esse ano a gente quebrou tudo mesmo, né? Graças a Deus, não é nega? Deu tudo certo, o CD, o clipe... – Ele parou por um minuto e fechou os olhos. Eu sabia que ele estava emocionado. Também não era para menos. Vinte e um anos de idade e já ter conquistado tudo o que ele já tinha conquistado? Não era para qualquer um... – Será que eu ainda posso querer mais?

– Só quem sonha consegue alcançar. Aprendi com você isso, mocinho. Então me diga, quais são os próximos sonhos que você vai conquistar? – Insisti na pergunta.

– Bom, acho que o filme será o primeiro, né? Vai ficar top demais! Tô ansioso demais para ver... – Ele confessou, com os olhos brilhando.

– Esse filme vai dar o que falar. Quero só ver... Vai ter Luanete dormindo na porta do cinema no dia da estreia – Brinquei e ele riu comigo da piada – As negas vão pirar!

– Bom, depois do filme... – Ele coçou o cabelo enquanto pensava – Eu queria gravar um CD só de moda de viola. Sabe, fazer um CD bem de raiz mesmo... Juntar as moda mais “xonadas” e botar tudo junto. Ia ser top demais também – Ele sorriu só de cogitar a ideia.

– Hum... Esse é um projeto mais ousado mesmo. Mas pode dar certo! O Daniel já fez isso. Ele lançou um como uma espécie de trabalho paralelo e deu tão certo que ele chegou a fazer outros dois... Tenho certeza que se você fizer mesmo vai ficar show, como tudo o que você faz! – Eu o incentivei – E o terceiro, qual é?

– O terceiro... – Ele me presenteou com um daqueles sorrisos tortos dele que sempre significavam que ele ia aprontar algo – o terceiro eu não vou te falar, não... Eu vou te mostrar! Espera só, amor – Ele disse me deixando sozinha na cama e correndo até a sua mala que estava perdida na bagunça do meu quarto. Vi ele tirar uma caixinha preta de veludo lá de dentro.

Oi? Caixinha preta de veludo? Aquele dia estava rendendo...

Ele voltou correndo para a cama e sentou-se na beirada me chamando para me juntar a ele. Me posicionei ao seu lado sentindo o meu coração disparado só de olhar para aquela caixinha nas suas mãos. Ele também parecia estar nervoso, porque ele mexia no cabelo sem parar.

– Cris, esse aqui é o meu terceiro sonho para o ano que vem – Ele disse abrindo a caixinha e revelando o seu conteúdo. Precisei respirar fundo duas vezes. Lá dentro tinha um anel lindo, prata, que tinha duas partes vazadas nas laterais com as bordas todas decoradas com brilhantes e que se encontravam no centro para sustentar uma linda pedra amarela em forma de coração também com as bordas cheias de brilhantes. Era o anel mais lindo que eu já visto em toda a minha vinda.

*** Link para a imagem do anel– http://virou.gr/RtXKyE ***

– Luan do céu, é lindo – Eu mal conseguia falar.

– Achei que combinava com você – Ele disse tirando o anel da caixa e colocando no meu dedo. No seu rosto ele tinha um sorriso tão perfeito que era difícil definir o que era mais lindo: ele ou o anel 
– Ficou perfeito! – Ele disse depois de analisar a joia na minha mão.

– Nossa, eu não mereço um presente desses – Eu ainda estava fora de mim. O Luan tinha conseguido me pegar de surpresa.

– Como não? Tá doida, muié? Merece isso e muito mais – Ele deu um beijo na minha mão depois que disse essas palavras.

– Hum... E qual é o motivo para o presente? – Tentei focar no aneç. Porque se eu fosse prestar atenção no Luan, aí que eu ficaria sem ar de vez.

– Ahh, é que a gente tem toda uma história juntos. Eu te amo, e eu sei que você me ama, mas a gente não tem nada que oficialize a nossa relação. Eu fiquei pensando em te pedir em namoro e coisas do tipo... – Ele parou de falar e sorriu sem graça. Era incrível como ele parecia extremamente novo quando ficava daquele jeito – Mas acho que o que a gente sente um pelo outro é muito mais forte e muito maior do que isso... E como acho que ainda temos muito o que curtir antes de casarmos – Ele sorriu ao ver a minha expressão de surpresa no meu rosto – Pensei em combinar uma coisa com você. – Ele parou e segurou a minha mão e eu me senti como da primeira vez que nós nos beijamos lá no quarto dele em Londrina: completamente dominada por aquele par de olhos escuros que eram capazes de ler até a parte mais profunda da minha alma.

– Não importa como nós vamos chamar isso, só o que importa é que você é minha... A minha Cristal, a minha mulher. E que eu sou seu, o seu Luan. Só seu, viu? – Ele disse segurando a minha mão entre as suas e me olhando profundamente nos olhos.

– Concordo com você. Não importa como vamos chamar. Só o que vale é que nós estamos juntos nessa, para o que der e vier, até o fim – Falei chegando mais perto dele e o beijando de forma delicada, devagar, mantendo o clima do momento.

– Eu te amo, Lú – Falei baixinho para ele enquanto acariciava o seu rosto.

E então eu senti ele me puxar. Em um instante eu estava sentada ao seu lado e no instante seguinte ele já tinha me deitado na cama e colocado o seu corpo sobre o meu. Ele se ajeitou melhor e usou uma das mãos como apoio enquanto a outra segurava os meus cabelos. Ele chegou bem pertinho do meu ouvido e disse:

– Eu te vivo, minha Cristal.

Eu me entreguei para ele e naquele momento nada mais importava. Quando eu estava com o Luan todo o resto poderia esperar. As malas com as minhas coisas que iriam para Londrina, a ligação que eu precisava fazer para confirmar com a Martha se ela realmente iria nos ajudar com a nossa virada de ano, os compromissos, a vida que corria lá fora... Nada disso importava. Só o que importava é que nós estávamos juntos, e que estávamos dispostos a encarar tudo para viver um ao outro pelo próximo ano e por todos os outros que ainda viriam pela frente.

Ficar com o Luan era algo fácil, simples e era perfeito. Porque o nosso amor era Incondicional.


Fim!

***
Recado da autora:

E aí, gatas garotas? Curtiram esse final?

Alguém ficou com lágrimas nos olhos assim como eu? Fala sério, nosso quase-casal (agora-casal com direito a anel de compromisso e tudo mais) merecia um final feliz, não é? Depois de todos os perrengues que os dois passaram...

Não sei para vocês, mas para mim Incondicional foi uma história e tanto. Para escrevê-la eu precisei ir fundo na alma da Cristal e entender todo o sofrimento que ela tinha passado. Confesso que pirei várias vezes escrevendo as “crises” da Cris e com os capítulos onde o nosso Nego-Divo nos apresentava o seu ponto de vista.

Incondicional foi para mim uma história vibrante, emocionante, que me fez sorrir e chorar. E que também me fez parar para pensar sobre a realidade de várias mulheres que encaram o que a Cristal encarou e conseguiram dar a volta por cima. Por isso, essa história é dedicada para todas as “Cristais” que existem por aí! #ForçaParaTodasVocês

Agradeço imensamente a todo mundo que leu a história até aqui, por todos os comentários que recebi, por todos os recados carinhosos no Twitter e no Ask, pela preciosa ajuda que as Luanetes de carteirinha me deram para caprichar nos detalhes e tornar a história o mais próxima possível do real. De coração, meu MUITO OBRIGADA! Acreditem, sem vocês eu nunca teria escrito 30 capítulos de uma fic. Vocês são o motivo para ela existir.

E, falando em motivos, um dia eu ouvi um certo cantor falar em uma das suas músicas que “Só quem sonha consegue alcançar”. Pois é, se um dia eu tiver a oportunidade de agradecer, só quero dizer ao Luan muito obrigada por me lembrar dos meus sonhos!

Bom, o papo está bom, mas sei que vocês devem estar se perguntando: “Pô Manu, mas você vai nos abandonar? Vai nos deixar sem fic?”.

E a resposta é: CLARO QUE NÃO!

E, a agora me digam: QUEM AÍ TOPA LER A TERCEIRA TEMPORADA DE “A GRANFINA E O CAIPIRA”?

Se você disse EUUU!, prepare-se para mais uma fase da história com as personagens mais malucas e zicadas de todos os tempos.

É o seguinte: No próximo dia 29 de setembro, que cai em um sábado, essa escritora aqui comemora um ano do começo de tudo! Foi exatamente nesta data que eu postei o primeiro cap de AGeOC.

Para comemorar, vou fazer uma temporada especial dessa fic! Por isso, quem ainda não leu, corre colocar a leitura em dia (É só clicar nesse link aqui - http://fanfiction.com.br/historia/165092/A_Granfina_e_o_Caipira ), ou clicar na abinha da história ali na barra superior.

Dia 29 de setembro teremos o início da temporada comemorativa de AGeOC! Em breve teremos novidades sobre Anita, Rafinha, André e companhia! Confesso que já estava morrendo de saudades desse pessoal!

As negas que já fazem parte do clube das leitoras fiéis já sabem, mas não custa reforçar: Quem quiser receber avisos de caps no Twitter, é só me seguir (@Manudantas_diz) e pedir “Manu, me bota na lista de avisos de AGeOC!”.Qualquer dúvida, comentário, crítica e sugestão também podem ser enviadas via Twitter ou pelo meu e-mail (manudantas.trii@gmail.com).

Eu sei que vocês estão se perguntando: “Mas só dia 29, Manu?” É meninas, essa quase- escritora aqui também precisa de um descanso de vez em quando! Considerem esse período como umas “férias curtas”, ok? Eu estarei online adiantando os capítulos e de olho em vocês no Twitter e no Ask, combinado? E quem ficar com saudade sempre pode correr lá no Trii e ler um dos meus posts!

É isso aí, quero todo mundo pirando em AGeOC e comemorando um ano de fic comigo, hein!

E agora, depois de 30 capítulos, de muitos tratos, beijos, emoções fortes e um final pra lá de fofo, eu mereço um comentário caprichado no cap final de Incondicional, né? =]

Beijo grande para todos!

Com carinho,

Manu
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Notas finais do capítulo:
Amores,
Só mais um recado rápido:
Essa semana recebi um e-mail de uma leitora muito triste e querendo desistir de tudo.
Só queria dizer uma coisa: Apenas vivam e deixem viver.
A vida é curta demais para você acreditar que tudo o que acontece é culpa sua!
Façam a parte de vocês, plantem o bem e colham o amor. O resto é consequência!
De novo, muito obrigado por lerem a fic!
Beijo!


*** Bora pro próximo capítulo? Então clique aqui

Capítulo 28 - O Tempo

Notas iniciais do capítulo:
Oi pessoal!
Tudo certo?
Todo mundo preparado para ler o penúltimo capítulo da fic?
Aqui já temos um resumo de tudo que aconteceu com quase todas as personagens (menos com o Lú e com a Cris, é claro!).
Então, bora ler?

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Ponto de vista da Cristal – Algum tempo depois

O tempo é o melhor remédio para quase todos os males. Ele cicatriza feridas, cura mágoas, nos empurra em direção ao presente nos obrigando a deixar o passado para trás. Em alguns casos as lembranças são tão fortes que mesmo o tempo não consegue afastá-las definitivamente, mas ele sempre dá um jeito de manter os fantasmas longe, pelo menos por tempo suficiente para que a gente encontre a saída para uma vida nova.

O tempo... É estranho pensar como não temos nenhum domínio sobre ele. Em um instante eu estava no meu apartamento com o Luan e com o Diogo e no seguinte eu já estava na casa dos meus pais. Tudo o que eu me lembrava desse período era de ouvir o Luan gritando o meu nome antes de cair no chão. Eu também me recordava da dor, da escuridão, do medo de perder o Lú...

Depois disso os dias foram uma mistura de pesadelos sem sentido. Às vezes eu tinha alguns momentos de lucidez, como quando eu ouvi o Luan cantando para mim ou quando senti a minha mãe segurando a minha mão me falando que estava ao meu lado.

Eu não tinha muita consciência do que tinha acontecido comigo enquanto fiquei internada no hospital. Eu só sabia que quando o meu ombro apresentou alguma melhora eu recebi alta e fui liberada para ir para a casa dos meus pais em Ilhabela. Segundo o médico, o meu maior problema naquele momento não era físico, e sim psicológico. E, nesse caso, o tempo era o melhor remédio para vencer as crises de pânico que insistiam em me perturbar.

Era o meu irmão e o Léo que me mantinha a par das novidades nos poucos momentos de lucidez que eu tinha. Foram eles que me contaram que o Diogo permanecia preso, acusado de tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo. Sobre isso eu me lembrava de ter comparecido uma porção de vezes à delegacia para contar a minha versão dos fatos.

O Léo me contou que a estratégia dos advogados do Diogo era alegar que ele estava sofrendo com distúrbios mentais, o que era uma verdade. Por outro lado, os meus advogados, contratados pelo Luan, esforçavam-se para incriminá-lo de todas as formas. Eles tentaram acusá-lo por danos morais e estupro, mas nós não tínhamos provas o suficiente contra ele. Mesmo assim a minha equipe de defesa tentava encaixá-lo em todas as leis de proteção às mulheres para mantê-lo o mais longe possível de mim.

A repercussão da prisão do Diogo foi péssima para os negócios da família. O “seu” Francesco teve que usar toda a sua influência e apelar para os seus longos anos de experiência no mercado para garantir que os barcos não ficassem encalhados no estoque.

Para piorar a crise, o Léo finalmente tinha tomado coragem para pedir demissão da empresa. Ele mudou-se para a praia, abriu um restaurante na marina da sua família e estava trabalhando na construção de um barco a vela para ele em parceria com o meu pai.
Quem assumiu o seu lugar na empresa foi a Laura, que passou a ser o braço direito do pai no estaleiro além de comandar a sua própria empresa de decoração para embarcações. Fora isso, ela parecia ainda estar dedicada ao plano de manter a família unida. Era ela que cuidava da situação do Diogo na prisão. Foi ela também quem cuidou da substituição do Léo na empresa. Agora a Laura comandava a família com “mãos” de ferro para que nada mais saísse do lugar. Eu não poderia culpá-la por tentar, mas aquela já era uma luta perdida. O Léo não conseguiriam superar o que o Diogo irmão fez comigo e o próprio Diogo não voltaria mais a ser o mesmo depois de tudo... Infelizmente a família da Laura já estava condenada a conviver com os seus próprios fantasmas.

Quem se deu bem com toda aquela confusão causada pelo Diogo foi o meu irmão. A Laura o escolheu para ficar no lugar do Léo no comando da marina e da loja do litoral e os dois andavam se dando muito bem. Eu duvidava que alguém conseguisse dar um jeito no gênio difícil da Laura, mas o Tomás gostava de desafios. Talvez ele até conseguisse “domar aquela fera”.

O meu irmão foi um grande companheiro durante o período que sofri com as crises de pânico. Quando não estava trabalhando ele me levava para passear na praia. Ele sabia o quanto era massante para mim ficar em casa sem fazer nada... No início foi realmente muito difícil. Principalmente quando eu precisei contar para os meus pais toda a verdade. Eu havia escondido aquela história deles para poupá-los. Eu sabia que a minha família e a do Diogo eram muito unidas. Eu temia abrir o jogo de vez e acabar prejudicando a relação entre elas e, consequentemente, que isso acabasse refletindo no trabalho do meu pai e do meu irmão, que eram contratados da marina.

Meus pais foram compreensivos comigo e entenderam o porquê eu não me abri com eles antes. Agora eles conseguiam entender o porquê eu larguei o meu trabalho no estaleiro, me mudei para um apartamento e passei a viver sozinha. Eles nunca tinham aceitado muito bem a minha decisão e não me apoiaram na época. Agora eles sabiam que tinham me julgado mal. 

Aquele tempo na casa dos meus pais me fez muito bem. Depois de quase um ano morando sozinha era bom receber um “paparico” de mãe e não precisar se preocupar em manter o apartamento em ordem.

Difícil mesmo era viver longe do Luan. Por causas das minhas crises de pânico o médico me obrigou a ficar em casa me tratando. Ou seja, nada de trabalho, de viagens, de acompanhar o Luan nos shows e qualquer coisa parecida.

Oi? Era sério mesmo que o médico achava que ficar longe dele era o melhor para mim?

A gente se virou como pôde para matar as saudades que sentíamos um do outro. Mas, se o tempo era o melhor remédio para as mágoas, ele era implacável para os corações apaixonados. As horas se arrastavam quando eu não estava perto do Lú.

Com toda aquela bagunça, os compromissos do Luan e as minhas crises ficou impossível de a gente se encontrar e quase não sobrava tempo para a gente se falar.

A imprensa, claro, caiu “matando” em cima do meu caso e aproveitou os “foras” que eu o Luan tínhamos dado para nos apontar como namorados. Eu pensei que as fãs iriam ficar malucas com aquilo, mas foi ao contrário. O Lú declarou na mídia que não mediria esforços para que o Diogo pagasse pelo o que me fez e as “Luanetes” também trataram de fazer a sua parte. Elas criaram nas redes sociais uma campanha chamada “Toda mulher merece um príncipe”, querendo dizer que todas nós merecíamos alguém como o Luan.

Não era a toa que ele tinha as melhores fãs do mundo que sempre o apoiavam em tudo. Uma grande parte delas até passou a simpatizar comigo e aos poucos passaram a apoiar o meu “namoro” com o Lú. Bom, se existia um lado positivo em passar pelo tudo o que passei, com certeza era ser aceita pelas “primeiras esposas” do meu "patrãozinho".

Quando passei a me sentir melhor das crises e fui retomando aos poucos a minha vida, a equipe do Fantástico me telefonou. Eles queriam que eu participasse de uma entrevista para contar a minha versão dos fatos. No início eu não quis aceitar o convite para não expor ainda mais o Luan, mas ele, assim como todo o pessoal do escritório, achou que aquela era uma boa maneira de incentivar as mulheres vítimas de violência a denunciarem os abusos que sofriam. Naquela altura eu já tinha me tornado uma espécie de “exemplo” que demonstrava o quanto os crimes contra as mulheres ainda aconteciam em grande número em todo o Brasil.

Para mim ainda era difícil falar sobre tudo o que eu tinha passado. Era como mostrar para todos uma cicatriz que eu escondi por muito tempo. Mas, por fim, eu me deixei convencer que aquele era um bom momento para abrir o meu coração e botar para fora de uma vez tudo aquilo que me machucava por dentro. Eu já havia sofrido por muito tempo calada. Já fazia um tempo que eu estava determinada a exorcisar todos os meus fantasmas e deixar o meu passado pra trás para sempre. Aquela seria uma ótima maneira de conseguir fazer tudo isso.

A entrevista aconteceria em São Paulo, na minha antiga sala no escritório do Luan. O Léo topou me levar até lá e agora nós estávamos seguindo rumo à capital, subindo a serra, ouvindo música e conversando. Quem olhava de fora com certeza não seria capaz de adivinhar todas as mudanças que tinham acontecido nas nossas vidas nos últimos meses.

– Preparada para a entrevista? – Ele puxou assunto enquanto abria a janela do carro e deixava o vento bagunçar o seu cabelo. O tempo estava bom, mas como era dia da semana e baixa temporada a estrada estava vazia.

– Acho que sim. É difícil prever como vai ser quando ela me fizer aquele monte de perguntas, mas eu me sinto tranquila. Diria até que estou confiante. Sei que essa é a coisa certa a se fazer – Respondi olhando a estrada a nossa frente. Já fazia um tempo que as minhas crises de pânico estavam sobre controle e que o meu ombro e todas as outras escoriações que sofri quando fui baleada tinham sarado. Agora eu me sentia bem, forte, capaz de tocar em frente a minha vida, de reassumir as minhas obrigações, e, principalmente, de voltar a ficar perto do Luan.

– É estranho, mas eu nunca te vi como essa pessoa forte e determinada que você é. Eu sempre te enxergava como a minha irmã, a caçulinha que precisava ser protegida. Isso só mudou quando você foi trabalhar com o Luan – Ele me disse enquanto prestava atenção na estrada – Aquele dia que eu fui atrás de você, lá no sul lembra? Então, eu me surpreendi com você. Eu jamais poderia imaginar que iria te ver tão bem, como se você sempre tivesse pertencido aquele lugar.

– Eu fui muito bem recebida por toda a equipe do Luan. O pessoal é muito gente boa, é como se todo mundo fosse uma família mesmo – Comentei.

– E você sente falta dessa família?

– Muita... – Confessei.

– E do Luan? – Ele emendou logo em seguida.

– Mais ainda... – Eu sentia o meu coração apertado só de lembrar que já fazia muito tempo que eu não o via.

– Naquele dia que ele foi te visitar no hospital eu consegui entender o que você quis dizer com “o meu lugar é ao lado do Luan”. Porque quando você me disse isso na noite em que jantamos eu achei que vocês estavam só ficando, ou sei lá... Mas no dia que ele entrou pela porta daquele quarto e te viu dormindo eu enxerguei no olho dele exatamente a mesma coisa que eu vi no seu olhar naquela noite. É um brilho diferente, algo que não dá pra explicar com palavras... Eu só sei que se ele pudesse dizer algo naquele momento, com certeza ele teria dito “O me lugar é ao lado da Cristal”.

– O Lú é mesmo uma pessoa muito especial – Sorri sozinha ao me lembrar dele – Mas, e você? Como você tem lidado com tudo isso? Sabe, essa coisa do Diogo falar que me amava, de eu me relacionar com o Luan... – Já fazia algum tempo que eu queria perguntar aquilo para o Léo. Ele foi um bom amigo para mim durante o meu período de recuperação na praia, mas eu não sabia se aquilo era porque ele estava com peso na consciência por causa do que o irmão fez, ou se era por causa do sentimento que ele havia confessado sentir por mim da última vez nos encontramos antes de toda aquela confusão.

– Olha Cris, eu vou ser sincero... Eu estava disposto a lutar por você, a te convencer a voltar e tudo mais... Mais depois de tudo o que meu irmão te fez, me parece egoísta demais te pedir para viver com a nossa família e a voltar a trabalhar na nossa empresa. Meu irmão acabou com aquela Cristal que nós conhecíamos... Quer dizer, você é ainda é a mesma Cristal, mas agora você tem uma parede de proteção que você construiu ao seu redor que quase ninguém consegue passar... Só a sua família consegue romper essa barreira. E o Luan... Ele também consegue, e eu não posso competir com isso. O mais certo é eu tocar a minha vida e te deixar seguir a sua – Ele disse com um tom um pouco triste na voz, mas não parecia magoado. Era como se aquela fosse uma decisão que ele já tinha tomado há algum tempo e por isso já estava acostumado com ela.

– Hãã... Falando em Luan, na última vez que nós nos falamos por telefone, ele comentou uma coisa sobre a sua mãe. Parece que ele ouviu o seu pai dizendo que o Diogo fez a sua mãe sofrer. O que aconteceu com a Dona Júlia? – Eu me lembrava da esposa do “seu” Francesco como uma pessoa triste e calada. Eu nunca soube o porquê ela era daquele jeito.

– Essa é uma longa história, Cris. Mas, resumindo, quando nós éramos adolescentes, por volta de uns 12 a 14 anos, o Diogo já dava muito trabalho para os meus pais. O meu pai ficava muito irritado com ele, e minha mãe sempre tentava protegê-lo. Quando o Diogo fez 15 anos, lembra que ele foi fazer intercâmbio no Canadá? – Eu confirmei com a cabeça e ele continuou – Então, meus pais descobriram que na verdade o Diogo cabulou todas as aulas do curso de Inglês que estava matriculado e gastou todo o dinheiro em drogas e em bebidas. Meu pai ficou uma fera com ele e os dois brigaram sério. O Diogo sempre foi daquele jeito arrogante, querendo ser o dono da verdade, e isso fazia a minha mãe se sentir culpada por ter o educado mal. Por causa disso ela entrou em depressão. O meu pai acredita que foi isso que a fez ficar doente e morrer tão nova.

– Nossa, eu não sabia dessa história... – Comentei.

– Porque quando você veio morar com a gente em São Paulo, logo depois que a minha mãe morreu, o Diogo e o meu pai deram uma “trégua” e tentaram se entender... Mas aí você já conhece a história. Eles brigaram, o Diogo foi pra Itália, e quando voltou resolveu te escolher como a próxima vítima dele... – O Léo falava com um pouco de raiva na voz, como se não perdoasse o irmão por tudo o que ele havia feito.

– Por isso você e a Laura nunca se deram bem com o Diogo? – Perguntei.

– É... – Ele confirmou meio sem jeito.

– E como vai ser daqui em diante? Você vai conseguir perdoá-lo por tudo? – Eu quis saber.

– Não sei. Vai ser difícil, mas quando ele sair da prisão eu penso nisso. E você? Vai conseguir perdoá-lo? – Ele me devolveu a pergunta.

– Eu achava que não. Mas o Diogo não entregou para a polícia que o Luan estava no meu apartamento naquela noite. Acho que ele merece alguma consideração por causa disso... Na verdade eu escrevi uma carta para ele dizendo que eu o perdoava por ter poupado o Luan. Da minha parte essa história acabou – Disse.

– Legal da sua parte. E esse também foi um ato bacana do Diogo. É como se concordando com essa versão ele estivesse tentando se redimir de tudo o que fez – O Léo avaliou.

– Para mim foi o suficiente, foi uma prova que ele realmente se arrependeu. Mas é só isso o que devo ao seu irmão. O resto das contas ele vai ter que acertar com a Justiça, porque mesmo arrependido ele tem que pagar pelo o que fez – Falei, decidida.

– Concordo com você. Fique tranquila Cris, tudo vai dar certo e todas as coisas vão voltar para o seu devido lugar, você vai ver só – O Léo disse enquanto dava seta e pegava a saída que seguia para São Paulo.

***

Chegamos no escritório no horário marcado e toda a equipe do Fantástico já estava a postos para começar os trabalhos. A Martha me ajudou a fazer uma maquiagem simples para aparecer na gravação e a Renata Ceribelli conversou comigo sobre as perguntas que ela pretendia me fazer. Todas elas eram de cunho pessoal, mas mesmo assim eu resolvi deixar a minha vergonha de lado, afinal, eu estava ali para contar a minha história.

Voltar ao escritório e rever todo o pessoal que trabalhava comigo antes me deixou muito animada. Todos eles me perguntaram como eu estava e foram muito carinhosos comigo. A Carlinha até me convidou para ser madrinha do casamento dela com Matheus. Pelo jeito a coisa entre eles tinha ficado séria pra valer...

Depois de cumprimentar todos da equipe eu segui até a minha antiga sala onde a entrevista seria gravada. Achei melhor não gravar na minha casa para não expor ainda mais a minha família com aquela bagunça toda.

Sentei de frente para a janela em uma cadeira e a Renata se posicionou ao meu lado . Atrás dela eu conseguia ver a avenida Paulista lá fora. As pessoas corriam pelas calçadas de um lado para o outro e nem imaginavam que ali, no andar onde estava, eu estava prestes a abrir o meu coração e contar para o Brasil a história que eu tive medo de repetir até para mim mesma por tanto tempo.

A produtora deu o sinal e a Renata começou a entrevista. A primeira coisa que ela quis saber foi como eu conheci o Diogo.

Expliquei que nós nos conhecemos ainda crianças porque meu pai trabalhava para o pai dele. A partir daí ela continuou querendo saber sobre como era o nosso relacionamento. Eu contei que eu fui morar na casa deles quando me mudei para São Paulo para cursar a faculdade, que comecei a trabalhar no estaleiro, que era muito amiga da família e que todos me tratavam muito bem, que o Diogo sempre foi muito egoísta e prepotente e que o Léo sempre foi muito mais amoroso e fácil de lidar, que os gêmeos não se davam bem, que eu era completamente apaixonada pelo Léo, que o Diogo brigou com o pai e viajou para a Itália e que quando voltou começou a dar em cima de mim, que ele não admitia me perder para o irmão e por isso se passou pelo Léo para me convencer a embarcar na lancha com ele na noite do coquetel.

Ela não perguntou detalhes sobre o que aconteceu no barco e eu também não quis falar sobre isso. Aquela era a parte da história que eu queria esquecer para sempre. Mas depois eu contei como foi voltar para casa e não contar nada para ninguém, como eu fiz para me virar sozinha e conseguir viver com esse trauma sem pedir ajuda, no que isso afetou na minha vida, como eu lidava com as perseguições do Diogo e, por fim, como foi quase perder a vida por causa de um amor tão doentio como o que ele dizia sentir por mim.

Eu precisei me segurar para não chorar várias vezes durante a entrevista. Principalmente quando eu contei como me sentia suja e vazia depois de tudo pelo que passei. Foi um período muito difícil que só começou a melhorar quando eu me mudei da casa do “seu” Francesco e comecei a trabalhar com o Luan. Antes disso eu chorava todas as noites sozinha no meu quarto.

Depois, quando eu fui lembrando a época que eu conheci o Luan e todo o pessoal da equipe, foi mais fácil de me controlar porque as lembranças felizes superavam os momentos difíceis pelos quais passei. Com certeza tudo o que aconteceu comigo ao longo do último ano foi um presente de Deus para compensar todos os “perrengues” em que eu me meti.

– Cristal, você já me disse que trocar de trabalho e mudar de casa foi algo essencial para que você pudesse tocar a sua vida em frente. Mas, o quê, ou quem, foi o que mais te ajudou a superar tudo isso? – A Renata me perguntou completamente envolvida na minha história.

– Foi um anjo – Respondi rápido – Um anjo de asas coloridas – Sorri, toda boba. Eu esperava que o Luan entendesse aquela minha resposta, porque ele era o único responsável por tudo aquilo. Se não fosse ele, eu ainda seria a Cristal que tinha se fechado para o mundo e prometido que nunca mais voltaria a amar outra pessoa.

– E agora, Cristal? Como vai ser a sua vida? Você acha que dá para voltar a viver de maneira normal depois de tudo isso que aconteceu? – A jornalista me fez outra pergunta.

– Eu espero poder continuar a minha vida de onde ela parou. Claro que isso sempre vai ser algo que eu vou me lembrar, mas eu não vou permitir que o medo, ou o trauma causado por essa situação me impeçam de viver. Uma vez eu ouvi que o que não te mata te torna mais forte. Com certeza hoje eu sou uma pessoa muito mais forte, mais sensata e mais consciente do quanto a vida é frágil para que a gente deixe de vivê-la – Respondi sem encará-la nos olhos. Na verdade eu olhava pela janela a vida passar lá fora e pensava que cada palavra que eu havia acabado de dizer era a mais pura realidade. Há algum tempo atrás eu não seria capaz de dizer tudo aquilo. Era incrível pensar como a vida tinha mudado tanto por causa de decisões erradas tomadas pelo Diogo.

– Para encerrar, gostaria que você comentasse sobre a campanha que as fãs do Luan organizaram na internet e que está ganhando corpo em todo o Brasil, a “Toda Mulher merece um príncipe”. A gente quer saber, você já encontrou o seu? Conta pra gente!

Gelei. O que eu iria responder? Minha situação com o Luan andava mais enrolada do que nunca. Com certeza eu tinha encontrado um príncipe, mas não sabia se poderia chamá-lo de meu.

– Huum... Acho que ainda é pouco cedo para dizer, mas acho que sim, que eu encontrei um príncipe para mim. Basta agora descobrir se ele aceita ficar comigo. Porque de princesa eu não tenho nada, mas acho que até sou uma boa pretendente... – Consegui falar alguma coisa em meio a uma risada sem graça. Por sorte a Renata pareceu ficar satisfeita com aquela resposta meia boca.

A apresentadora encerrou a entrevista e eu tratei de fugir daquela sala o mais rápido possível. Eu precisava de ar, colocar as minhas ideias em ordem e pensar. Me traquei na sala de reuniões e me joguei na primeira cadeira que vi na frente. Imediatamente me lembrei do dia que eu conheci o Luan e de como fiquei irritada com porque ele não parava de se mexer durante a reunião com o pessoal do marketing.

Senti uma dor imensa no meu peito. A saudade que eu sentia dele era quase insuportável. Aquela história de ficar longe não estava funcionando muito bem. Além disso, eu sentia que ele estava preocupado com algo, mas que não queria dividir comigo para não me aborrecer. Mais do que nunca eu queria estar perto dele, abraçá-lo, beijá-lo e ter certeza que tudo estava bem entre a gente.

– Cris, a Renata já está indo embora. Eu disse que você estava um pouco cansada por causa da entrevista e que queria ficar sozinha um pouco. Ela disse que compreendia e agradeceu muito a sua participação – A Martha disse parada na porta da sala. Eu não sabia como ela tinha me achado ali.

– Obrigada Marthinha – Consegui dizer sem ânimo.

– O que foi, menina? Pensei que você estivesse melhor dessas crises – Ela quis saber.

– E estou. A minha crise atual é de saudades do Luan. Lembrar de todas essas coisas e não pensar nele é inevitável. – Respondi sentindo a dor no meu peito aumentar ainda mais.

– Adorei a resposta do anjo – A Martha disse se aproximando de mim – Mas não entendi a parte do príncipe. Como assim não sabe se ele te quer? Achei que isso já estivesse muito claro entre vocês – Ela me perguntou enquanto se sentava ao meu lado e segurava a minha mão.

– É que aconteceu tudo isso, e faz tanto tempo que a gente não consegue nem se falar direito... Ou eu estava dopada com os remédios ou ele estava em show. Sei lá, e eu não sou bem o tipo de garota que faz a linha princesa... Principalmente para um príncipe como o Luan – Respondi meio azeda.

– Cristal, sabe o que eu acho? Que está na hora de você ir tomar uma dose de remédio para essa sua crise – Ela me disse séria.

– Ah não... Mais remédio, não! E eu não quero calmante também – Eu praticamente gritei aquelas palavras tamanho era o meu medo de voltar a tomar medicações que me deixavam"grogue" e fora de mim.

– Não, Cris. Estou falando de outro remédio... Para outro tipo de crise! O Luan não está fazendo show hoje, não é? Sei que ele está na casa dele e que vai pescar amanhã com uns amigos – A Martha ia me dizendo essas coisas com um sorriso malandro no rosto. Eu comecei a entender onde ela queria chegar – E eu também sei que tem um avião direto de São Paulo para Londrina que parte daqui uma hora e meia do aeroporto.

– Mas e o Léo? Ele saiu para resolver umas coisas, mas prometeu que vai voltar para me buscar – Eu estava gostando muito da ideia da Martha. Muito mesmo.

– Bom, quando ele chegar eu posso dizer que você precisou ir embora mais cedo porque não estava se sentindo bem. Posso dizer que o João foi te levar... Ele só vai saber que isso não é verdade quando chegar lá em Ilhabela. O que vai te dar uma boa vantagem... E aí, topa? – Ela me perguntou animada.

– Claro que eu topo – Respondi ainda mais animada. Era como o Léo havia falado no carro: Tudo agora iria voltar ao seu devido lugar, e o meu lugar era ao lado do Luan.

***
PONTO DE VISTA DO LUAN

– Tá que pariu, viu... Cristal sempre fugindo – Resmunguei sozinho no meu quarto depois que desliguei o celular. O Tomás, irmão da Cris, tinha acabado de me ligar para me avisar que o Léo tinha a levado para participar de uma entrevista em São Paulo e que a perdeu no meio do caminho. Aquele Léo era mesmo muito “lerdinho” pro meu gosto, viu rapáiz...

Bufei de nervoso. Onde a Cristal tinha se metido, hein? Respirei fundo e queimei meus miolos pensando em um jeito de encontrá-la. 

E, se uma pessoa sabia do paradeiro daquela muié, essa pessoa com certeza era a Marthinha. Peguei meu celular e já ia procurando o número dela na agenda quando ouvi alguém batendo na porta.

– Entra, tá aberta – Falei sem nem ver quem era. Eu queria mesmo era descobrir o que a Cristal estava aprontando para fugir sem falar nada para ninguém.

– Tô sabendo que vai rolar uma pescaria animada amanhã. Será que tem lugar para mais uma no barco? – Ouvi alguém falar da porta do meu quarto. Quase pulei da cama quando identifiquei de quem era a voz. Aquilo não era possível! Será que eu já estava com tanta saudades dela que já estava imaginando coisas?

– Cristal? – Eu nem acreditava no que estava vendo. Larguei o violão de qualquer jeito na cama e corri para abraçá-la.

– Ai Lú, vai com cuidado! O meu ombro não está 100% ainda – Ouvi ela comentar rindo enquanto eu praticamente a esmagava entre os meus braços.

– Desculpa meu amorzinho, desculpa! Machucou? – Falei me afastando um pouco dela e vendo se eu tinha tirado alguma coisa do lugar.

– Não, não! Tá tudo bem, mas você vai precisar tomar cuidado com essas juntadas que você me dá... – Ela riu.

– É que eu não estava me “guentando” de saudades de você, nega. Mas o que “cê” tá fazendo aqui? - Precisei me controlar para não agarrá-la naquela mesma hora e arrastá-la direto para a minha cama. Eu sabia que a gente precisava conversar, e eu também estava curioso para saber como ela  acabou parando ali, por isso aguentei firme.

– Bom, eu estava no meio de uma crise de saudades de você e a Martha me disse que o único remédio capaz de me curar estava em Londrina. Aí você já sabe, né? Com a ajuda do João e da Martha eu fugi, mas dessa não foi de você, e sim para ficar com você – Ela ria enquanto falava e foi só aí que eu me dei conta que já fazia um bom tempo que eu não ouvia a Cristal rindo. Parei e reparei bem nela. Ela estava mais magra que o normal e com os cabelos mais curtos. Mas ainda era minha Cristal, com o mesmo brilho no olhar que me conquistava.

– Ah nega, tô tão feliz que você está aqui. Eu “tava” tão preocupado com você! Mandei todo mundo ficar de olho em tudo para você ficar bem, mas eu queria ter ficado mais ao seu lado. Você passou por um monte de coisa e eu não pude te ajudar em muita coisa – Falei meio sem jeito enquanto passava a mão pelo seu rosto e ajeitava uma mecha do seu cabelo atrás da orelha.

– Mas você me ajudou, e muito. A gente se falou sempre que dava e você mesmo disse que cuidou de tudo para que eu ficasse bem... Não fica preocupado com isso – Ela disse enquanto me dava um abraço. Era muito bom poder ter ela novamente entre os meus braços.

– Ah Cristal, as vezes eu fico pensando que eu não sou o cara certo para você – Eu ainda pensava muito em tudo o que o Diogo me falou sobre eu não ser capaz de fazer a Cris feliz. E diante de toda aquela situação, eu achava que ele estava certo mesmo. Nem visitá-la durante a sua recuperação eu pude.

– Estranho você falar isso, porque eu pensei a mesma coisa hoje. E sabe o que a Martha me disse? Que pensava que isso já estava muito claro entre nós! E está, não é? Lembra que a gente combinou lá em Sorocaba que estamos juntos nessa, até o fim, venha o que vier? – Ela me perguntou séria, me encarando. Quando falava com aquele jeito de “braba” ela me deixava ainda mais “doido” por ela.

– Lembro, mas... – Comecei a enrolar. Eu não queria assumir que estava preocupado por causa das coisas que o Diogo disse.

– Mas o quê, Luan Rafael? Me fala, “homi”. Eu sei que você está preocupado com alguma coisa... – Ela me olhou ainda mais séria e aí eu percebi que era melhor eu começar a falar senão a coisa toda iria pro pau de vez...

– Mas Cristal, “cê” sabe que eu levo uma vida meio maluca, né? Viajando de lá pra cá? E se eu não tiver tempo para ficar com você para fazer todas aquelas coisas que namorados fazem? Tipo ir no cinema, viajar, fazer compras no shopping? – Mexi no cabelo, nervoso. Eu tinha medo da resposta que a Cristal iria me dar.

– Bom, se todas as vezes que voltar de uma viagem você me cobrir de beijos e dizer que sentiu muito a minha falta, não tem problema. E filme a gente pode assistir em casa juntos, podemos viajar nas suas férias e acho que aguento ir até o shopping sozinha de vez em quando – Ela disse fazendo graça da minha situação. Eita, eu todo nervoso e a Cristal rindo de mim...

– Mas e se a gente casar e tiver filhos? E se eu não puder ficar ao seu lado para cuidar deles? – Achei melhor colocar para fora todas as dúvidas que estavam me atormentado. Eu já estava fazendo papel de bobo mesmo... A Cristal olhava para mim divertindo-se com o meu nervosismo. Bandida!

– Se a gente casar, tenho certeza que serei a mulher mais feliz do mundo porque vou poder te chamar de meu marido. E, se for capaz de ensinar os seus filhos a ser pelo menos um pouquinho do que você é, essa pessoa carinhosa, iluminada e especial, você já vai ter me ajudado muito a cuidar deles – Ela disse, carinhosa, acariciando o meu rosto.

– E se inventarem que eu fiquei com outras e isso sair em todas as revistas e jornais? – Insisti, dessa vez um pouco menos ansioso. A Cristal estava conseguindo me deixar mais calmo.

– Eu vou confiar em você. Se você me disser que não ficou com ninguém, então eu vou ignorar completamente essas falsas notícias... – Ela falou baixinho perto do meu ouvido antes de me dar um beijo no pescoço.

– Juntos? – Perguntei colocando a mão no seu cabelo e acariciando suavemente.

– Juntos – Ela me respondeu dando outro beijo no meu pescoço.

– Para o que der e vier, até o fim? – Me aproximei dela posicionando melhor os nossos corpos e colocando a minha mão na sua cintura.

– Para o que der e vier, até o fim – Ela confirmou, dando uma piscada para mim, me provocando.

– Ahhh, então vem cá, vem minha nega – Puxei ela com tudo para perto de mim tascando um beijo bem dado na sua boca.

– Luan, o ombro... Vai com calma – Ela me lembrou em meio ao nosso beijo.

– Oh amor, desculpa... Não vou mais esquecer do seu braço, tá? – Falei dando um beijo no seu ombro – Tá melhor agora? – Brinquei.

– Muito melhor – Ela sorriu para mim, e foi ali que eu tive certeza que tudo iria ficar bem. Porque, no final das contas, eu e a Cristal sempre conseguíamos nos entender.

– Vem cá, meu amorzinho... Vou te encher de beijinhos e você vai ficar boa, viu? – Falei enquanto fechava a porta e ia a conduzindo com muita calma em direção a minha cama. Pelo caminho nós fomos trocando beijos e carícias sem pressa, matando aos poucos a saudade que eu estava dela. Completamente diferente da primeira vez que nos beijamos no meu quarto, quando a coisa pegou fogo entre a gente de uma vez só.

Agora era diferente. Eu não precisava ter pressa... Afinal, o que era o tempo para quem tinha uma vida inteira pela frente junto dela?
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Notas finais do capítulo:
E aí, o que acharam?
Isso foi praticamente um "resumão" do final! kkk
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Capítulo 27 - Meu Destino

Notas iniciais do capítulo:

Olá gatas garotas!
Preparadas para um capítulo inteiro narrado pelo Luan? Espero ser uma boa "Luan Santana" porque, olha, não é fácil pensar como o nosso nego-divo!
Aviso aos navegantes:
1- Faltam dois caps para Incondicional terminar!
2 - Capítulo está tenso ainda, mas não tem jeito, né? A Cris foi baleada, não tinha como a coisa ficar boa de repente! Mas tempos melhores vem por aí, ok?
Por hora, bora curtir o cap!

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Ponto de vista do Luan

Baqueado.

Era assim que eu me sentia. As lembranças do que tinham acontecido na noite anterior voltavam toda hora à minha cabeça e estavam me deixando doido.

Eu fechava os olhos e conseguia lembrar da Cristal me pedindo para sair da sala, de eu dizendo que não iria deixá-la sozinha, do barulho do tiro, da Cris entrando na minha frente, do meu grito, dela caindo no chão, do Diogo abaixando junto comigo para ver se ela estava bem, cada um de um lado fazendo o possível para tentar socorrê-la.

Foi naquela hora que eu baquiei. Eu não estava acostumado a ver tanto sangue junto. E muito menos preparado para ver a Cristal daquele jeito, pálida parecendo um fantasma e fria como uma pedra de gelo.

Na hora eu fiquei tão nervoso que eu não sabia o que fazer. Parado na minha frente, do outro lado da Cris, o Diogo estava ajoelhado ao seu lado e segurava uma de suas mãos com uma expressão de quem está completamente arrependido do que fez.

– Desgraçado – Não consegui me segurar. Tudo aquilo era culpa dele.

Voltei a minha atenção para a Crital. Percebi que ela estava respirando, mas com um pouco de dificuldade. Foi aí que a minha caiu. Eu precisava dar um jeito de salvá-la. Eu tinha que fazer alguma coisa.

– Ohh nega, acorda! Eu preciso de você aqui” – Chamei, tentando mantê-la junto a mim. Eu acariciei o seu rosto com uma das mãos e com a outra eu procurei o meu celular no bolso para poder pedir ajuda. Qual era mesmo o telefone da emergência? 190? Na minha frente percebi que o Diogo tinha começado a chorar. Isso só me deixou ainda mais nervoso com ele.

– Luan, pelo amor de Deus, o que aconteceu aqui? – Ouvi a voz Testa perguntar, completamente chocado, ao se deparar com aquela cena depois que entrou no apartamento.

– A Cristal... Ela precisa de ajuda – Consegui dizer segurando eu mesmo as minhas lágrimas.

Ainda bem que eu não precisei explicar tudo o que tinha acontecido. O Welligton apenas olhou para o Diogo e depois para a arma que ainda estava em suas mãos e isso foi o suficiente para ele entender como a coisa toda tinha ido pro pau.

– Cristal, Cristal, fala comigo – Ele se jogou ao meu lado e colocou a mão no pescoço dela para sentir a sua pulsação.

– O coração tá batendo... Mas tá perdendo muito sangue e tá muito fraquinha. Luan, desce. Eu dispensei o táxi e chamei o “seu” João. Ele está esperando aqui na frente do prédio do outro lado da rua – O Welligton começou a dar ordens enquanto ele próprio pegava o seu celular para chamar a emergência – Graças a Deus eu resolvi subir para ver o porquê vocês estavam demorando tanto! Mas agora vai Luan, se descobrem que você estava aqui, aí é que a coisa vai azedar de vez. Vai, eu cuido dela – Ele disse já discando para alguém do seu aparelho móvel. Com certeza estava tentando chamar a ambulância.

– Mas eu não posso deixar a Cris aqui sozinha – Falei nervoso.

– Luan, eu cuido dela. Pode confiar – O Testa me disse sério – Ela não iria querer que você se metesse em confusão por causa dela – Aquilo era verdade. Antes de aquela tragédia acontecer a Cristal já havia me pedido para que saísse da sala. E o Testa era o meu parceiro há muito tempo. Eu sabia que nele eu poderia confiar.

– Vai logo, Luan – Ele me apressou. Não pude deixar de reparar como ele foi capaz de manter o sangue frio e conseguir lidar com aquela situação. Ele tinha colocado o seu casaco em cima do ferimento da Cristal para estancar o sangramento, já tinha ligado para a ambulância e ainda estava pensando na melhor maneira de me livrar daquela situação e eu ainda estava ali, segurando a mão da Cristal, completamente perdido. Resolvi seguir o conselho do meu secretário, até porque eu não tinha mais como ficar naquele lugar vendo o Diogo fingir uma dor que eu sabia que ele não sentia. Aquilo não poderia ser amor, o amor não machuca as pessoas.

Dei um beijo no rosto da Cristal e saí correndo porta afora em direção ao carro. Acho que eu corri tão rápido que não deu nem tempo das pessoas que subiam pela escada me reconhecerem. Todo mundo no saguão do prédio estava agitado. Agora eles estavam começando a se dar conta que o barulho que eles ouviram instantes antes poderia ser do disparo de uma arma de fogo. Olhei para o porteiro que já me conhecia de outras visitas que eu fiz para a Cris. Ele só abriu o portão e me deixou sair sem dizer nada. Antes de deixar o prédio ouvi algumas pessoas comentarem que o barulho parecia ter vindo do apartamento da Cristal. Outras chamavam a polícia. Logo aquele lugar ia virar um circo. Deixei tudo isso para trás, alcancei o carro onde o “seu” João estava me esperando e me joguei de qualquer jeito no banco. Ele arrancou imediatamente. Acho que aquelas alturas ele já devia saber que tudo já tinha dado errado.

– Aconteceu alguma coisa com a Cristal, Luan? – Com certeza a minha cara devia tá azeda que nem limão, porque o “Jão” falou comigo todo sem jeito, como se estivesse escolhendo as palavras.

– Ah Jãããoo... – Foi aí que eu comecei a chorar que nem criança. Eu não tinha coragem de contar o que tinha acontecido com a Cristal. Me encolhi todo no carro enquanto eu me acabava no meio de tanto choro. Eu não conseguia acreditar que eu tinha ido até São Paulo para proteger a Cris daquele “disgramento” do Diogo e que no fim era ela quem tinha me salvado dele. E agora? Será que a Cristal iria sobreviver? Eu tremia só de lembrar a quantidade de sangue que tinha saído do ferimento dela. O que eu iria fazer agora? Eu não poderia viver sem a minha Cristal. Eu sentia o meu coração apertado e parecia que o mundo estava girando ao contrário. Aquilo parecia muito os pesadelos que a Cristal me contava que tinha, mas agora eu não estava lá para ajudá-la a não se afogar. Pensar naquilo me deixava doido de preocupação.

***

Eu não me lembrava de muita coisa mais daquela noite. Só que o “seu” João me levou para o escritório, e que todo mundo ficou ao meu lado esperando notícias da Cris. Pelo telefone o Welligton nos avisou que ela tinha passado por uma cirurgia. Ninguém tinha muitas notícias do seu estado. Eu fui sentindo aos poucos o desespero tomar contar de mim. Todo mundo tentava me ajudar, me falar palavras de incentivo, mas eu só pensava na Cristal. Eu ficava remoendo na minha cabeça que eu deveria ter sido mais rápido em ajudá-la, ou que eu deveria simplesmente ter arrancado ela daquele apartamento quando cheguei lá. Eu me sentia muito impotente diante daquela situação. Era eu quem deveria proteger a Cristal e não o contrário. Me tranquei na sala do Anderson e fiz a única coisa que tinha me restado fazer: Rezar. Eu já tinha visto muita coisa naquela minha vida de cantar à noite. Eu já tinha pedido muito para Deus me proteger durante os shows, para abençoar a minha família e toda a minha banda e fãs. Mas naquela noite eu fiz um pedido especial para Ele. Pedi para que ele deixasse a Cristal ficar ao meu lado. Porque se o amor era uma coisa de Deus, então ele não poderia tirar aquilo de mim. Não agora que eu estava descobrindo o que era ter alguém junto comigo que me fazia tão bem. Se existia justiça no mundo, quem deveria sofrer não era a Cristal, e sim o Diogo que tinha feito tanto mal à ela. Eu jurei que se a Cris ficasse bem eu faria o Diogo pagar por tudo o que ele tinha feito.

Acabei caindo no sono sentado em uma das poltronas da sala do Anderson. Acordei com a Martha me chamando. Pelo jeito ela também tinha passado a noite ali esperando notícias da Cristal.

– Luan, filho? – A Marthinha me chamou com o jeitinho carinhoso dela de sempre.

– Alguma notícia? – Foi a primeira coisa que perguntei enquanto me ajeitava na cadeira. Eu tinha dormido todo torto e agora a minhas costas estavam doendo demais.

– O Welligton ligou. A Crital saiu da sala de cirurgia. A bala não pegou nenhum órgão vital, graças a Deus, mas se instalou em um ponto entre o ombro e a clavícula, o que deu muito trabalho para os médicos fazerem a remoção do projétil. Mas agora ela está a salvo. A Cris foi levada para o quarto e vai ficar com o braço imobilizado por um tempo. Ela também está bem nervosa... O médico disse que isso se chama estado de choque, sabe né? Por causa de tudo isso que aconteceu – A Martha ia me contando tudo, mas eu tinha parado de escutar na parte que ela falou que a Cristal estava salva. Fechei os olhos e agradeci a Deus mentalmente, sem esquecer a promessa que fiz na noite anterior.

Só voltei a prestar atenção na Marthinha na última frase que ela disse – Ela estava chamando por você ontem depois da cirurgia. A Dagmar e o Anderson disseram que você pode ir até o hospital agora, assim a gente aproveita que o caso ainda não estourou na mídia. O Welligton contou que alguns repórteres estão fazendo plantão lá no hospital, mas que por enquanto tudo não passa de especulação. E, o principal, ninguém te viu saindo do apartamento. O Welligton disse para a polícia que chegou até lá de táxi, o que é verdade, e que entrou no prédio porque tinha um compromisso agendado com a Cristal. Como ela estava atrasada, ele subiu para ver o que estava acontecendo e deu de cara com aquela situação. O Diogo e o porteiro, as únicas pessoas que te viram lá, confirmaram essa versão dos fatos. O Diogo tentou alegar que disparou por acidente, mas a polícia não acreditou nisso. Ele está em prisão temporária agora.

- Até agora tudo está dando certo, graças a Deus. E aí, posso falar para o Welligton que você vai encontrá-lo lá? Ele está no quarto com a Cristal agora – A Martha sorriu para mim animada. Depois da noite que passamos sem notícias, todas aquelas novidades eram ótimas.

– Claro que pode, muié. Manda o Jão voar para aquele hospital agora mesmo – Dei um pulo da poltrona, tasquei um beijo no rosto da Marthinha e praticamente arrastei o Jão até o carro. Mas aí o Anderson me obrigou a voltar e pelo menos lavar o rosto. Eu estava amassado e descabelado demais, e com certeza a imprensa estaria lá. Como todo mundo sabia que a Cristal trabalhava na minha equipe, eu apostava que todos os repórteres estavam esperando que eu aparecesse por lá. O lado difícil da fama era esse: Nem em momentos tão particulares como aquele você podia descuidar da sua imagem.

Acabou que a Dag arrumou uma camisa limpa para mim, eu arrumei o meu cabelo, escovei os dentes e lavei o rosto e seguimos todos para o hospital, localizado na zona norte de São Paulo. Precisamos de todo um esquema para que eu entrasse sem incomodar os outros pacientes. Eu já não “guentava” mais de tanto nervoso até que finalmente chegamos no andar onde a Cristal estava. Todas as medidas de segurança já tinham sido tomadas. Um grupo de seguranças isolava o corredor e apenas pessoas autorizadas tinham permissão para entrar. O Welligton cuidou de tudo durante a noite, além de conseguir avisar a família da Cristal. Grande Testa, aquele ali era parceiro...

– Luan, entra primeiro. Depois nós falamos com ela – A Dag disse parando ao lado da porta. O Jão, a Marthinha e o Anderson também concordaram com ela. Respirei fundo e bati. Alguém disse “Entra” lá de dentro. Abri a porta meio sem jeito e quase caí para trás. Precisei me segurar para não partir pra cima do cara que estava ao lado da cama onde a Cristal estava deitada com os olhos fechados. 

Rapaiz, essa história de gêmeos dava um nó danado na nossa cabeça. Demorei um pouco até perceber que quem estava ali no quarto era o Léo, e não o Diogo. Mas mesmo assim eu não gostei muito dele estar perto da Cris.

– Oi – Falei meio sem jeito.

– Oi. Eu e a Laura viemos assim que nós soubemos – Ele me respondeu olhando para o sofá que estava encostado de um lado do quarto. Lá eu vi a irmã dele, sentada me encarando. Eu nem tinha a visto ali. Ela sorriu para mim meio sem graça e acenou com a mão para me cumprimentar. Os dois estavam com uma expressão bem abatida. Pelo jeito a noite não tinha sido longa só para mim – Estamos dispostos a fazer o que for preciso para ajudar a Cristal. A família dela já está a caminho. Todos eles vão ficar hospedados na nossa casa – O Léo completou.

– Pode ficar tranquilo, cara. A gente cuida da Cristal – Falei sério. Não estava afim de deixar a Cris perto daquela família nem por um segundo que fosse.

– Olha Luan, eu sei que o Diogo errou, mas nós gostamos muito da Cristal e queremos ajudar no que for necessário na recuperação dela – Ele me respondeu, também sério, me encarando nos olhos. Aquele “rapaizinho” achava mesmo que ainda tinha o direito de ficar perto da Cris?

– Léo, tenho certeza que o Luan sabe que estamos à disposição para ajudar a Cristal. Assim como ele, nossa família também tem muito carinho pela Cris. Mas, nesse momento, o nosso irmão e o nosso pai são quem precisam de toda a nossa ajuda – A Laura nos interrompeu levantando-se do sofá e ficando em pé ao lado da cama – Acho que o Luan gostaria de ficar um pouco a sós com a Cris, não é mesmo? – Ela me olhou em busca da minha confirmação. Balancei a cabeça positivamente e ela continuou a falar em seguida – Vem Léo, vamos tomar um café. Não comemos nada desde ontem à noite.

Ela deu volta na cama e pegou o braço do irmão literalmente puxando-o até a porta. Tá loco, aquilo que era mulher mandona! Antes de deixar o quarto, ela parou na saída e me deu mais um recado – O seu secretário, o Welligton, né? Então, ele desceu para comer alguma coisa. Se eu encontrar com ele aviso que você chegou. Ah, eu gostaria muito de falar com você por um minuto depois. Será que pode ser?

– Claro – Falei dando de ombros.

– Então eu ficarei te esperando aqui fora. Até mais – Ela disse antes de fechar a porta atrás de si. Eu não sabia o que aquela menina queria comigo, mas pelo jeito dela coisa boa não era...

– Ai, ai, ai, aaaii – Falei comigo mesmo enquanto caminhava até o lugar o onde o Léo estava antes. O quarto de hospital era simples. Uma cama daquele tipo com motor, um sofá cor de nada perto da parede, alguns outros móveis também com cor de nada perto da outra parede onde ficava a janela, uma cortina sem graça, um banheiro, e a porta de saída. Pela janela era possível ver alguns prédios residenciais ao longe. Até a vista daquele lugar era sem graça. Eu detestava hospitais.

– Ah dona Cristal! Você e suas teimosias – Falei acariciando de leve o seu rosto. Ela estava dormindo com um soro preso ao seu braço, um curativo enorme envolvendo toda parte do seu ombro direito, onde a bala tinha a atingido. Ela ainda estava pálida, mas agora sua pele não estava tão gelada como no momento que eu a deixei junto com o Testa.

Fechei os olhos e agradeci de novo a Deus. A Cristal estava bem. Quantas vezes aquela mulher conseguiria resistir a todas as maldades que as pessoas insistiam em fazer com ela?

Segurei firme a sua mão e continuei acariciando o seu rosto enquanto eu me lembrava de tudo o que já havíamos passados juntos. Como o dia que viajamos juntos e ela ficou paralisada ao ver o Diogo aparecer na casa dela, a noite que dançamos juntos no restaurante, do nosso beijo no meu quarto em casa, a noite que ela me contou tudo o que tinha acontecido com ela, de todas as viagens que fizemos, de todas as vezes que enrolamos o Anderson para que ele não descobrisse que nós estávamos ficando, da nossa primeira vez, de todas as nossas brigas e, principalmente, das nossas reconciliações. Como era possível eu me apaixonar daquele jeito por uma pessoa tão complicada que nem a Cristal? A resposta surgiu automaticamente na minha cabeça. Era porque só ela era complicada e “perfeitinha” ao mesmo tempo. Perfeita para mim, pelo menos.

Eu sempre desejei ter uma companheira ao meu lado. Alguém que me acompanhasse por todos os lugares, que não se impressionasse com o sucesso e a fama, que estivesse disposta a me entender e a me aceitar do jeito que eu era. Me amar e me ensinar a amá-la. Viver ao meu lado. Me viver... Vendo a Cristal ali, parecendo tão frágil, mas guerreira o suficiente para resistir a tudo o que aconteceu com ela, eu sabia que havia encontrado a pessoa certa para mim.

– Ah Cristal, que foi que você fez comigo, hein muié? – Ri sozinho da minha pergunta – “Cê” fica tão mansinha dormindo, nega. Mas sabe que eu já estou com saudade da sua brabeza? Certeza que se você estivesse acordada você estaria me olhando com uma cara azeda que só você sabe fazer...

Parei e respirei fundo. Eu queria muito que a Cris acordasse. Mas vê-la dormir também me fez lembrar de outro momento muito especial que passamos juntos.

– Tá bão então, “cê” você quer dormir, vou fazer que nem eu fiz naquela noite que a gente ficou junto pela primeira vez. Lembra? Eu te vi dormir e depois eu cantei para você... – Foi aí que eu tive uma ideia. Eu e a Cristal nunca nos entendíamos muito pela conversa, mas bastava olhá-la que ela conseguia me ler como ninguém. Bom, já que ela estava com os olhos fechados, talvez se eu cantasse ela pudesse entender tudo o que eu tinha vontade de falar, mas não conseguia expressar em palavras.

Arrumei com carinho uma mecha do seu cabelo e comecei a cantarolar baixinho:

*** Link para música http://www.youtube.com/watch?v=Vr6lSM58p78&feature=related ***

Parece que o mundo parou de girar quando você me olhou
E me fez sonhar... me apaixonei...
E nesse momento parece que o mar e as estrelas do céu
Puderam me ver te amar
Me entreguei e senti a magia do amor sobre mim

E agora não tem quem arranque você de dentro do meu coração
Você é minha fantasia, meu sonho lindo, minha ilusão
Eu esperei a hora que eu pudesse te dizer
Meu destino é pra sempre amar você
 

Eu segurava firme a sua mão enquanto cantava para ela. Aquela música encaixava “direitinho” com nossa história.

– Luan? – Acho que apertei forte demais a mão da Cris, porque ela abriu os olhos devagar e me chamou com a voz bem fraquinha.

– Ô nega, cê acordou... – Eu mal conseguia conter a minha felicidade.

– Impossível não acordar com você fazendo uma serenata particular para mim – Agora a voz dela já começava a voltar ao normal, mas quando ela foi tentar se mexer na cama ela soltou um grito de dor.

– Eita muié, vai com calma. Cê tem que ficar quetinha aí, não pode ficar se mexendo desse jeito, não! – Falei ajeitando o travesseiro para que ela ficasse melhor posicionada.

– Então é verdade? Eu não estava sonhando? Tudo aquilo aconteceu mesmo? – Ela me perguntou com uma expressão de medo do rosto, como se estivesse lembrando da noite passada.

– É verdade, mas já passou, já passou – Falei pegando a sua mão de novo – Agora tá tudo bem... Eu vou cuidar de você, viu meu amor? Você vai ficar bem.

– E você? Tá tudo bem? – Ela quis saber segurando a minha mão sem muita força.

– Eu tô ótimo, Cristal. Graças a você! Ô nega, o que deu na sua cabeça? Por que você se jogou na minha frente? Você acabou machucada e eu não tive como fazer nada... – Só de pensar em como me senti perdido ao invés de socorrer a Cristal eu já ficava nervoso comigo mesmo.

– Eu não poderia deixar o Diogo te machucar. Ele pode aprontar comigo, mas com você não – Ela me disse com os olhos cheios de lágrimas. Se eu bem conhecia a Cristal seria bem difícil para ela se recuperar de mais esse trauma.

– Ô meu amor, eu vou cuidar de você agora. Você nunca mais vai sofrer desse jeito. Eu não vou deixar – Ver a Cristal daquele jeito deixava o meu coração pequeninho dentro do peito.

– Você vai mesmo ficar comigo? Eu não gosto de ficar aqui... Esse lugar é estranho. E eu voltei a ter pesadelos – Ela segurava a minha mão como se aquilo fosse a única coisa que a mantivesse junto a mim. Ela lutava para manter os olhos abertos. Com certeza a medicação que ela estava tomando era muito forte e por isso ela estava tão sonolenta. Daquele jeito ela ficava muito parecida com uma menininha morrendo de sono, mas que se recusava a dormir e ficava fazendo birra com o pai.

– Descansa, meu amor. Não precisa se preocupar, eu vou ficar aqui com você. Se você tiver pesadelo é só apertar a minha mão bem forte – Tentei acalmá-la, mas antes de terminar a frase ela já tinha caído no sono de novo.

Fiquei ali mais alguns minutos relembrando cada detalhe da nossa conversa até que ouvi alguém entrando no quarto.

– Será que a gente também pode ver a paciente? – Era a Dag, a Marthinha e o Jão querendo ver como a Cristal estava. O Anderson não tinha entrado. Será que ele tinha ido procurar o Testa?

– Pode, ué... Até esqueci de vocês aí fora. Ela acordou, falou comigo, mas acabou de voltar a dormir – Contei para eles.

– Ela acordou? Os médicos disseram que ela não ia acordar até o final do dia. Tiveram que dar um sedativo muito forte porque ela estava muito agitada – A Dag comentou enquanto se aproximava da cama avaliando o estado da Cristal.

– Mas ela acordou quando me ouviu cantar pra ela...

– Ah, isso são coisas de dois corações apaixonados, né? Acho que até na lua a Cristal te ouviria cantar Luan – A Marthinha brincou – Mas é bom que ela durma. Ela precisa descansar e se recuperar desse baque todo.

– Com razão. E nós precisamos nos preparar para o que vem pela frente. Está todo mundo querendo saber o que você acha disso tudo. Meu e-mail tá bombando de repórteres querendo falar com você. Acho que vou soltar uma nota oficial e acabar com as especulações logo – A Dag avaliou a nossa situação com a imprensa. Eu geralmente não me importava de dar entrevistas e falar sobre a minha vida. Aquela foi uma das poucas vezes que eu desejei que a mídia me deixasse em paz.

– Não Dag, eu quero falar sobre isso, sim. Acho importante deixar claro que o Diogo merece pagar pelo o que fez. Um monte de meninas, como a Cristal, sofrem nas mãos de caras como esse e não tem coragem de fazer nada. Acho que a gente pode aproveitar que a coisa já foi pro pau mesmo e usar isso como exemplo – Resolvi usar a situação a meu favor. Tinha certeza que a Cristal iria aprovar aquela iniciativa.

– Hum... É uma boa ideia. Vou avisar o pessoal que você vai dar um pronunciamento rápido aqui na porta do hospital, ok? - A Dag perguntou.

– Fechou - Respondi.

– Ótimo, adorei essa ideia – A Marthinha me incentivou – Mas antes disso, acho que você vai ter que encarar a irmã do Diogo e do Léo. Ela está lá fora te esperando. Diz que quer conversar com você.

Eita! Tinha até me esquecido daquela muié... – Ela ainda tá aí, Marthinha? – Perguntei.

– Tá sim – Ela confirmou.

– Certo. Então vou lá ver o que ela quer – Eu teria que encarar a fera de qualquer jeito, mais cedo ou mais tarde. Saí do quarto e dei de cara com a Laura parada, encostada na parede de braços cruzados e com uma cara de poucos amigos. Depois de ver a Cristal acordar só para falar comigo, aquilo não era exatamente o que eu queria ver na minha frente.

– E então, você quer falar comigo? – Falei tentando ser simpático.

– Quero. Eu já conversei com a enfermeira. Ela disse que esse quarto aqui está liberado – Ela apontou para a porta ao lado direito dela – Acho melhor a gente entrar, assim teremos mais privacidade.

Entramos no tal quarto que era muito parecido com o outro que a Cristal estava, ou seja, muito sem graça e com cheiro de hospital.

– Então, eu conversei com o Diogo ontem na delegacia. Ele me contou tudo o que aconteceu no apartamento. Disse que você chegou, que ele ficou com ciúmes do jeito que você tratou a Cristal, que perdeu a razão e por isso tudo terminou como terminou. Ele também me disse que o seu secretário pediu para que ele confirmasse a história que você não esteve no apartamento para preservar a sua imagem, o que o meu irmão fez em depoimento ontem ao delegado. Por isso Luan, eu serei direta porque eu sei que nós dois estamos cansados: Eu tive uma conversa com o Welligton ontem e ele me disse que você e a Cristal estão juntos, portanto eu imagino que você não vá deixar essa situação com o meu irmão passar em branco. Só o que eu te peço é que você não se envolva nessa briga. Quando a Cristal acordar ela retira a queixa contra o meu irmão e tudo fica como uma briga de ex-namorados, como tantas outras que acontecem por aí. – Ela ia falando e andando de um lado para o outro do quarto, mexendo as mãos e tentando de alguma forma me convencer a topar aquela ideia absurda.

– Veja bem Luan, o Diogo estava em tratamento psiquiátrico para cuidar esse distúrbio de personalidade que ele acusou ter quando violentou a Cristal. É claro que isso vai ajudar a inocentá-lo no caso de um possível processo. Mas você é uma pessoa pública, e nós somos donos de um grande estaleiro que representa uma marca italiana reconhecida em todo o mundo. Nem eu e nem você queremos essa exposição negativa, não é mesmo?

- Eu não sei o que fez o Diogo levar uma arma para a casa da Cristal, e muito menos da onde ele tirou a ideia que atirar em você seria solução para alguma coisa, mas agora que a burrada já foi feita acho que podemos tentar resolvê-la da melhor forma possível - Ela completou.

Fiquei em silêncio sem saber o que dizer. Era sobre a vida da Cristal que nós estávamos tratando. Será que aquele tal de distúrbio de personalidade tinha afetado a família inteira?

– Laura, mas que tipo de proposta é essa? – Ouvi alguém perguntar assustado atrás de mim. Olhei para trás e dei de cara com o Léo ao lado de um senhor, que aparentava ter uns cinquenta anos, parados ao lado da porta. A enfermeira devia ter avisado que nós estávamos conversando ali.

– Pai? – A Laura parecia surpresa com os dois que tinham acabado de entrar.

– Essa proposta não tem cabimento algum. Chega de mentiras, de histórias mal contadas, de acordos... Chega de tudo isso. Se é assim que o Diogo quis, dizer que ele não estava lá na hora do disparo, é assim que vamos ficar. Afinal, esse garoto – ele apontou para mim, nervoso -  foi até lá para salvar a Cristal das loucuras do seu irmão, e certamente se ele não aparecesse o Diogo teria atirado nela diretamente, e aí as chances dele errar seriam mínimas... A Cristal poderia estar morta agora por conta do egoísmo do meu filho, vocês se dão conta disso? Nada que a gente diga, fale, ou tente fazer vai justificar isso... E todos nós temos culpa nisso, porque ninguém nunca teve coragem de enfrentar o Diogo. Infelizmente a mãe de vocês já pagou um alto preço por causa das atitudes do seu irmão... Eu não vou deixar a Cristal passar pelo mesmo – O “seu” Francesco falou com uma voz decidida, só fraquejando quando falou da morte da mulher. O que será que aquela “peste” do Diogo tinha feito com a própria mãe?

– Olha gente, acho que eu não tenho nada a ver com esse assunto de vocês. Isso aí já é um caso de família, particular, e eu não quero me meter. Só o que eu tenho a dizer é o seguinte: Agradeço vocês manterem a versão que eu não estive no apartamento da Cristal, mas eu não posso permitir que ela retire a acusação contra o seu irmão. Se depender de mim nós vamos com esse caso até o final e o Diogo terá a punição que merece. Até mais – Falei saindo do quarto e respirando fundo. Só o que me importava agora era garantir que a Cristal ficasse bem. Para mim aquela família inteira poderia ir para o inferno.

– Luan, e aí cara? Como você “tá” depois do baque de ontem? – O Testa me encontrou no corredor alguns segundos depois que deixei o quarto. Pelo jeito o pau ainda estava quebrando entra a Laura e o pai, porque eu conseguia ouvir a voz dos dois da onde eu estava.

– Rapaiz do céu, que “doidera” tudo isso! Mas eu preciso te agradecer por ter cuidado da Cristal e por ter resolvido tudo. – Aproveitei para dar um abraço no meu secretário. Não era todo mundo que tinha um amigo como aquele ao seu lado.

– Fica tranquilo, Luan. “Tamô” junto. Só o que importa é que a Cristalzete tá bem, tá viva, e livre daquele maluco por um bom tempo – Ele riu tentando fazer piada da situação.

– Graças a Deus a Cristal tá bem – Repeti pra mim mesmo como se ainda fosse difícil acreditar naquilo – E falando em ficar livre do maluco, Testa, eu quero que você contrate os melhores advogados para defender a Cristal. Dessa vez esse cara vai pagar por tudo o que ele fez...

O Testa apenas me olhou concordando e eu sabia que ele estava junto comigo naquela missão. Depois do que nós dois presenciamos na noite anterior não teríamos nem como fazer diferente.

– E vocês vão mesmo ficar juntos? Vão assumir tudo de vez? – Ele quis saber.

– Bom, se ela quiser ficar comigo – Falei meio sem graça. Aquilo me fez lembrar do que o Diogo me disse antes de atirar na Cristal. Senti o meu coração falhar uma batida. De repente tudo aquilo que ele disse começou a fazer sentido para mim.

– Bom, Cristal está bem, já podemos ir embora mais tranquilos. Luan, já pensei no que podemos dizer para a imprensa. Olha, acho que a gente pode começar falando que você sente muito... – A Dag saiu do quarto da Cristal acompanhada pela Martha, pelo Anderson e pelo “Jão” e começou a falar comigo, mas eu não estava prestando a mínima atenção no que ela dizia. Eu sentia meu coração apertado lembrando de tudo o que o Diogo tinha falado. Será que ele estava certo quando disse que eu não era a pessoa ideal para a Cristal? Que eu não conseguiria estar ao seu lado quando ela mais precisasse?

– Tá, posso só dar tchau para a Cristal antes de a gente ir? – Perguntei vendo que o pessoal já ia caminhando para a saída.

– Luan, a nossa agenda tá apertada hoje. Temos alguns compromissos que não podem ser adiados e você ainda precisa falar com os seus pais. Eles estão loucos com todas essas notícias envolvendo o seu nome saindo na imprensa – O Anderson me disse tentando ser gentil – Desculpa, mas estamos em cima da hora, a gente precisa ir.

– Luan, a gente volta para visitá-la em breve. Todos nós estamos preocupados com ela. E agora não tem o que a gente possa fazer, ela está dormindo – A Dag emendou.

– Vamo cara, a vida continua. Já, já a Cristalzete tá de novo nessa correria do dia a dia com a gente – O Welligton me incentivou.

– Vai Luan, eu vou ficar até os pais dela chegarem. Se ela acordar eu falo que você deixou um beijo – A Martha tentou me tranquilizar. O “Jão” foi o único que pareceu entender o que realmente se passava pela minha cabeça.

***

O dia dali em diante passou como um borrão. Eu lembro de ter saído do hospital, de ter falado com a imprensa alguma coisa como “Nós vamos dar todo o suporte para ela”, “E faço questão que essa história seja apurada e que o responsável seja punido. Ninguém merece passar pelo o que a Cristal passou”. Essa parte não estava no texto que eu e a Dag havíamos ensaiado, mas eu fiz questão de dizer mesmo assim.

Aquelas alturas todas as fãs já tinham associado a Cristal ao vídeo do “Assim a gente num guenta, Luan” e, eu não sei como, de reepente todo mundo concluiu que a mulher que foi vista junto comigo no meu quarto lá no Guarujá era a Cris. Os repórteres, claro, se aproveitaram dessa história ao máximo e perguntaram se ela era a minha namorada. Não pude deixar de sorrir antes de respondê-los que não, que ela era apenas a minha assessora de imprensa. Eu queria mesmo era gritar que ela era a minha Cristal, mas era melhor não colocar lenha na fogueira naquele momento.

Depois de tudo resolvido, eu embarquei com destino à Londrina, onde minha mãe já tinha feito até promessa pedindo pela saúde da Cris. Minha mente voava mais rápido que o Bicuço. Todas aquelas perguntas do Diogo martelavam na minha cabeça. Eu lembrava dele dizendo que eu não era a pessoa ideal para ela porque eu não poderia estar ao seu lado, cuidar dela, ou simplesmente estar presente quando ela sentisse a minha falta.

E eu não poderia deixar de pensar que ele estava certo, afinal, justo no momento que a Cristal mais precisava, eu não estava ao seu lado. Será que eu era mesmo o cara certo para a Cristal? Será que eu era a pessoa ideal pra ajudá-la a superar mais aquele trauma?

Eu queria muito saber a resposta, mas a única pessoa capaz de me tirar aquela dúvida era ela mesma, que naquele momento estava deitada na cama de um hospital, provavelmente sedada para não ter pesadelos.

Respirei fundo e encarei o céu lá fora. Agora tudo era uma questão de tempo. O tempo necessário para a Cris se recuperar e o tempo necessário para ela decidir se estava disposta a ficar comigo e encarar a rotina maluca de shows e viagens que eu vivia.
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Notas finais do capítulo:
Detalhe importante: Alguém reparou na parte que ele disse que o amor verdadeiro não machuca? Espero que as fãs mais "exaltadas" lembrem-se disso antes de arranhar o Lú por aí, ok?
Cap de hoje será dedicado especialmente para a @ChocolatradoLuh e para todas as meninas que PIRAM com a juntada do nosso nego-divo! Meninas, cá entre nós, esse nego tá gostoso demais, né?! (Papo de meninas, garotos! Não liguem!)
#Fui e #ForçaCristal (Tag criada pela linda da Isa!)

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