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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Capítulo 15 - Dose dupla

Notas iniciais do capítulo:
Oficialmente a temporada terminou no capítulo passado, mas eu jamais me perdoaria se essa 3ª fase fosse encerrada sem essas duas cenas!
Capítulo tá curto, mas eu acho que está "lindo"! (Modesta eu, né?)
Aproveitem!

_________________________

Dois meses depois...

– Levanta um pouco mais a cabeça, Any! Isso, isso... Agora olha para a câmera! Isso, isso... E... Pelo amor de Deus, encolhe essa barriga! O Luan estava certo quando disse que você estava mais “cheinha” – Ouvi a Malú ralhar comigo.

Fala sério, a Malú precisava mesmo fazer aqueles comentários tão maldosos? Aquilo me deixava chateada, poxa...

– Maria Luiza, se você chamar a minha Gata Garota de gorda mais uma vez eu a levo embora e te deixo sem modelo – A Rafa ameaçou a minha ex-secretária – Ela não está gorda, está apenas mais gostosa – A minha empresária deu a sua opinião.

– É Malú! Malú, entendeu? Quantas vezes eu vou ter que repetir? – A fotógrafa lembrou, mexendo as mãos nervosa e balançando a sua câmera de uma maneira perigosa.

Era estranho ver a Malú comandando uma sessão de fotos. A minha ex-secretária retornara a sua antiga profissão e agora estava à frente dos ensaios que a empresa do Caio e da Lú, ex-pirigueti, Dias produziam para as modelos que eles agenciavam.

Na verdade era para a Malú estar trabalhando com o André, mas depois do beijo que rolou durante a minha festa de casamento os dois se afastaram. Bom, na verdade, ela se afastou fugindo dele como um rato foge de um gato. E o André, muito orgulhoso, também não quis dar o braço a torcer e assumir que estava “caído de amores” pela fotógrafa.

O lado bom desse rolo todo foi que isso serviu para aproximar o meu irmão e a sua nova namorada de nós. Eles andavam se esforçando muito para nos agradar e provar que realmente estavam arrependidos por tudo o que aconteceu no passado. Prova disso foi que a Lú manteve o convite que me fez no meu casamento: Ser a modelo da principal campanha que a agência deles estava ajudando a produzir. O trabalho tratava-se de uma propaganda de um carro de luxo. A ideia era usar a minha imagem de “Granfina” para promover o novo veículo.

E era justamente isso que eu estava fazendo naquele momento. Além disso, eu, a Rafa e a Vick Caramelo estávamos de volta no Rio por conta das gravações da novela que eu estava participando junto com o André. Eu detestava admitir, mas era ótimo ter o diretor junto comigo em estúdio. O resultado sempre ficava ótimo e agradava em cheio ao público.

A minha empresária também estava se dedicando a um novo projeto. Depois do sucesso do seu primeiro livro, o “Como ser uma Gata Garota”, ela agora pretendia lançar o “Como criar uma Gata Garota – Guia Prático para mães de primeira viagem”. O conteúdo seria baseado na sua própria experiência cuidando da pequena Vitória e prometia ser um sucesso. Quem não gostou muito da ideia foi o Murilo. Ele finalmente estava de férias depois de longos meses de trabalho como protagonista em uma novela das nove e queria aproveitar o tempo livre para viajar e curtir a filha e a esposa. Mas a Rafa se negou a me deixar sozinha e disse que não poderia abandonar o projeto do livro naquele momento. Ele acabou ficando sem escolha e estava curtindo o seu merecido descanso ali pelo Rio mesmo...

A Divinha e a Dora também vieram com a gente para a Cidade Maravilhosa. E por causa da mania que a minha nova secretária tinha de fotografar tudo para colocar no Instagram, a minha mascote era agora a mais nova celebridade da internet. Eu não conseguia acreditar, mas a minha labradora já tinha até fã-clube!

Nesse meio tempo, o Luan foi e voltou da sua primeira turnê internacional. O sucesso foi tanto que ele já estava empolgado para gravar em outras línguas e continuar cantando por esse “mundão” afora. Agora ninguém mais segurava aquele “Caipira”, ou será que agora eu deveria chamá-lo de “Granfino”?

O nosso casamento ia muito bem, obrigada! Mesmo com as agendas lotadas, nós sempre dávamos um jeito de tirar uns dias só para a gente. Eu havia conciliado as minhas folgas com os dias de descanso do Lú. Nesses raros momentos, nós corríamos para a “Toca” e aproveitávamos ao máximo o nosso tempo juntos. Aproveitávamos tanto que a Rafa até mudou o nome da minha casa para a “Toca do Amor”.

A vida de casada estava me fazendo muito bem. Eu me sentia mais madura, mais mulher e conseguia encarar as situações com mais maturidade do que antes. E também tinha todo aquele lance de ser “dona de casa”. Se eu soubesse que brincar de “casinha” era tão legal, eu teria tentado antes...

Fora isso, a mídia também deu uma trégua e parou de pegar no meu pé. Na verdade, agora todos os sites e revistas de fofocas estavam doidos para saber mais sobre os recém- casados, mas, seguindo os conselhos da Malú, eu resolvi usar as revistas de celebridades ao meu favor. Escolhia bem para quem eu ia dar entrevista e o quê eu iria revelar. A estratégia estava dando certo e aos poucos as pessoas estavam deixando de me chamar de “A atriz mais surtada de todos os tempos”, ou de “A Garota da Cobra Mal Matada”.

Resumindo: A vida estava uma correria. Era gravação de novela, entrevistas, participação em programas, comerciais, conselhos para o livro da Rafa, aguentar os surtos do André, viajar para encontrar o Luan, dar atenção aos meus fãs e aos fãs do meu marido, fugir dos ataques fulminantes de raiva das Luanetes que ainda não aceitavam o meu casamento, isso sem falar nas coisas básicas do dia a dia como comer, respirar, postar no Twitter...

– Anita, quer prestar atenção aqui, por favor? – A Malú chamou a minha atenção – Pedi para você sentar no banco do carro, não ouviu?

– Vamos lá, Gata Garota Meteórica! Sei que você já está cansada, mas a Malú me prometeu que já está terminando – A Rafa me incentivou.

Eu realmente estava cansada. Além disso, eu andava sentindo umas tonturas estranhas e uns enjoos inexplicáveis. Nunca um ensaio fotográfico demorou tanto para acabar...

– Vamos lá, essa é a última! Faça uma pose bem bonita segurando o volante e a gente já pode encerrar – A Malú me avisou.

Sorri sentada no banco do motorista, fiz a minha melhor pose, a fotógrafa se preparou para o clique final, mas de repente, o estúdio virou um “trupé”.

– PA-RA TU-DO! – Um André completamente enlouquecido, entrou pela porta segurando um buquê de rosas vermelhas, uma caixa de bombons, balões coloridos e. um coração de pelúcia gigante. Tudo isso ia pendurando de qualquer jeito no seu braço, já que ele também carregava um rádio portátil. Ele estava vestido de terno, gravata e usava um sapato vermelho muito brilhante.

– André, o que você está fazendo aqui? – Eu e a Rafa perguntamos juntas, bastante surpresas com aquela aparição repentina do Dé. Perto de mim a Malú estava branca como gesso e com cara de quem tinha visto um fantasma.

– Eu não aguento mais, eu PRE-CI-SO colocar para fora todo esse amor que eu carrego aqui no meu CO-RA-ÇÃO – Ele avisou, caminhando até a sua ex-namorada e jogando todos os presentes de qualquer jeito no seu colo.

– Escuta aqui sua, CU-RI-CA! Você já fugiu de mim na época da faculdade, e fugiu de mim no casamento também. Mas agora CHE-GA! Você vai me ouvir! E se depois disso quiser me deixar, aí eu vou te deixar partir e vou seguir SO-ZI-NHO no porto do amor – O diretor fez drama segurando a Malú pelos ombros ainda com o aparelho de som preso ao braço.

– Peraê, essa aí não é a letra de uma música que o Luan gravou com o Maná? – Puxei pela memória.

– Shiiii... Não se IN-TRO-ME-TE no assunto aqui não, Mulher do Meteoro – O Dé me cortou na mesma hora.

– André, eu estou trabalhando... – A Malú tentou falar algo, mas o choque era tão grande que ela mal conseguia mexer os lábios.

– Shiii você também! Fica “QUE-TI-NHA” aí e só me escuta! Agora eu vou abrir o meu coração para você em forma de CAN-ÇÃO – O diretor avisou colocando o aparelho de som no chão e apertando um botão.

*** Link para a música– http://www.youtube.com/watch?v=hcroo8nNUUw *** (Aumenta o volume e se jogo no ritmo! Kkkkk)

Imediatamente uma música com um ritmo diferente tomou conta do lugar. O Dé tirou de dentro do paletó um lenço vermelho, e posicionado na frente da Malú começou a cantar e a interpretar a música balançando o acessório e arrasando no rebolado cigano.

“Esse beijo da tua boca tem sabor de fruta fresca
O toque dos teus lábios não sai da minha cabeça
Esse beijo com que sonho quando a brisa me refresca
Que me leva até o céu e a terra me regressa
 

Minha alma reza e reza, mas sei que não tenho cura
A lembrança do teu beijo quase me leva a loucura

Sim sim sim! Esse amor é tão profundo, você é minha prometida eu
vou gritar pra todo o mundo!
 

Sim sim sim! Esse amor é tão profundo, você é minha prometida eu
vou gritar pra todo o mundo!!!


Você é minha prometida, a menina dos meus olhos
Quem me adoça a vida, quem afugenta meus medos
A mais linda das mulheres a mais bela dentre as flores
A fortuna que eu espero num arco-íris de cores


Sim sim sim! Esse amor é tão profundo, você é minha prometida eu
vou gritar pra todo o mundo!
Sim sim sim! Esse amor é tão profundo, você é minha prometida eu
vou gritar pra todo o mundo!!!


E que digam nos jornais que eu te quero de verdade
Nas rádios, na novela e em toda parte da cidade
Vai estar num outdoor, como você não há nenhuma
Que digam em toda China, que digam até na lua


O André cantava, dançava e rebolava rodeando a Malú que apenas olhava. A expressão da minha ex-secretária era indecifrável. Não dava para saber se estava gostando ou não. Ela estava parada, com a boca aberta, completamente sem reação enquanto o André mandava a ver no charme para conquistar a sua amada.

Enquanto isso, a Rafa e toda a equipe que estava trabalhando no estúdio não resistiram e caíram no ritmo da música. A canção era contagiante, não dava para ficar parado! Mas, mesmo com uma vontade enorme de dançar, eu sentia uma nova onde de tontura tomar conta de mim.

“Deve ser o calor” – Pensei comigo mesma procurando uma cadeira para me sentar. Eu tinha que aguentar firme. Não poderia perder aquela cena por nada.

“Sim sim sim! Esse amor é tão profundo, você é minha prometida eu
vou gritar pra todo o mundo!
Sim sim sim! Esse amor é tão profundo, você é minha prometida eu
vou gritar pra todo o mundo!!!


...Guararé, Guararé, Guararé, Guararé, Guararé,
Guararé, Guararé, nunca esqueça que eu não te esquecerei...


A música acabou e o diretor encerrou a sua interpretação de joelhos na frente da Malú.

– Curica, NA-MO-RA comigo? – Ele gritou, todo apaixonado.
Por um momento o estúdio ficou completamente silencioso. Ninguém respirava. Todos estavam na expectativa da resposta da fotógrafa.

Ela estendeu o braço para o André ajudando-o a se levantar. E então, sem dizer nada, ela pulou no seu pescoço e deu um beijo nele de tirar o fôlego.

– É claro que eu aceito! Eu nunca mais vou fugir de você, combinado? – Ela gritou de volta ainda grudada no seu mais novo namorado.

O André a girou no ar de tanta alegria e toda a equipe deu “Vivas” para parabenizar o novo casal. Ao meu lado a Rafa registrava toda a cena com o seu Iphone. Com certeza aquele vídeo ia bombar no Youtube! Eu tentei levantar para ir cumprimentar o casal, mas no instante que tirei o meu corpo da cadeira tudo ficou preto. Senti as minhas pernas bambas e meu corpo caindo com um baque surdo no chão. Perdi os sentidos ali mesmo e apaguei completamente.

***

Acordei sem saber onde estava. Olhei ao redor. Aos poucos fui reconhecendo o local onde eu me encontrava. Aquele era o quarto que eu ocupava no meu apartamento no Rio, onde eu morava antes de mudar para o Paraná. A Rafa e o Murilo moravam ali agora, mas eles aceitaram me hospedar enquanto eu precisasse ficar na Cidade Maravilhosa por conta das gravações da novela.

Como eu quase não parava em casa, eu não me dei o trabalho de mexer na decoração do cômodo, por isso tudo ainda estava praticamente do mesmo jeito que deixei quando fui morar na “Toca” com o Luan. Os móveis, os enfeites, as fotos na parede, os quadros... Era estranho olhar para tudo aquilo. Não fazia muito tempo que eu havia me mudado, mas nenhuma daquelas coisas parecia me pertencer mais. Todos aqueles objetos de repente me pareceram muito antiquados, como se servissem para o cenário de outra época da minha vida e não se adequassem mais ao meu dia a dia.

– Então a gata garota acordou? – Ouvi a voz da Rafa vindo da poltrona ao lado da cama. Eu ainda estava meio “grogue” de sono, mal tinha reparado na presença da minha empresária ali.

– Rafa? O que aconteceu? Só lembro do André e da Malú se beijando, aí tudo ficou preto... – Fui falando enquanto tentava me sentar na cama.

– Você passou mal, Any. Nós te levamos para o hospital, você foi medicada e depois te trouxemos para casa. O médico te deu um calmante bem forte, por isso não se lembra de nada – Ela me explicou com um tom paciente.

– E o que é que eu tenho? É grave? – Senti o desespero ir tomando conta de mim.

– Vou deixar para o Luan te contar essa parte, ok? – A Rafa piscou para mim tentando me animar.

– O Lú tá no Rio? – Quis saber.

– Chegou faz cinco minutos. Ele estava preocupado com você... Peraí, vou chamá-lo, tá? – A Rafa se levantou, me deu um beijo na testa e saiu me deixando sozinha no quarto.

Menos de dois minutos depois vi o meu marido passar pela porta e se sentar na cama,de frente para mim. Para variar, ele estava lindo. Camisa polo preta, calça também escura e muito cheiroso.

– Ô “Paxão”, mas que susto você me deu, hein? – Ele disse pegando uma das minhas mãos depositando um beijo ali.

– O que aconteceu? Por que eu fui parar no médico e por que a Rafa fez mistério e não quis me contar nada? – Disparei a falar. Aquele suspense estava me matando.

– Então Ní. Eu tenho uma notícia ruim para te dar... – Ouvi o Luan dizer, sério – Sabe a viagem que a gente ia fazer nas nossas férias? – Assenti com a cabeça e ele então continuou – Vamos ter que cancelar, amor.

– Por quê? O que eu tenho é tão grave assim? – Senti meu coração dar um pulo dentro do peito. Será que justo agora que tudo estava dando certo eu ia morrer?

– Grave? Não “Paxão”, não é grave, não! – O Lú me respondeu rindo. Agora eu não estava entendendo mais nada! Se eu estava doente, porque ele estava com aquele sorriso de felicidade no rosto?

– Anita Tunice Domingos Santana, minha Granfina, minha “vidinha”, meu amorzinho... – Ele pegou a minha outra mão, ainda sorrindo sem parar – Você tá grávida, “muié”! Eu vou ser pai!

Meu mundo parou por um momento e eu precisei me lembrar de como se respirava. - Grávida? O quê? – Repeti sem acreditar.

– Grávida, uai! O médico fez o exame em você hoje. A gestação já tem uma “par” de semana. A Rafinha disse que tá “berando” três “méis” – Meu marido me explicou, muito, mas muito, contente.

Foi então que eu me lembrei. O hospital, o médico me dando a notícia, o meu desespero em saber que estava grávida, o sedativo... Agora tudo se encaixava. Era por isso que eu estava mais “cheinha”, e era essa a causa dos enjoos, tonturas e de eu estar tão emotiva nos últimos tempos. Respirei fundo tentando controlar o desespero.

– Lú, eu não estou preparada para ser mãe – Confessei, mal conseguindo controlar as lágrimas que agora caíam pelo meu rosto. Um filho era muita responsabilidade. E eu mal sabia tomar conta de mim, quanto mais de uma criança... Eu não estava pronta para um desafio tão grande como aquele. E de forma alguma eu poderia falhar no papel de mãe dos filhos do homem que eu amava! Só de cogitar aquela hipótese eu já sentia um medo imensurável. E se o Luan me deixasse por eu não ser capaz de educar os seus herdeiros?

– Ô nega, mas é claro que está! Eu também não imaginava ser pai agora, mas aconteceu... A Rafinha fez as contas e concluiu que você deve ter engravidado depois que voltou de Los Angeles. E vamos ser sinceros, né Ní? “Nóis” não andava se cuidando direito – Meu marido foi falando enquanto segurava minhas mãos com firmeza, como se quisesse me dar força para encarar aquele momento.

– É, a gente não estava tomando muito cuidado mesmo – Admiti com a voz fraca – Mas, e agora? É muita responsabilidade! É uma vida que está aqui dentro! E se eu falhar? – Eu tremia, só de pensar nas consequências.

O Lú me olhou de uma forma carinhosa e então se ajeitou na cama até que estivesse deitado ao meu lado com um dos braços ao redor de mim.

– Escuta aqui, dona Anita – Ele tentou fazer um tom sério – A senhora não vai passar por nada disso sozinha. Eu vou estar aqui ó, do seu lado, te ajudando a educar a “Granfininha” que vai sair daí – Ele apontou para a minha barriga – A “Ní Dois” vai ter a melhor mãe e o melhor pai desse “neverso”, eu aposto com qualquer um! – Ele sorriu para mim muito confiante enquanto secava as lágrimas do meu rosto. De repente fui tomada por um sentimento de paz e sabia que eu só estava sentindo aquilo porque o meu marido estava ali, ao meu lado.

– E ela também vai ter uma “fada madrinha” para ajudá-la igualzinha faz com a mãe, não é Rafa? – A Malú falou baixinho da porta empurrando a minha empresária para dentro do quarto. Não é que aquelas “bandidas” estavam escutando toda a conversa?

– E também vai ter uma “tia” muito maluca que vai poder ensiná-la a fotografar, a postar as fotos no Facebook e fazer um monte de coisas ao mesmo tempo sem deixar de ser eficiente – A Rafa retrucou também trazendo a minha ex-secretária para dentro do quarto.

– E ela vai ter a mim, que vou ensiná-la a ser DO-CE e a tirar onda de Camaro Amarelo – O André também apareceu no quarto, entrando de sopetão.

– E vai ter a Vick Caramelo para ser a sua “amiguinha” – O Murilo entrou com a minha afilhada no colo e parou perto da Rafa.

– E também vai ter a cadela mais famosa do Instagram como mascote – A Dora se juntou a todo mundo puxando a Divinha pela coleira. A minha labradora latiu feliz ao me ver, soltou-se da corrente e pulou com tudo na cama tentando lamber o meu rosto.

– Isso sem falar nos de fãs que vão amar essa criança por ser filha do casal Luanita, nossos eternos “Granfina e Caipira” – A Rafa emendou, já emocionada.

– Ta vendo só, “Paxão”? Não tem porque você ter medo! “Cê” vai ver só, você vai ser a melhor mãe do mundo e eu vou morrer de orgulho de você e da minha filhota! – Ele me apertou ainda mais forte me dando um beijo na bochecha.

– E como você sabe que vai ser uma menina? – Perguntei já mais tranquila. Na verdade, só de ter o Luan ao meu lado eu já me sentia bem mais confiante.

– Intuição de pai – Ele me respondeu na mesma hora fazendo todo mundo cair na risada. Geralmente as intuitivas da relação eram as mães, e não os pais!

– Vocês são um casal muito estranho! É a Any que pede o Luan em casamento, e é ele quem conta que ela está grávida! Vocês faz tudo ao contrário! – A Malú comentou.

– A gente não é estranho, não! Somos só... diferentes! – Me defendi – Afinal de contas, você queria juntar uma Granfina e um Caipira e queria que tudo fosse normal?

– Diferente ou não, eu amo essa “muié” aqui “dimais” da conta, rapáiz – O Luan falou segurando o meu rosto e me dando um beijo rápido nos lábios.

Olhei para ele e foi impossível não sorrir. Sua felicidade era contagiante. Aos poucos senti o meu medo de ser mãe indo embora e dando lugar para um desejo incontrolável de ter uma família e fazer o homem que estava ao meu lado o mais feliz de todo o 
mundo.

Passei os olhos pelo quarto e vi todos nos encarando com um sorriso no rosto, contentes por causa da notícia. Eu sabia que o quê cada um ali havia falado era a mais pura verdade. Eu poderia contar com eles para qualquer coisa que viesse pela frente.

Porque agora eu não era mais só a Granfina. Eu era a Granfina casada com o Caipira e que tinha como família a Trupe do Camaro Amarelo. De uma maneira meio torta e muito bagunçada eu havia formado a família que eu sempre sonhei em ter: Pessoas unidas, que se amavam e que encaravam todos os problemas de frente e juntos.

Era como a cigana falara quando nos encontrou no hotel: Boas notícias estavam a caminho e eu começaria uma nova fase na minha vida!

– Eu também amo “dimais” esse “homi” – Mexi no cabelo do Luan toda feliz – E já amo muito essa criança que está aqui – Sorri acariciando a minha barriga pela primeira vez.

– É, daqui alguns meses teremos Any em dose dupla. Será que o Luan aguenta? – O Murilo brincou.

– Eu “guento”, claro que “guento”! - O Lú respondeu fazendo graça – Guento até em dose tripla. Porque essa Granfina aqui é a dona do meu coração e da minha vida – Ele completou a frase me dando outro beijo nos lábios, dessa um pouco mais demorado.

Deitei a minha cabeça no seu colo, sorrindo como uma criança que acaba de ganhar um doce. Ele também era o dono da vida, e juntos nós seríamos os responsáveis por aquela pequena criança que estava a caminho. Eu não sabia o que o futuro me reservava, mas o presente estava muito melhor do que eu poderia ter imaginado um dia. Encarando a realidade agora, eu mal conseguia me lembrar das razões que me impediram de casar antes com o Luan.

Muita coisa ainda viria pela frente, mas eu sabia que eu tinha ao meu lado a pessoa certa para encarar todos aqueles desafios comigo. E independente do que acontecesse eu nunca mais, nunca mais mesmo, poderia dizer que eu era uma pessoa azarada. No dia em que eu me casei com o Luan eu havia virado uma Granfina de sorte!

***

Recadinho rápido e agradecimentos:

E aí Luanitas de plantão?
Curtiram o final dessa temporada? Deu para matar as saudades da nossa Granfina e do nosso Caipira?

Gente do céu, dá para acreditar nisso tudo? Essa é a terceira parte de AGeOC, que já soma quase 70 capítulos, mais de 220 comentários no Nyah (só no Nyah, hein?) e muitas Gatas Garotas que leem e surtam junto comigo na história!

Em pensar que quando eu comecei a escrever essa fic a minha única ideia era passar o tempo e me divertir um pouco! Sempre quis escrever uma história capaz de fazer as pessoas rirem e se “desligarem” um pouco dos seus problemas! Acho que posso dizer que alcancei esse objetivo!

E claro, é como eu sempre digo: Eu só escrevo porque existem pessoas que topam ler o que eu publico. Por isso, fica aqui o meu MUITO OBRIGADA para todo mundo que lê, comenta, indica a fic, surta comigo e pira nas loucuras desse casal e sua trupe! Eu nunca vou cansar de dizer: Cada comentário que recebo ilumina o meu dia e é o que me dá forças para continuar! Aproveitando o clima de agradecimentos, fica aqui toda a minha gratidão pelas informações pra lá de “especiais” que recebo da minha “Enciclopédia Santana”, a Lari, pela capa da nova fic carinhosamente feita pela “Maroca”, e pelas sessões de “Tirando as Neuras da Manú” ministradas pela Carol. E também não posso deixar de agradecer as minhas amadas Rachel e Sarah, por me aguentarem falando do Luan a cada minuto e em todo lugar.

Muito, muito, mas muitooo obrigada por me acompanharem até aqui! De coração! A Granfina e o Caipira foi a primeira fic que escrevi e tenho um xodó imenso por essas “personagens”.

E aí, acho que alguém vai gritar: FAZ A QUARTA TEMPORADA!

Calma! Ideias para quarta temporada existem sim, não vou negar. Mas esse não é o momento para começar a escrever. O tempo precisa passar, literalmente! (Se é que entendem o trocadilho! Rs!). E fala sério, né pessoal? Deixa a Any desfrutar dessa fase de sorte um pouquinho antes de a gente voltar e “azedar” tudo de novo!

Sendo assim, penso eu que vocês estão se perguntando (E eu sinceramente torço para que realmente estejam): Então você vai nos deixar sem fic em plena temporada de férias?

Calma de novo! Claro que não vou fazer isso! Tenho aqui, em minhas “mãozinhas” o roteiro prontinho da nova história que pretendo escrever chamada “A Nossa Canção”. Curiosos? Então “espia” só a sinopse:

Após alguns anos, Luan Santana reencontra a sua ex-namorada Júlia, para quem ele escreveu a música “Sempre com Você” e com quem ele teve um breve relacionamento que terminou de uma forma “não muito amigável”. O retorno da ex para a vida do cantor faz “acordar” dentro dele alguns sentimentos que já estavam “adormecidos”, além de trazer à tona alguns segredos do passado e fazer surgir uma nova canção que marcará o amor dos dois.

Que tal? Será que alguém aí vai topar ler?

Começo a escrever a fic já na sequência de AGeOC. Eu ia dar um “tempo” como fiz com Incondicional, mas como estamos no final do ano achei melhor começar agora e, se precisar, dou uma pausa na época das festas.

Bom, quem aí ficou curioso, já sabe, né?

1 - Dá um grito no Twitter e avisa que quer receber o aviso de novos capítulos que eu te coloco na lista. (E aqui eu preciso desabafar: Quando começamos a 3ª temporada de AGeOC teve uma menina que brigou comigo porque não estava na lista. Gente, se vocês não me avisarem que querem receber os avisos, eu fico sem ter como saber, ok? Por favor, me avisem! O aviso vale para quem, por ventura, quiser sair da lista!)

2 – Essa fic será postada exclusivamente aqui no blog (Em breve teremos por lá a página de “A Nossa Canção” com direito a capa e sinopse, ok? Não quis fazer antes porque dá azar!).

3 – Como já rolou durante a temporada de AGeOC, estou postando prévias dos capítulos no Facebook. Assim que a fic começar, quem quiser que eu continue é só pedir! (Vale lembrar: Quem quiser ser marcado nas prévias é só me avisar, ok?).

4 – Essa será uma fic curta. O roteiro inicial tem 12 capítulos (o que indica que teremos mais ou menos uns 15 caps, porque eu sempre mando o roteiro inicial pro pau!). O estilo será parecido com “Incondicional” (um pouco mais tensa) e a Júlia será BEM diferente da Anita e da Cristal, já vou avisando (Mas juro que ela será legal! Eu juro!)

Ufaaa, já falei demais! Qualquer dúvida, vocês têm os meus contatos, certo? Então, deixem de preguiça e de corpo mole e me escrevam também! Rs! (Brincadeirinha!)

É isso aí pessoal! Antes de me despedir de vez, deixo aqui registrado o meu sentimento de alegria por fazer parte da Família Luan Santana. Obrigada por me receberem dessa forma tão carinhosa, mesmo eu sendo uma fã “nível iniciante” do Nego Divo! Sinto que agora eu realmente encontrei o meu lugar.

Nunca é demais repetir: Foi um cara que vive cantando por aí que “Só quem sonha consegue alcançar” que me fez lembrar o meu “velho” sonho de ser escritora. Não sei se hoje posso me considerar uma escritora de verdade, mas posso pelo menos dizer que estou no caminho certo (assim penso eu...). Para ele, que me ensina uma coisa nova a cada dia e que mesmo de tão longe já me deu tanta coisa, eu digo “Serei sua fã e você pra sempre a minha Estrela”. Essa daqui é pra você, viu Lú?

E eu fico por aqui com um trecho de uma música do CBJr que eu me lembrei esses dias e que acredito combinar muito com esse momento da minha vida.

“Pra te fazer sorrir, pra te fazer cantar, pra te fazer viver, pra te fazer sonhar...
O 'dom' que Deus me deu eu dedico a vocês”.

Beijo grande,

Titia Manu

P.S: Preciso aprender a falar menos...
__________________________________

Notas finais do capítulo:
Já estou com saudades dessa turma... Pode isso, produção? kkk
Todo mundo me desejando boa sorte na nova fic, hein?! Espero encontrar todo mundo lá!
Para quem fica por aqui, Beijo grande!
E chega de falar... kk


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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Capítulo 14 - Sutilmente

Notas iniciais do capítulo:
Hoje é dia de cap hot, bebês!
Terceira parte do casamento meteórico tá completa! Tem de tudo, inclusive cenas calientes!
Bora ler mais 16 páginas? (Ando caprichando nos capítulos! kkk)

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– Ahhh, agora sim! - Falei encarando a minha imagem no espelho do quarto. Eu havia trocado o vestido de noiva, completamente encharcado após o pulo na piscina, por um shorts jeans, top, “blusinha” caída no ombro e, fechando o visual, o meu all star. Usar vestido de noiva era legal e tudo mais, mas não passava nem perto do meu tipo de roupa predileto. Encarei a peça que eu acabara de despir: As pétalas de rosas que estavam na água da piscina grudaram no tecido e deixaram manchas espalhadas por todo o vestido. Aquele ali “tinha ido pro pau” de vez...

– Cabelo perfeito, maquiagem divina, vestido dos sonhos... Tudo isso perdido no fundo daquela piscina... – A Rafa se lamentou após avaliar o meu estado: Cabelos molhados, rosto completamente sem maquiagem, roupa simples e básica – Anita Tunice, você sabe mesmo como NÃO manter a pose – Ela reclamou, muito brava, mexendo o carrinho de bebê que estava na sua frente. Dentro dele, uma tranquila Vick Caramelo dormia sem ter nenhum conhecimento da bagunça que estava rolando ao seu redor.

– E como sabe... – A Malú também comentou tristonha.

– Ah Rafinha, não fica assim... A gente pode mandar fazer outro – Tentei reanimá-la, afinal, o lado bom de ser famosa era justamente aquele: Com certeza uma dezena de estilistas estaria disposta a refazer o vestido que eu usei no casamento “mais esperado do ano”, segundo as revistas e sites de fofocas – E você, Malú? Não era para estar com o André?

– Ah... Eu estou meio que... fugindo dele – Ela confessou bastante sem graça.

– Fugindo? Como assim? E eu que achei que vocês tinham se acertado – A Rafa comentou bastante surpresa.

– É que é estranho! Ele está muito diferente da época que nos conhecemos na faculdade. Acho que aquele beijo rolou porque eu me deixei levar pelas lembranças do passado. Mas agora, eu não sei... – A minha ex-secretária nos contou enquanto mexia na barra do seu vestido, sem coragem de nos olhar.

– Ai meu Deus, quando uma Gata Garota resolve a sua vida e decide casar logo de uma vez, vem a outra e começa uma nova novela. Meninas, assim vocês me enlouquecem! – A Rafa colocou as mãos na cabeça como alguém que está realmente pirando com uma situação.

– Agora sim, hein? Tô pronta pra outra, mulherada – O Luan saiu do banheiro secando os cabelos com uma toalha. Ele também vestia uma roupa mais confortável: bermuda, camiseta e chinelo. Na verdade, uma roupa beeeem mais confortável do que terno e camisa!

– Ah Luan, que bom que você chegou! Finalmente alguém com um pouco de juízo nesse quarto – A Rafa disse para o meu agora oficialmente-marido.

– Juízo é comigo mesmo, Rafinha! Tenho pra dar, vender e emprestar – Ele brincou, todo fazendo graça.

– Fala sério, né? Alguém que chama o avião de “Bicuço”, o carro de “Jabuticaba” e fala “Ota”, “Oropa” e “nerverso” não pode ser lá um bom exemplo de pessoa ajuizada – A Malú usou mão da sua típica sinceridade para falar sobre o “juízo” do Lú.

– Ah Malú, fala sério você! O seu namorado FA-LA TU-DO AS-SIM... Deixa o Luan em paz com o Luanês dele – Defendi o meu Caipira.

– Eu não tô falando que essas duas vão me enlouquecer? – A Rafa falou em tom de confissão para a minha afilhada, que ainda dormia sossegada.

– Falando em perder o juízo... – A Malú soltou mais um comentário mega-sincero ao ver a cena da Rafinha conversando com a “Caramelo”.

– Mais uma palavra sobre o juízo de alguém e eu conto para o André que você está se escondendo dele aqui no quarto da Any – A Rafa ameaçou a minha ex-secretária que ficou “quetinha” sentada na sua poltrona. Pelo jeito ela realmente estava com medo de encarar o André após o beijo.

– Eita que essa mulherada tá “braba” demais hoje! – O Luan comentou chegando perto de mim – Fica nervosa assim não, viu “Paxão”? – Ele me pediu fazendo charme.

– É o seguinte casal, Luní... – A Rafa virou para nós dois após a “bronca” que deu na Malú.

– Luní? – Quis saber que novidade era aquela.

– Forma simplificada de Luanita – A Rafa se apressou em explicar – E agora deixa eu terminar de contar – Ela pediu ansiosa – A festa já está quaseee acabando, pelo menos para nós, né? Porque para vocês, recém-casados, a festa de verdade começa é agora – Ela brincou.

– Por isso, nós, a Trupe do Camaro Amarelo, preparamos uma surpresa muito especial para vocês – A Malú não se aguentou e entrou na conversa.

– Pois é! Nós reservamos uma suíte pra lá de especial em um hotel-fazenda aqui perto para vocês passarem a noite de núpcias de vocês. Já arrumei as malas dos “pombinhos” e coloquei tudo no “Jabuticaba”. E agora que vocês já estão de banho tomado e “cheirosinhos”, vocês já podem descer, se despedir dos convidados e partir para a primeira noite de amor após o casamento! – A Rafa nos informou muito empolgada – Ai, que isso lembra o meu casamento e a minha noite de núpcias lá em Las Vegas!

– Gente chique é outra coisa! Casório no exterior é muito coisa de “Granfina” – O Luan rebateu – Mas eu adorei esse “trem” de hotel-fazenda, viu? Quero logo partir pra essa noite de núpcias, aí – O meu oficialmente-marido não escondeu a empolgação.

– Ahh, eu adorei o presente! De verdade mesmo, vocês são os melhores amigos que eu poderia ter – Falei toda emocionada – E agora eu fiquei curiosa para ver qual é a desse hotel-fazenda! Bora se despedir dos convidados para pegar a estrada, Paixão? – Chamei o Luan já caminhando em direção à porta.

– Opa! Bora lá... Quero chegar logo na parte do “Enfim sós” – O Lú me acompanhou já pensando na próxima etapa do casamento: A noite de núpcias.

Voltamos eu, o Luan, a Rafa e a babá carregando a Vick Caramelo para a área externa da “Toca” onde a festa seguia muito animada (A Malú continuou escondida no meu closet para não ser encontrada pelo André...). Empolgados com uns goles de “cachaça” a mais, Fiuk e Thaeme agora cantavam juntos a música “Maria Chiquinha” e garantiam a alegria da “moçada” que estava na festa.

Quando eles terminaram, a Rafa pediu um minuto de atenção no microfone:

– Pessoal, Luan e Anita já estão saindo para a Lua de Mel! Peço, por gentileza, que vocês se posicionem na entrada do jardim para nos despedirmos do nosso casal Luanita com o tradicional arremesso de arroz para trazer sorte aos noivos – Enquanto descíamos as escadas a caminho da festa eu vi a Rafa mandando uma mensagem de texto para o celular do André pedindo que ele organizasse todos os detalhes do “arremesso” de arroz.

Por um momento senti medo daquele nome. A palavra arremesso não me caía muito bem...

– Mas peraê... Os noivos vão embora sem cantar nenhuma música juntos? – O Sorocaba gritou do meio dos convidados – Quero ouvir a Granfina cantar!

Fala sério, por que o amigo do Luan fazia tanta questão que eu cantasse?

– CANTA, CANTA, CANTA! – O resto do pessoal fez coro. Claro que naquelas alturas da noite, boa parte do pessoal já estava bem mais “animado” que o normal por causa da “cachaça”. Ainda bem que pedi para manter a tequila longe da minha festa., senão o estrago poderia ser muito maior...

– Tá certo, acho que a gente pode dar uma “palhinha”, né “Paxão”? – O Luan me pediu.

– Hum... Podemos cantar aquela que estávamos tocando ontem no quarto... – Avaliei.

– Canta “Química do Amor” – Ouvi alguém gritar

– Caramba, eu não sou a Ivete Sangalo!Por que todo mundo sempre quer me ouvir cantar essa música? – Perdi a linha.

– Calma, “Paxão”! Vamô fazer aquela moda mesmo, aquela que a gente ensaiou ontem, tá? – O Luan me puxou em direção ao local onde estava a banda, onde nos preparamos para começar a cantar junto com a banda. Quando todos já estavam prontos, o meu marido falou no microfone, prendendo ainda mais atenção de todos os presentes.

*** Link para música– https://www.youtube.com/watch?v=SO9mBWF_GYk ***

– Essa aqui eu dedico pra minha Granfina – O Luan avisou antes de começar a tocar.

“Eu quero ser o seu melhor amigo
Eu quero desvendar suas histórias
Dizer que me importo em me importar
Eu quero te amar, eu quero te amar”


O Luan cantou a primeira estrofe da música olhando para mim. Ele havia dedicado aquela mesma canção para mim na noite anterior. Aquela era uma das minhas faixas prediletas do novo CD do Lú. A letra era tão perfeita e combinava tão bem com a nossa atual situação que era impossível não sorrir ao ouvir aqueles versos. Ainda mais porque era o meu “Caipira” quem estava cantando...

Ele terminou a sua estrofe e apontou para mim, me avisando que a próxima parte seria minha. Respirei fundo, e ainda sustentando o seu olhar, cantei:

“Eu quero perder pra você ganhar
Eu quero aprender pra te ensinar
Definitivamente poder te dizer te amo
Sabendo o que é amar”


Na minha frente o Luan balançava o corpo no ritmo da música sorrindo todo orgulhoso de mim. Cantei a última parte segurando uma das suas mãos. Agora sim eu poderia dizer “Eu te amo” sabendo o que era amar de verdade uma pessoa.

“100% seu, totalmente seu
Eternamente seu, alguém que já nasceu
Sendo único
Exclusivamente seu

Conhecer o seu jeito
Amar os seus defeitos
Te carregar no peito
Ser mais do que perfeito
Único, exclusivamente seu”


Cantamos o refrão juntos já completamente envolvidos com a melodia da música que era muito contagiante. Na pista o pessoal entrou no clima de animação e começou a dançar a bater palmas. Pelo canto do olho vi o André meio cabisbaixo, olhando para os lados, com certeza procurando a Malú. Fiquei com um pouco de dó dele, mas a minha ex- secretária precisava de tempo para definir o que estava sentindo, e quando o assunto era o coração, o melhor remédio, com certeza, era o tempo.

Terminamos a música e recebemos muitos aplausos e palavras de elogio dos nossos convidados. Eu não sabia o porquê, mas as pessoas gostavam de me ouvir cantar com o Lú...

– Aêe Luan, acho que você deveria fazer uma dupla com a Anita – O Fernando, parceiro do Sorocaba, brincou – Ia ser sucesso!

– Rapáiz, nunca quis cantar em dupla, mas com a Ní eu topo – O Lú avaliou a proposta – Mas agora chega de papo! Eu quero mesmo é ir pra esse tal de hotel – Ele emendou todo fazendo graça.

Deixamos o palco improvisado e, ao som dos gritos da Rafa, todos formaram uma espécie de corredor perto da entrada do jardim para o tal de “arremeso” de arroz.

Encarei a cena. O Luan estava ao meu lado, com uma cara muito assustada também. De repente ver aquela fileira de pessoas prontas para jogar algo em nós me pareceu muito assustador.

– Vamô lá, né? – O meu agora oficialmente-marido me incentivou dando o primeiro passo em direção ao corredor.

– Preparar, aprontar, A-TI-RAR – O André gritou quando ficamos perto o suficiente da “linha de tiro”.

No instante que ficamos cercados pelos convidados, verdadeiras “ondas” de arroz foram lançadas contra nós com violência. Eu nunca vi tantos grãos junto! Aquelas “coisinhas” brancas batiam contra a minha pele e doía pra valer... Tentei correr, mas não teve jeito... Ao terminar de passar pelo corredor, ao som de gritos como “Viva aos noivos”, “Felicidade ao Casal” e “Luanita na cabeça”, eu tinha arroz até dentro do meu top. Encarei para o Luan que estava na minha frente. Sua situação não era muito diferente. O seu cabelo tinha tantos grãos acumulados que parecia que o Lú tinha ficado grisalho de uma hora para outra.

– Rapáiz, se isso é pra desejar sorte, mágina o que eles fazem quando querem azarar alguém – O meu marido reclamou sacudindo a cabeça tentando se livrar do arroz.

– É que a gente acaba se empolgando um pouco... – A Rafa justificou ainda com punhado do grão nas mãos.

– Chega de jogar arroz em mim – Praticamente gritei.

– Vem nega, vamô logo pro Jabuticaba antes que eles inventem mais alguma coisa pra jogar na gente – O Luan me puxou em direção à garagem. Todos os convidados nos seguiram, fazendo muito barulho. De relance vi o Neymar e a Daiane fazendo uma pequena “guerra de arroz” com a Bruna e o namorado.

Chegamos onde o Porsche preto estava estacionado. No capô, escrita com letras brancas, estava a frase: “Finalmente casados”. Algumas latas e pedaços de fitas também foram amarrados no para-choque do carro para dar o ar de automóvel de casamento.

– Eu já programei a rota no GPS. O hotel fica a mais ou menos meia hora daqui... Vocês não vão ter nenhum problema em encontrar o lugar – O Murilo nos avisou.

Mais abraços, mais frases de felicidades e mais beijos, e uns quinze minutos depois nós estávamos deixando o condomínio onde morávamos com a “Divinha” a bordo. A mascote pulou dentro do carro quando eu abri a porta do passageiro e não quis sair de jeito nenhum. O jeito foi levar a labradora com a gente...

– Pode deixar, eu ligo para o hotel e peço hospedagem para um cachorro também – A Rafa gritou antes que deixássemos a garagem.

***
Chegamos ao hotel sem enfrentar nenhum problema. A estrada estava vazia e nós ligamos o som no último volume. A minha felicidade e a do Luan quase não cabia dentro do carro. Sentada entre as minhas pernas estava a “Divinha” com a cabeça encostada no meu joelho, babando e nos encarando com uma expressão curiosa como se estivesse se perguntando “Será que eu não poderia ter donos normais?”

Apresentamos-nos na recepção e um funcionário em uma motocicleta nos guiou por uma pequena estrada que dava acesso aos aposentos do hotel. A propriedade era bem grande e muito arborizada. Eu não conseguia ver muita coisa do caminho por causa da escuridão da madrugada, mas vi várias sombras de construções ficarem para trás conforme nós passávamos.

Logo percebi que o hotel funcionava com um esquema diferente. Os hospedes ficavam em pequenos chalés que tinham muito o ar de fazenda: Eles eram de madeira, com uma pequena varanda com jardim, uma janela com cortinas brancas e tinha até uma espécie de chaminé. As “casinhas” eram um verdadeiro charme.

O funcionário do hotel nos levou até um dos aposentos que ficava um pouco mais afastado dos outros e nos indicou que ali era onde nós passaríamos a noite. Estacionamos o “Jabuticaba” na garagem e descemos do carro. A “Divinha” já ia à nossa frente, cheirando o caminho.

– Enfim sós! – O Luan me disse tirando as chaves que nos entregaram na recepção do bolso da bermuda.

– Sei que pode parecer egoísmo... Mas se eu pudesse eu teria pulado toda a parte da cerimônia e da despedida e teria vindo direto para cá com você – Falei colocando as mãos ao redor do seu pescoço conforme ele se aproximou de mim.

– Tem problema não, “Paxão”. A gente compensa tudo agora! – Ele piscou para mim me dando um selinho rápido nos lábios – Mas, primeiro... – Ele interrompeu a sua frase e, com um movimento rápido, me pegou no colo me carregando até a porta de entrada do chalé.

– Luan, me solta! Não dá certo essas coisas de você me carregar no colo – Ralhei com ele. Eu me lembrava da gravação do clipe quando ele me tirou do chão, se desequilibrou e me derrubou no chão caindo por cima de mim.

– Fica tranquila, Ní! Eu ando treinando pra isso – Ele sorriu, convencido – Mas nega, “cê” anda mais cheinha, né? Tenho que lembrar de pedir para o Gutão levar você para malhar...

Fala sério, ele estava me chamando de gorda?

– Eu não tô gorda não, Luan! Só ando um pouco... estranha – Comentei um pouco insegura. Eu realmente andava um pouco... maior.

– Tá bão, tá bão! Tá gorda não, “Paxão”! Tá no ponto, viu? Mas agora pega a chave aqui na minha mão e abre a porta pra gente – Ele me pediu já com uma expressão um pouco cansada de ter que ficar me segurando nos braços.

Destranquei a porta me equilibrando no seu colo e entramos. “Divinha” veio logo na sequência e já se jogou em um canto com uma expressão muito cansada.

O Lú me carregou até a cama e me colocou sentada sobre o colchão – Fica “quetinha” aqui, viu senhora Santana?! Vou pegar as nossas coisas no carro – Ele me avisou antes de me beijar suavemente nos lábios.

– Não vou para lugar nenhum, marido! – Dei bastante ênfase para a última palavra. Era ótimo poder chamar o Lú daquela maneira.

Ele foi correndo em direção ao carro e eu aproveitei para averiguar como era o local onde passaríamos a noite. Logo após a porta de entrada ficava uma pequena sala, muito aconchegante, com direito a lareira e sofás confortáveis. Um pouco mais no canto uma pequena pia, uma mesa, armários e outros eletrodomésticos formavam a cozinha. Uma porta de correr separava o quarto dos demais cômodos. O local onde eu estava agora contava com uma janela em cima da cama enfeitada com cortinas claras, uma cama de casal, um sofá em tom bege com almofadas combinando, uma escrivaninha e um armário. Uma porta dava acesso ao que eu imaginava ser o banheiro. Em resumo o chalé lembrava aquelas casas de fazenda, com decoração rústica e simples, mas de muito bom gosto.

– “Vortei”, amor! – O Lú anunciou colocando as nossas malas no chão. Não era muita coisa, porque nós passaríamos apenas um dia ali. O meu agora oficialmente-marido estava com a sua primeira turnê internacional marcada e nós teríamos que adiar a nossa lua de mel para o final do ano quando os dois tirariam férias. Aquela noite no hotel serviria só como uma espécie de prévia.

– E então dona Anita Tunice Domingos Santana, como é estar casada? – Ele me perguntou caminhando até mim.

– Bom, até agora eu não vi muita graça nessa vida de casada não, viu? – Fiquei em pé na sua frente fazendo charminho – Eu casei, mas ainda não consegui ficar com o meu marido...

– A gente pode ajeitar isso agora mesmo – O Lú não perdeu tempo e já foi me puxando para perto dele colocando as suas mãos na minha cintura – Mas antes, eu só quero te lembrar de uma coisa – Ele disse baixinho no meu ouvido – Tudo o que eu disse no altar hoje é verdade. Eu quero te fazer muito feliz, viu minha “muié”?

Senti o meu corpo inteiro ficar arrepiado. Era incrível o poder que o Luan tinha de me tirar da linha.

– E tudo o que eu disse também é verdade, meu guri. Quero ser as asas que te farão voar ainda mais alto. Mas, para resumir tudo o que te falei hoje, acho que podemos ficar com esses versos aqui – Sorri para ele acariciando o seu rosto.

*** Link para a música – https://www.youtube.com/watch?v=v3SQTOZO36E *** (Mudei a letra da música um pouquinho, ok?)

– “Quando eu estiver triste, simplesmente me abrace” – Cantei baixinho passando os meus braços ao redor do seu pescoço – “Quando eu estiver louca, subitamente se afaste” – Prossegui o encarando nos olhos com um tom sério, como de alguém que dá uma advertência – “Quando eu estiver bobo, sutilmente disfarce” – Mostrei a língua para ele querendo fazer graça e vi ele abrir o sorriso mais perfeito do mundo em resposta – “E quando eu estiver fogo, suavemente se encaixe” – Provoquei cantando no seu ouvido e depositando no seu pescoço alguns beijos.

A reação foi imediata. Assim que terminei a frase senti uma das mãos do Luan subir até a minha nuca e delicadamente segurar os meus cabelos. Depois ele me beijou sem pressa, doce e carinhosamente encaixando uma de suas pernas entre as minhas. Nossos corpos ficaram colados e eu aproveitei para deslizar as minhas mãos pelas suas costas largas. Eu sentia os seus braços ao meu redor, o calor da sua pele, sentia o seu cheiro... Dentro do meu peito o meu coração quase parava de tanta ansiedade. Aquela seria primeira vez que eu me entregaria para ele como sua esposa. Aquela seria a nossa primeira noite, de muitas, como casados.

– Sabe que eu gostei desse trem de “suavemente se encaixe”? – Ele brincou enquanto me deitava na cama se posicionando ao meu lado – Vai ser tudo assim, bem “suavizinho”, viu Paixão?

– Deixo tudo em suas mãos! – Dei um beijo rápido nos seus lábios já curiosa para saber qual seria o seu próximo passo.

– Ah, é assim, nega? “Cê” provoca e depois fala que está tudo na minha mão, né? Tem problema, não. “Cê” vai ver como eu sou bom em fazer tudo assim, beeem de mansinho – O Lú foi falando, sem tirar os olhos dos meus, enquanto tirava os meus sapatos e meias e os jogava de qualquer jeito no chão. Na sequência ele segurou um dos meus pés o beijou suavemente me fazendo estremecer. Ele sabia que eu sentia cócegas naquela parte do corpo, por isso riu ao ver ao ver a minha reação.

Os beijos foram subindo pela minha perna, e a cada contato dele com a minha pele eu estremecia ainda mais. Ele se aproveitava dessa vantagem, agindo sem pressa e me olhando com uma expressão provocante no rosto.

Ele chegou até a minha cintura, onde abriu o botão do meu shorts. Sem fazer muita cerimônia, ele despiu a peça e a atirou longe me deixando apenas de calcinha.

Aproveitei o seu momento de distração para girar o meu corpo sobre o dele, invertendo as nossas posições. Passei uma das minhas pernas sob o seu tronco e deitei o meu corpo até alcançar a sua boca, onde depositei um demorado beijo. Meus cabelos caiam por cima do seu rosto e a minha mão direita posicionada acima da sua cabeça me ajudava a sustentar o meu peso. Com a esquerda eu desci pelo seu tronco e a coloquei por dentro da sua camiseta. Fui subindo devagar pela sua barriga, fazendo o mesmo jogo que ele: movimentos sem pressa. A sua resposta foi a mesma que a minha. Ele estremeceu e parou de me beijar por um segundo para me olhar nos olhos.

– Isso é golpe baixo – Ele reclamou se encolhendo todo enquanto eu continuava acariciando a sua barriga.

– Golpe baixo é você tirar o meu shorts e continuar todo vestido desse jeito – Respondi me fazendo de brava – Mas eu vou dar um jeito nisso agora! – Puxei a barra da sua camiseta e com a ajuda do Luan tirei a peça a colocando de qualquer jeito sobre a cama. Parei para olhá-lo por um momento. Ele estava bem forte, muito diferente da primeira vez que ficamos juntos. Eu gostava daquele seu novo físico, não poderia negar, muito embora não fosse aquilo que mais me chamava atenção nele.

Voltei a deitar o meu corpo sobre o dele sentindo o cheiro do seu perfume. Ainda era o mesmo que ele usava quando nos conhecemos. Aquele cheiro sim me encantava. Eu amava aquele perfume, principalmente quando era o Luan que estava o usando.

Fui descendo pelo seu tronco distribuindo beijos por onde eu passava. Em baixo de mim o Luan fechou os olhos e chamou o meu nome com a voz fraca, como se estivesse indeciso se queria me pedir para parar ou para continuar.

Corri as minhas mãos pelo cós da sua bermuda e abri o botão que a mantinha fechada. Assim como o Luan, não fiz cerimônias. Puxei a peça e a tirei do corpo do meu marido, deixando-o só de boxer preta sobre a cama. Eu amava quando ele usava cueca daquela cor.

– Quem é que tá jogando sujo agora? – Ele abriu os olhos me perguntando. O seu sorriso guardava um “quê” de malícia, como de alguém que estava se preparando para dar o bote.

– Isso não é jogar sujo. É apenas te deixar mais à vontade – Disse na cara de pau.

– Ah é assim? Então também quero te deixar mais à vontade – O Lú aproveitou a deixa para tirar a blusa que eu estava usando. Ele parou por um momento e ficou apenas me olhando, como se estivesse tentando memorizar aquela cena para sempre.

– Você é tão linda, “Paxão” - Ele comentou me segurando pela cintura.

– Você que é lindo, amor. Feito na medida para mim – Acariciei os seus cabelos delicadamente.

Ele então subiu uma das suas mãos para o meu colo e contornou o formato do top que eu estava usando. O contato dos seus dedos na minha pele me fazia sentir uma sensação engraçada, uma espécie de arrepio...

Ele continuou “brincando” com o meu top permitindo que as suas mãos acariciassem toda aquela região. A reação ao seu toque foi ficando mais intensa. Fechei os olhos e apenas o senti deslizando as mãos pelo meu colo e pelos meus seios até finalmente sentir vontade de tirar a peça.

Na sequência ele nos girou novamente, ficando agora com o corpo sobre o meu. Ele ajeitou os meus cabelos atrás da minha orelha e me beijou nos lábios com muita intensidade. Senti uma das suas mãos descerem pela lateral do meu corpo até chegarem a minha calcinha. Ele permaneceu por ali por alguns momentos, repetindo o que ele havia feito antes de tirar o meu top. Como resposta, senti o desejo dentro de mim ir aumentado gradualmente. Os nossos beijos também ficaram mais intensos. Eu segurava os seus cabelos com uma das minhas mãos e acariciava as suas costas com a outra.

O Lú separou os nossos lábios para distribuir pequenos beijos e mordidas pelo meu pescoço, colo e barriga. Eu via no seu olhar um brilho diferente, um brilho que era mais que desejo. Talvez fosse a mistura de desejo e paixão...

– Tão, mas tããão linda – Ele sussurrou no meu ouvido puxando o meu cabelo – E tão minha! – Ele completou, separando os nossos corpos para tirar a calcinha que eu estava usando.

– Só sua, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte nos separe – Repeti os votos de fidelidade que fiz perante o juiz enquanto ficava de joelhos sobre a cama para ficar na mesma altura que ele estava agora – E pra sempre a sua Granfina – Completei colocando as minhas mãos no seu peito e o empurrando suavemente em direção ao colchão.

Agora era a minha de provocá-lo distribuindo carícias pelo seu corpo. Comecei no seu pescoço, passei pela orelha, peito, barriga até chegar a sua cintura. O volume sob boxer preta já denunciava que os meus truques estavam dando certo e que o Lú já estava com tanta vontade quanto eu estava.

O meu marido me encarava com uma expressão séria, atento a cada movimento meu. Pisquei para ele o provocando e puxei a sua cueca a jogando longe.

Voltei para perto dele e beijei os seus lábios novamente. Mantendo o ritmo “suave” com o qual estávamos fazendo tudo até aquele momento, encaixamos os nossos corpos nos movimentando sem pressa, aproveitando o momento.

Ele segurava o meu cabelo com uma mão e a minha cintura com a outra. Meus cabelos caiam pelo meu rosto e eu segurava as suas costas com firmeza. Eu não conseguia tirar os meus olhos dos dele e nem ele tirava os seus dos meus. Nós não falávamos nada, mas era como se muita coisa estivesse sendo dita. Parecia não existir vida lá fora. Era como se aquele momento fosse só nosso e nada, nem ninguém, poderia estragá-lo.

E nunca ficar com ele foi tão bom. Entregamos-nos um ao outro, trocando beijos e carícias. Ele chamou o meu nome baixinho quando sentiu que estava quase chegando ao seu ápice e então chegamos até o ponto alto do prazer juntos, caindo um ao lado do outro na cama na sequência.

Ele sorria. Eu mesma sorria sem parar. Senti a sua respiração ofegante, vi os seus cabelos bagunçados, senti o calor da sua pele contra a minha. Eu tinha o marido mais perfeito do mundo ao meu lado. Nunca mais eu poderia dizer que era uma pessoa azarada...

– Eu te amo tanto, Luan – Falei me aconchegando entre os seus braços e deitando a minha cabeça no seu peito.

– Eu também te amo muito, Anita – Ele me respondeu beijando os meus cabelos.

Apenas fechei os olhos e fiquei ali, ouvindo as batidas do seu coração e sentindo o seu peito subir e descer enquanto respirava. Ele acariciava os meus cabelos e cantava baixinho pra mim a música que havia me dedicado antes de nos jogarmos na piscina durante a nossa festa de casamento. - “E te darei todas as noites meus versos sinceros, a minha alegria, Serei seu poeta, amor você será a minha poesia”.

Naquele momento eu não duvidei que ele seria para sempre a minha vida, e que eu seria capaz de lhe dar todo o amor que existia nessa terra.

***
Acordamos no dia seguinte com a “Divinha” pulando na nossa cama, toda animada.

– Acho que a nossa mascote quer passear – Brinquei ainda sonolenta. Ao meu lado o Luan tentava escapar de um ataque fulminante de lambidas da nossa cadela.

– Tá “bão”, Divinha, tá bãoo... Eu vou levantar – Ele saiu da cama, ainda meio tonto de sono, com a cachorra ainda tentando pular nele.

Pedimos o café da manhã no nosso chalé, tomamos um banho e nos trocamos. Eu tomava a minha vitamina de morango com leite enquanto o Lú abria o presente que ganhara da sua irmã. A Rafa havia colocado o pacote junto com a nossa bagagem.

– “Oiá só, rapaiz. A Bruna caprichou, hein? É um kit completo de pesca – Ele comentou todo animado enquanto fuçava no interior da caixa mexendo em um monte de “tranqueira” que eu não tinha ideia do que era – Olha aqui, tem um recado “procê’, “Paxão”.

– Maninho, a vara é pra você pescar uns “peixões” pra gente, e o repelente é para a Anita não morrer picada pelos insetos – Ele leu o pequeno bilhete que encontrou no interior da caixa balançando o vidro de repelente para insetos que havia encontrado ali.

Rimos do comentário da Bruninha. Eu sabia que ela estava falando da viagem que fiz para Campo Grande junto com o Luan, quando eu, ele, a minha cunhada e o meu sogro pescamos juntos. Na ocasião eu quase morri por causa das mordidas dos insetos e precisei desistir da pescaria e voltar para casa mais cedo.

– A Rafinha comentou comigo que aqui nesse hotel tem um rio cheio de peixes – O Lú me comunicou já com os olhos brilhando. Eu sabia exatamente o que ele estava planejando: Passar o resto do dia pescando!

– Então acho que seria ideal para você estrear o seu equipamento novo – Eu o incentivei – Seria perfeito poder passar o dia na beira do rio, vendo você pescar, lendo o meu roteiro e cuidando da Divinha como casais normais fazem quando estão de folga! – Desabafei. Já fazia muito tempo que eu não sabia o que era ser uma pessoa “normal”, que consegue caminhar pela rua tranquilamente ser ter a foto estampada em um site de fofocas.

– Ué, e quem disse que você não pode fazer isso? – O Luan quis saber me encarando.

– Bom, acho que Anita Tunice, a “famosa estrela das novelas da TV Globo” e Luan Santana, “o garoto do meteoro”, juntos e recém-casados vai chamar um pouco a atenção das pessoas – Exagerei nos comentários de propósito.

– Então é só a gente não ser esses dois aí – O Lú encontrou a solução. Pela sua cara eu sabia que ele estava pensando em aprontar – Hoje eu vou ser o Pedrão, instrutor de kart que tirou o dia de folga para pescar junto com a esposa – Ele me comunicou.

Ri da ideia e entrei no clima da brincadeira – Então eu serei a Alice, uma empregada doméstica que trouxe a cadela de estimação para assistir o marido pescando – Escolhi qual seria a minha nova personalidade – “Levo vida de empreguete, eu pego às sete” – Cantei, já no ritmo da minha “personagem”.

– Alice? – O Luan fez careta para o nome que escolhi – Até quando quer ser outra pessoa você é Granfina, né Ní? – Ele riu da minha cara.

– Ah, não implica comigo! E vamos logo que eu me empolguei com a ideia. Quero ir ser Alice logo – Exclamei já me levantando e pegando tudo o que eu queria levar para o lago.

Colocamos as “traia” de pesca no “Jabuticaba” e seguimos de carro até a área onde estavam os peixes. O hotel era grande, não teríamos como chegar andando até lá. Seguimos um “mapinha” das dependências do local que estava colado na porta do nosso chalé e chegamos sem problemas.

O lago do hotel era imenso, todo cercado por árvores e equipado com alguns quiosques com mesas e cadeiras para dar suporte aos pescadores. O sol já estava alto no céu e várias famílias curtiam o local pescando, comendo e conversando animados. Fazia um dia lindo, perfeito para ficar ao ar livre.

– Agora sim, hein? Agora segura “nóis” – O meu marido descarregou o seu mais novo equipamento de pesca e já foi se posicionando na beira da água.

Coloquei a coleira na Divinha, descarreguei a cesta com o que sobrou do café da manhã e me joguei em uma cadeira com o roteiro da novela nas mãos a fim de estudar o meu novo papel. De longe eu fiquei “namorando” o meu marido, todo concentrado, armando a “traia” de pesca. Ele estava tão feliz que era impossível não sorrir ao olhar pra ele.

Não demorou muito e as pessoas começaram a notar a nossa presença por ali. Algumas meninas fãs do Luan chegaram perto para pedir fotos e nós colocamos as nossas novas “personalidades” em ação.

– Ó, hoje eu sou a Alice, uma “empreguete” toda trabalhada no luxo. Se vocês quiserem tirar foto comigo mesmo assim... – Brinquei com um grupo de fãs que se aproximou. Aos poucos todo mundo foi entrando no nosso “jogo” e logo nós nos tornamos apenas o Pedrão e Alice, e não Luan e Anita.

– Aêêee Pedrão! Para um instrutor de kart, você está mandando bem na pescaria! – Um senhor que estava no quiosque ao nosso lado elogiou o meu marido quando ele pegou um peixe.

– Viu só, “Paxão”? Quando a gente se conheceu você me disse que sonhava em ter uma família grande que se reunia para fazer churrasco junto. Eu te levei lá pra casa e você juntou a minha família com a Trupe do Camaro Amarelo. Agora você queria uma tarde tranquila, e eu te dei uma pescaria animada! O que mais você quer, meu amorzinho? Me fala que eu faço pra você – O Lú chegou perto de mim e me beijou na boca, todo carinhoso. Precisei me lembrar de como se respirava para não cair dura ali mesmo. Aquele menino era perfeito demais!

– Peraê... Vocês não são o Lu... – Uma menina com estilo cigano, usando uma saia colorida até os pés parou ao nosso lado com uma cara de susto no rosto.

– Não, nega! Hoje nós somos Pedrão e Alice! – O Luan respondeu piscando para ela indicando que aquilo era uma brincadeira.

– Ahhh.... Alice do País das Maravilhas? – Ela emendou, também entrando no clima das nossas novas personalidades.

– Não, Alice do Extraordinário Mundo dos Anônimos – Brinquei.

– Anônimos que andam em um Porsche? – Ela apontou para o “Jabuticaba” estacionado ali perto.

– É, uai... Todo mundo pode ter um carro conversível. É só dividir em várias prestações – O Luan improvisou. Nós três não aguentamos e rimos da piada do meu marido. Aquela tinha sido demais...

– Vocês casaram, né? Digo, fiquei sabendo por aí... Sabe, né? Mesmo anônimos as notícias correm – A garota se justificou mantendo a brincadeira das falsas personalidades.

– Sim, sim! Demorou, mas eu consegui laçar essa “muié” aqui – O Lú sorriu convencido.

– É, dá pra ver que vocês estão muito felizes. Sinto uma energia muito bacana ao redor dos dois. Especialmente de você – Ela apontou para mim – Uma áurea negra foi substituída por uma vermelha, que representa o amor. Sinto que você terá boas notícias e uma fase muito boa pela frente – A cigana me informou. Ela falava tudo aquilo com uma expressão séria e serena, e mexia as mãos como se conseguisse tocar as tais energias positivas. Eu não costumava acreditar naquelas coisas, mas aquela menina estava conseguindo me convencer.

– Deve ser a maldição indo embora! Finalmente uma fase boa, porque os últimos tempos foram puxados – Falei mais para mim mesma do que para os dois – E boas notícias? Que boas notícias?

– O amor quando é forte e intenso demais se multiplica, Ani... Digo, Alice – Ela me explicou com um sorriso tão sincero no rosto que fiquei encantada. A menina parecia uma fada e tinha o poder de me deixar calma e feliz.

– Ih... Bem que a minha mãe falou que ela estava com cara de grávida – O Luan lembrou mexendo no meu cabelo – Será que teremos a “Ní Dois” em breve?

– Hãã... Acho que não, né? Tem tanta coisa pela frente. Você tem a turnê no exterior, eu tenho a novela... Acho que agora não é um momento – Desconversei. Eu tremia só de pensar na hipótese de ser mãe.

– Ih Alice, tenho certeza que no fundo você já sabe que essa boa notícia está mais próxima do que todos imaginam – Ela colocou a mão sobre a minha barriga carinhosamente – E agora eu preciso ir! Felicidades para vocês! Sempre fui uma Luanita e continuarei torcendo pelo amor de vocês – Ela sorriu antes de se afastar deixando eu e o Lú olhando um para cara do outro e um clima de dúvida no ar.

***
Curtimos o resto do dia pescando. Umas duas ou três vezes eu precisei sair correndo atrás da Divinha para tentar impedi-la de pular no lago e espantar todos os peixes, mas no fim do dia o saldo era positivo: Vários peixes, um roteiro estudado e alguns quilinhos a mais por conta das muitas guloseimas que comemos ao longo da tarde. Era estranho, mas eu andava com um apetite que não era meu...

Porém, como dizia o velho ditado: Tudo que é bom dura pouco. Por isso, no final do dia, voltamos para o nosso chalé, pegamos as nossas coisas e seguimos para a recepção do hotel para acertamos todos os detalhes da nossa saída.

– Mey guri, eu não quero voltar para casa – Fiz manha quando entramos no carro, já prontos para partir – Dessa vez é você que vai viajar, e eu não quero ficar aqui sozinha – Reclamei enquanto acariciava a “Divinha” que estava sentada entre as minhas pernas.

– Oh “Paxão”, eu queria muito que você fosse comigo. Viajar “pras” Europa sem você não vai ter graça – Ele fez “bico” enquanto arrancava com o carro.

– Pois é... Agora nós invertemos os papeis, você é o “Granfino” enquanto eu sou a “Caipira” – Brinquei – Você sabe que não posso ir com você! Preciso me preparar para a nova novela. Você vai para o exterior e eu vou voltar para o Rio, como a boa “Caipira carioca” que sou - Sorri meio sem vontade.

Pegamos a estrada. O Luan acelerava o carro, comandando o “Jabuticaba” enquanto eu acariciava os seus cabelos o admirando do banco do passageiro. O por do sol coloria o céu em tons de amarelo, laranja e rosa. Pelas lentes dos óculos escuros que o meu marido usava eu via os últimos raios solares iluminarem o nosso caminho encerrando um dia perfeito, o primeiro como casada com o Lú.

*** Link para a música – https://www.youtube.com/watch?v=aq-7UBc3BPk *** Porque se forem pegar a estrada, escutem Coldplay

A capota do carro estava aberta e o vento batia contra o meu rosto fazendo os meus cabelos voarem. No rádio tocava uma música com um ritmo bacana, perfeita para pegar a estrada e “viajar” no som. Aumentei o volume. Eu sabia que o Lú gostava de ouvir todo o tipo de música, isso até o ajudava a compor as suas próprias canções. Ele sorriu para mim e passou a balançar uma das mãos acompanhando o som.

Sorri sozinha. Eu mal conseguia acreditar. Há um pouco mais de uma semana nós dois estávamos brigando no jardim de casa porque eu não sabia se queria me casar, e agora estávamos ali, como marido e mulher.

Eu ainda sentia os mesmos medos e tinha as mesmas dúvidas de antes. Eu ainda não sabia se seria uma boa esposa, se conseguiria fazer o Luan feliz, se seria uma boa mãe para os seus filhos, se saberia lidar com a distância que os nossos trabalhos sempre colocava entre nós ou se estaria preparada para dividir com ele todas as nossas derrotas e conquistas. Naquele momento eu só tinha certeza de uma coisa: que eu o amava e que só poderia ser ele a pessoa que me completaria e que me faria feliz.

E foi com aquela certeza tomando conta de mim e do meu coração que eu aumentei o som do carro, levantei uma das mãos curtindo o momento e gritei em alto e bom som para que todos ouvissem – Eu te vivo, Luan Rafael!

– Eita muié, calma! E ó, eu nunca vou cansar de dizer que eu te vivo – Ele me respondeu surpreso com a minha declaração repentina.

Encostei a minha cabeça no seu ombro enquanto ele seguia dirigindo. Olhei a estrada pensando que eu e ele ainda tínhamos um longo caminho para percorrer juntos, cada vez mais unidos.
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Notas finais do capítulo:

Anita, sua sortuda, deixa eu curtir uma Lua de Mel com o Divo também?! kkk
Meninas, atendendo a pedidos, TEREMOS CAPÍTULO EXTRA!
Por isso deixei algumas "coisinhas" para o último capítulo! =]
 
Lembrete importante: Próxima fic será postada SOMENTE no blog, já que o Nyah está "gentilmente" pedindo pra gente sair.
Portanto, aceito sugestões para tornar a nossa convivência aqui no blog beeem bacana!
Terceira temporada de AGeOC tá acabando, pessoal! Alguém vai sentir saudades?
Beijo e se cuidem, ok?


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